Governo do Distrito Federal
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26/04/18 às 19h55 - Atualizado em 30/10/18 às 15h19

Acordo beneficia catadores de recicláveis da Estrutural

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Secretário Humberto Fonseca garantiu continuidade do projeto. Foto: Mariana Raphael/Saúde-DF

 

Um acordo de cooperação técnica assinado, nesta quinta-feira (26), no Palácio do Buriti, entre a Secretaria de Saúde, a Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs), e a Universidade de Brasília (UnB), possibilitará o acompanhamento das condições de saúde dos catadores de material reciclável do Aterro Controlado do Jóquei.

 

A pesquisa “Água, Ambiente e Saúde: o impacto na condição de vida dos catadores de materiais recicláveis” foi desenvolvida por professores e estudantes do programa Pare, Pense e Descarte, do Campus Ceilândia da UnB, juntamente com profissionais e alunos da Escs.

 

“A partir dos dados coletados nessa pesquisa, a Secretaria de Saúde vai ter melhores condições de tratar esses catadores e suas famílias de maneira efetiva e, com isso, garantir uma melhor qualidade de vida a eles”, explicou o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, presente na cerimônia.

 

De acordo com o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, como a Estrutural é uma área de vulnerabilidade social, 12 equipes de saúde da família já foram destacadas para atender a região administrativa. Elas vão assumir o cuidado desses catadores e os acompanharão, com a ajuda dos pesquisadores desse estudo.

 

“Esse projeto ainda vai continuar, com o trabalho da Saúde da Família. Também vamos fazer um estudo de longo prazo, para acompanhar como fica a saúde deles a partir de agora”, informou Fonseca.

 

PESQUISA – Ao todo, 1.083 catadores foram entrevistados, por meio de um questionário com cerca de 200 perguntas, para conhecimento da situação de saúde de cada um deles.

 

O atendimento aos catadores ocorreu de 5 de junho a 30 de outubro de 2017, na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Estrutural.

 

A maioria deles fez coleta de sangue para análise bioquímica de 11 itens (hemograma, lipidograma, glicose, ácido úrico, creatinina, transaminases); sorologias (hepatites A/B/C, HIV e sífilis) e procedimentos como a medição antropométrica (peso e altura), e a aferição da pressão arterial e da frequência cardíaca.

 

A pesquisa faz parte de um total de 11 projetos para a desativação do antigo lixão da Estrutural, fechado em 20 de janeiro deste ano, além da melhoria na qualidade de vida dos profissionais que trabalharam lá durante anos.

 

Segundo a coordenadora do programa Pare, Pense e Descarte, da UnB, Carla Pintas, o maior objetivo da pesquisa é dar um retorno para a sociedade, de forma a contribuir com as políticas públicas de saúde para os catadores.

 

“Essa pesquisa é inédita no mundo. Ela é a única com um estudo desse nível e com esse impacto”, afirmou.

 

PERFIL – Com os dados coletados na pesquisa e apresentados no evento, foi possível traçar o perfil dos catadores de material reciclável que atuavam no antigo lixão da Estrutural.

 

Os dados revelaram que:

– 67% afirmaram já ter sofrido acidente no local de trabalho;

– 67% dos entrevistados são do sexo feminino;

– 57,6% têm idade entre 31 e 50 anos;

– 87,6% se autodeclararam pretos ou pardos;

– 80% têm até ensino fundamental completo;

– 61,6% são solteiros;

– 75,4% exercem a função há mais de seis anos;

– 20% deles atuam há mais de 16 anos na atividade.

 

Dos exames feitos para doenças infecciosas, o estudo indicou:

– 80,3% dos entrevistados fizeram exames para HIV;

– 71,8% para sífilis;

– 87,3% para hepatite viral tipo A;

– 87,9% para hepatite viral tipo B;

– 87,2% para hepatite viral tipo C.

 

TEXTO: Leandro Cipriano, da Agência Saúde

 

Acordo beneficia catadores de recicláveis da Estrutural