Governo do Distrito Federal
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2/03/15 às 19h22 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Audiência pública sobre epilepsia direciona atuação da Secretaria de Saúde

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Plano de ação é traçado para melhorar atendimento na Rede

BRASÍLIA (27/2/15) – Profissionais da área de saúde, parlamentares e representantes da sociedade civil participaram, na última sexta-feira (27), da audiência pública que discutiu a realidade das pessoas com epilepsia. O objetivo do encontro foi fazer um panorama dos serviços oferecidos pela rede pública de saúde e de educação.

Segundo a ouvidora da Secretaria de Saúde, Denize Bomfim, falta na rede pública de saúde do DF um cadastro oficial que aponte não somente a quantidade de consultas feitas, mas também um perfil epidemiológico de cada paciente. “A gente tem dados em prontuário, mas não nos dados cadastrais. Isso facilitaria oferecer o serviço adequado e também garantir recursos do Ministério da Saúde”, completa. Sendo assim, não é possível estimar, de fato, quantas pessoas com epilepsia são atendidas na rede pública de saúde do DF.

Para a ouvidora, participar da audiência pública já é um grande passo para que as coisas comecem a mudar. “Nós já temos um plano de ação sendo desenhado. E é importante quando a sociedade demanda, pois assim o gestor vê o que é necessário”, destaca Denize.

A Secretaria de Saúde recebeu alguns pedidos do público participante da audiência pública. Entre elas, a ampliação do atendimento em neurologia e a compra de equipamentos para cirurgia de epilepsia. Segundo Tadeu Palmieri, subsecretário de Atenção à Saúde, já está em estudo a compra de quatro aparelhos, ao custo estimado de R$ 1,9 milhão.

No DF, o Hospital de Base é referência no tratamento de casos de epilepsia. Quem necessita de atendimento ambulatorial pode marcar consulta para a Unidade de Neurologia, pelo sistema de regulação do Hospital de Base. Os encaminhamentos devem ser feitos com o pedido para a especialidade.

As consultas podem ser realizadas também nos hospitais regionais que possuem a especialidade de Neurologia, como o da Asa Norte, Ceilândia, Gama, Santa Maria, Planaltina, Sobradinho e Taguatinga, além de centros de saúde do Gama e Santa Maria que possuem profissionais capacitados para o tratamento da doença.

PRECONCEITO – Para todos os presentes à audiência pública, o maior problema da doença é o preconceito, causado, em sua maioria, pela falta de informação. Pouco se sabe sobre a doença e seus efeitos.

“Acho importante um evento como esse para tirar o tabu da sociedade”, reforça a professora Leila Weschenfelder Ferreira, 42, mãe de uma criança de 7 anos que tem epilepsia. “Minha filha estuda em ensino especial e faz terapia diária”, conta, destacando que a menina faz uso de canabidiol, substância polêmica e recém-retirada da lista de substâncias proibidas no Brasil, pela Anvisa.

“Tem sido ótimo para ela, mas é um desgaste físico e emocional, além de ter um alto custo. Nem todo mundo tem acesso. Por isso, acho que é preciso fazer algo para aumentar esse acesso”, observa o pai da menina, Rosivaldo da Silva Ferreira, 43.

DOENÇA – Estima-se que 3% da população do DF tenha epilepsia. Para caracterizar a doença, é preciso ter episódios recorrentes da crise, com intervalo mínimo de 24 horas entre elas.

Ouvir a história do paciente e o relato das pessoas que presenciaram a crise também ajuda a determinar o diagnóstico. Além disso, é preciso certificar-se de que não existe nenhum fator precipitante da crise, seja tóxico ou provocado por alguma outra doença.

O tratamento é indicado apenas a partir da segunda crise. Devendo tomar apenas um remédio, que é fornecido pelo Ministério da Saúde ou pela Unidade Básica de Saúde. Durante o uso, é imprescindível acompanhamento médico regular para controle.

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