Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
28/06/21 às 14h15 - Atualizado em 28/06/21 às 17h50

Dia do orgulho LGBTQIA+: o Sistema Único de Saúde é para todos

COMPARTILHAR

Data celebra um movimento pelo respeito à diversidade; No SUS, há atendimentos voltados a esse público

 

ADRIANA SILVA, DA AGÊNCIA SAÚDEDF

 

Além de um dia comemorativo do orgulho LGBTQIA+, a data 28 de junho celebra não só os direitos e as conquistas que vêm sendo obtidos, mas também busca a conscientização social sobre os problemas atuais, respeito ao próximo e a liberdade individual de cada um. Na rede pública de saúde do DF, há atendimento especializado para transexuais, travestis e transgêneros por meio do Ambulatório Trans que, desde 2017 – quando foi inaugurado – já fez mais de 6 mil atendimentos. Casais homoafetivos também podem realizar o desejo da maternidade ou paternidade pela Unidade de Reprodução Humana e Endoscopia Ginecológica do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).

 

Para falar sobre o tema, é importante saber o que significa a sigla LGBTQIA+:

 

 

Infelizmente, a intolerância à diversidade sexual e de gênero ainda é uma realidade, e o dia 28 de junho também se tornou um dia de luta pelos direitos iguais. O principal objetivo é conscientizar a população sobre a importância do combate à homofobia, da construção de uma sociedade igualitária e livre de preconceitos independente do seu gênero sexual.

 

Atendimento na rede pública

 

O sonho de ser mãe acalentava o desejo do casal Mariana Oliveira e Erika Oliveira (arte abaixo), ambas mulheres cis lésbicas. Casadas, elas são mães de Noah e Louise e fizeram o processo de inseminação na Unidade de Reprodução Humana e Endoscopia Ginecológica do Hospital Materno Infantil de Brasília. “Nossa família é fruto do nosso orgulho e do SUS. Eu e minha família seguimos existindo e resistindo”, declara Mariana.

 

“Tod@s”, “Todes”, “Todxs”, é uma tentativa de uma neolinguagem de gêneros gramaticais que seja inclusiva para/com as mulheres, as pessoas não-binárias, as “pessoas T entre gêneros” (Rocha, Coelho, Fernandes, 2020). O uso de “pronomes e adjetivos neutros” vem se constituindo numa linguagem não sexista, não machista, não misógina, não transfóbica – Arte: Marco

 

Para ter acesso ao serviço do Hmib, o primeiro passo para quem deseja engravidar é procurar a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima da sua casa e agendar consulta com a equipe de Saúde da Família. Os profissionais da equipe irão encaminhá-los para consulta com um ginecologista e, de lá, para o hospital da região onde eles serão atendidos por um grupo multiprofissional. Por fim, passadas essas etapas, haverá encaminhamento para a Unidade de Reprodução Humana do Hmib.

 

A inscrição na fila de espera acontece na primeira consulta ou no retorno à unidade após apresentação dos resultados de exames solicitados. Depois disso, a paciente receberá do médico um papel de encaminhamento solicitando o retorno. Saiba mais sobre o tratamento aqui (http://www.saude.df.gov.br/hmib-retoma-atendimentos-na-unidade-de-reproducao-humana/).

De acordo com a diretora do Centro de Ensino e Pesquisa em Reprodução Assistida (Cepra) do Hmib, Rosaly Rulli, “o atendimento é para todos, independente de religião, credo, raça e sexualidade”. Para ela, o serviço não é só um produtor de bebês. “É um realizador de sonhos, de vidas. A nossa satisfação é a satisfação dos casais que tentam há bastante tempo ter filhos e, por uma série de motivos, não conseguiam. Tudo é voltado para atender os casais”, afirma.

 

Ambulatório Trans

 

Na rede pública de saúde do Distrito Federal, os pacientes também podem contar com o Ambulatório de Assistência Especializada às Pessoas Travestis e Transexuais, localizado no Hospital Dia (508/509 Sul). O Ambulatório Trans presta atendimento à população trans do DF desde agosto de 2017 em suas necessidades específicas e ainda funciona como referência para que estudantes, estagiários e profissionais de saúde possam conhecer a realidade do segmento. A unidade funciona de segunda a sexta-feira e oferece atendimento multidisciplinar. A equipe é composta por psicólogos, assistente social, endocrinologista, psiquiatra, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogos, urologistas, ginecologistas e enfermagem.

 

O serviço de atendimento à pessoa trans começa na Atenção Primária e inclui acolhimento, humanização e sensibilização. Além disso, o ambulatório trabalha a sensibilização e o respeito às diferenças e a dignidade humana, em todos os níveis de atenção.

 

O psiquiatra Ricardo Albuquerque Lins presta atendimento à população trans desde 2019 e fala que a maioria dos casos atendidos no ambulatório é de pacientes com quadros de depressão, ansiedade, transtornos bipolares e em alguns poucos casos de esquizofrenia. E ressalta que a maioria dos atendimentos está relacionado à ansiedade causada por conflitos familiares, relacionada a agressões verbais e até físicas com a não aceitação pela sociedade.

 

A equipe médica de psiquiatria e psicologia do ambulatório trabalha a parte medicamentosa e psicológica do paciente e seus familiares.

 

“O atendimento do paciente e o acompanhamento dessa família é primordial para a aceitação da pessoa trans, o processo envolve o acolhimento. Sem essa aceitação dos familiares, não adianta fazer medicação, tratar e cuidar dessas pessoas, se a família não considerar o processo de direito de cada um”, explica. O médico considera que “o acolhimento de familiares e amigos à pessoa em transição é importante para que ela não abandone os cuidados das equipes de saúde, pois a maioria dos pacientes faz uso de medicamentos e hormônios específicos que necessitam desse acompanhamento médico”.

 

Outro serviço importante oferecido no ambulatório Trans é o de fonoaudiologia. Vários transexuais trabalham no mercado da voz (professores, cantores, atores) e todos esses profissionais necessitam de orientação para o timbre de voz. O trabalho de fonoaudiologia oferecido pelo ambulatório trabalha a muda vocal para o timbre mais adequado de acordo com a identificação física da pessoa. Adequação do corpo atual com a voz. Indiretamente o trabalho dos fonoaudiólogos ajuda também na inserção do indivíduo transexual no mercado de trabalho, uma vez que o timbre de voz define os gêneros masculino e feminino na maioria das empresas.

 

A fonoaudióloga Alline Marielli Padilha fala da importância desse atendimento para a transição saudável da pessoa trans. “Voz é identidade, ela exprime o estado mental, psicológico da pessoa, a voz é muito pessoal, e é identificada como identificação do gênero”, finaliza.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃOJULIANSAMPAIO

Leia também...