Governo do Distrito Federal
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18/06/14 às 21h33 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

CAPS II de Taguatinga oferece oficina de música como terapia

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Projeto propicia a inclusão social e socialização de pacientes

Voz, teclado, violino e violão. É tocando e cantando que os participantes das oficinas de música começam a sessão de terapia, todas às segundas-feiras à tarde, no Centro de Atenção Psicossocial II de Taguatinga (CAPS). O trabalho é desenvolvido por profissionais do próprio Centro em conjunto com o professor de música e voluntário Elsaby Antunes.

Nas oficinas são desenvolvidos o processo de iniciação musical (som e ritmo) e aulas de instrumentos musicais, para depois inserir os pacientes nas apresentações à comunidade. “Nosso objetivo é trazer equilíbrio por meio da música. Ela acalma a mente, traz bem-estar, sociabiliza os sujeitos”, explica Elsaby. O professor afirma que é um importante espaço para os participantes, pois nele todos são iguais, não há rotulações.

Segundo a terapeuta ocupacional Maiara Ioris, as oficinas terapêuticas são espaços nos quais a vivência e o aprendizado obtidos no CAPS são levados para fora do ambiente da Unidade. “A prática adquirida ou potencializada aqui é levada para casa, ao trabalho, à comunidade”, disse. A terapeuta explica que a música é um instrumento de motivação e terapêutica.

Com o objetivo de promover a inclusão social e resgatar a identidade dos participantes, o CAPS atende pacientes com intenso sofrimento psíquico causado por doenças como esquizofrenia, bipolaridade, psicose e depressão. O CAPS II de Taguatinga atende entre 140 e 180 pacientes ao dia. Atualmente, são 500 usuários em tratamento, sendo que diariamente são feitos 20 novos acolhimentos.

O plano terapêutico de cada paciente é traçado após entrevista e levantamento dos gostos e interesses individuais. Segundo a gerente do CAPS II de Taguatinga, a psicóloga Girlene Pinheiro, o interessante é conquistar a adesão e a assiduidade dos pacientes. “Quando vamos traçar o plano, levamos em consideração os desejos e afinidades de cada pessoa. Alguns pacientes afirmam que não gostam de nada e quando questionamos sobre música quase sempre a resposta é positiva”, conta Girlene.

Além do grupo da oficina de música, o CAPS oferece duas vezes na semana aulas individuais
de violão, violino, teclado e voz. Segundo o professor Elsaby Antunes, a intenção não é formar artistas ou profissionais, mas fazer as pessoas se sentirem melhores, mais úteis e participando da sociedade.

“Os números comprovam o sucesso e a credibilidade dos serviços prestados no CAPS II. Lá todos os profissionais são engajados e comprometidos com os pacientes”, disse o coordenador-geral de Saúde de Taguatinga, Otávio Augusto de Siqueira. Para participar das oficinas, é necessário estar em acompanhamento pela equipe que é formada por psicólogos, psiquiatra, clínico, terapeuta ocupacional, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Do CAPS para a vida

Um dos pontos mais tratados em todas as atividades desenvolvidas nas terapias de saúde mental é a importância da ressocialização ou até mesmo a sociabilização dos pacientes. Segundo a gerente do Centro, grande parte dos doentes mentais busca o isolamento, se fecha em seu próprio mundo, chegando a perder qualquer perspectiva de vida. Daí o foco na interação com outras pessoas e com a comunidade por meio da música.

A psicóloga afirma que experimentar algo diferente do que se está acostumado a ser e a fazer é um grande estímulo para tirar o paciente do seu próprio mundo fechado. “A música fala muito da gente. Por meio dela podemos extravasar ,expor sentimentos e trocar experiências com outras pessoas”, disse Girlene.

Prova de que o trabalho desenvolvido ultrapassa os muros do CAPS é que o grupo tem participado de inúmeras apresentações fora do ambiente do Centro como na Câmara Legislativa, no 1º Encontro Intersetorial de Saúde Mental do DF, entre outros locais e eventos. Segundo a gerente, foram feitas 20 exibições de música de novembro no ano passado até agora.

Quem toca seus males espanta

Foi tocando que Wesley Luiz Carvalho, 29 anos, conseguiu sair do isolamento de uma depressão profunda e começou a voltar às atividades cotidianas. O bacharel em Sistemas de Informação era também militar quando teve seu primeiro surto e conta que na época não foi definido um diagnóstico específico entre psicose, esquizofrenia e bipolaridade. “Após três meses em crise, caí em depressão profunda, tinha pensamentos de autoextermínio, me sentia inútil e tinha pânico de sair da cama”, relata.

Wesley disse que até um dos maiores prazeres que ele tinha que era tocar na igreja foi deixado para trás. O resgate para o convívio social e uma melhora na sua saúde mental se deu com o trabalho da oficina de música em conjunto com o acompanhamento psicológico, psiquiátrico e apoio da esposa, família e amigos. “A terapia ocupacional me ajudou a me redescobrir como indivíduo, mas o conjunto de todo o apoio que recebi e recebo é que me ajudou a me recuperar. Há seis meses não estaríamos aqui conversando”, afirma.

Hoje, o paciente ainda está em acompanhamento com psicólogo e psiquiatra, mas já pratica outras atividades como tocar em uma banda de amigos da igreja Santa Luzia, de Samambaia, e começa a desenvolver atividades voltadas à sua área de formação, além de redescobrir seus dotes artísticos na Oficina de Artes também oferecida no CAPS.

Suemer Mariz, da Agência Saúde DF