Governo do Distrito Federal
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30/03/17 às 16h37 - Atualizado em 30/10/18 às 15h17

Centro-Norte terá linha de cuidados para obesidade e sobrepeso

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Capacitação de servidores para implantar projeto-piloto começou nesta quinta (30)

BRASÍLIA (30/3/17) – Uma linha de cuidados para oferecer assistência aos pacientes com sobrepeso e obesidade será lançada na Região Centro-Norte. Nesta quinta-feira (30), foi iniciado o Curso de Prevenção, Tratamento e Manejo do Sobrepeso e da Obesidade, com a participação de 40 profissionais que atuam diretamente no atendimento desse perfil. A ideia é uniformizar os conhecimentos para implementar um fluxo pré-definido para o acompanhamento da doença nos três níveis de atenção: primária, secundária e terciária. Posteriormente, o projeto será expandido para as outras regiões.

“Atualmente, já atendemos esses pacientes, só que de maneira pulverizada. Cada serviço realiza suas atividades, mas sem um encaminhamento pré-definido de como será o fluxo de tratamento”, explicou a coordenadora técnica do Grupo Central da Linha de Cuidados de Sobrepeso e da Obesidade na Secretaria de Saúde, Mariana Martins.

A profissional esclareceu que o atendimento do paciente com sobrepeso ou obesidade será iniciado pela atenção primária, ou seja, nas unidades básicas de saúde. A ideia é fazer avaliações e triagem do paciente. Será identificado em que nível de sobrepeso e obesidade ele está e se outras intervenções serão necessárias.

Dependendo do caso, ele será encaminhado para a atenção secundária, onde terá acesso a tratamentos mais específicos, como endocrinologia. Caso não atinja os objetivos de redução de peso, ele seguirá para a atenção terciária, em que a intervenção será mais invasiva e precisará ser submetido, por exemplo, a uma cirurgia bariátrica. Após a operação, ele retorna para a atenção primária para continuar sendo acompanhado e evitar o aumento de peso novamente.

“A intervenção cirúrgica é a nossa última indicação, porque o risco de uma operação desse porte é muito grande. Então, o melhor é prevenir e tratar na atenção primária e, depois, atenção secundária e terciária”, enfatizou Mariana, ao destacar que a linha de cuidados de obesidade e sobrepeso compõe a rede de atenção de pessoas com doenças crônicas não transmissíveis.

PROCESSO – Antes de formatar as ações, foi feito um levantamento dos serviços e como os pacientes são atendidos pela Secretaria de Saúde. “A região Centro-Norte foi escolhida para receber o projeto-piloto porque possui os três níveis de atenção ao paciente obeso: atenção primária, atenção secundária ambulatorial e atenção terciária hospitalar. No caso, as cirurgias bariátricas são realizadas no Hospital Regional da Asa Norte”, disse.

A coordenadora explicou que a previsão é de que o Hran seja credenciado pelo Ministério da Saúde até o fim desse semestre para receber recursos federais, já que realiza cirurgias bariátricas. “Os documentos já foram todos entregues”, observou, ao informar que a previsão é de que também seja criado um centro de referência em doenças metabólicas na região.

A aluna e nutricionista que trabalha na Unidade Mista da Asa Sul no tratamento de diabetes, Maria Aparecida Cardoso enfatizou que grande parte das pessoas só começa a tratar a obesidade quando surgem outros problemas. “Temos que lembrar que quando estamos tratando uma pessoa acima do peso estamos prevenindo uma série de outras doenças, já que a obesidade é fator de risco para patologias como diabetes”, finalizou.

DADOS – Segundo dados do sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel/MS) de 2015, 53,9% da população brasileira está acima do peso. Entre homens chega a 57,6%; e mulheres, 50,8%. Só a obesidade atinge 18,9% da população. Em 2010, o número era 15%. A obesidade também aumenta com a idade, chegando a 32,2% nas mulheres com 55 a 64 anos.

No DF, segundo o mesmo estudo de 2015, 50,3% da população está acima do peso, incluindo a obesidade. Entre homens são 56,4%; e mulheres, 45,0%. Só a obesidade atinge 15,8% da população do DF.

CAPACITAÇÃO – O curso é ministrado pela Escola de Aperfeiçoamento de Profissionais (EAPSUS) no prédio da Fepecs. Serão realizados cinco encontros presencias até maio. No último encontro, os participantes apresentarão aos colegas do serviço seu projeto de intervenção no serviço que visa a melhorar o atendimento ao sobrepeso e obesidade.

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