Governo do Distrito Federal
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6/11/13 às 11h56 - Atualizado em 30/10/18 às 15h09

Saúde oferece tratamento para o vício em droga sintética

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Potencial destrutivo está associado a ação específica no cérebro

 

As drogas sintéticas são consumidas principalmente por adolescentes e jovens em momentos de divertimento. Ao contrário do que muitos pensam, podem causar dependência e outros malefícios à saúde. Seu potencial destrutivo está associado a ação específica no cérebro e preocupa os especialista em saúde mental, já que o tratamento é difícil e longo.

As drogas sintéticas são aquelas produzidas a partir de uma ou várias substâncias químicas psicoativas cujos principais componentes ativos não são encontrados na natureza. Essas substâncias provocam alucinações por estimular ou deprimir o sistema nervoso central, trazendo inúmeros malefícios ao organismo como hipertensão, convulsões, vômito, inconsciência e uma diminuição perigosa do ritmo respiratório.

Podem ser usadas como forma de injeção, comprimido ou pó. Existem também as drogas semi-sintéticas que são produzidas através de drogas naturais quimicamente alteradas em laboratórios. As principais drogas sintéticas são: anfetaminas, LSD, GHB, ecstasy, anabolizantes e quetamina. São drogas semi-sintéticas: crack, cocaína, cristais de rachiche, heroína, maconha (modificada), morfina, codeína e outras.

A médica Vanessa Gonçalves da Silva, psiquiatra do Centro de Atenção Psicossocial – Alcool e Drogas (Caps-AD) da Rodoviária de Brasília, ressalta que as famílias devem ficar alertas para mudança de comportamento dos filhos adolescentes e jovens para identificar o uso ou abuso de drogas. Segundo ela, os sinais mais frequentes são o isolamento excessivo, uso de roupas que não condizem com o clima da cidade, mudança drástica no padrão de alimentação e o ganho de massa muscular repentino (no caso do uso de anabolizantes).

Dependência

Vanessa Gonçalves explica o mecanismo do processo de dependência no corpo humano. Segundo ela, as drogas acionam o sistema de recompensa do cérebro, uma área encarregada de receber estímulos de prazer e transmitir essa sensação para o corpo todo. É nela que as drogas interferem levando a pessoa a repetir seu uso abusivo e à dependência.

A atenção do dependente se volta para o prazer imediato propiciado pelo uso da droga, fazendo com que percam significado todas as outras fontes de prazer. “Nosso desafio é oferecer alternativas mais sedutoras que a droga aos pacientes durante o tratamento”, diz a psiquiatra.

O Caps-AD, da Rodoviária, dispõe de várias oficinas que propõem outras formas de diversão aos dependentes químicos. Entre elas, estão a oficina cultural e a de teatro terapêutico. “Levamos os pacientes para curtir as opções culturais da cidade, os parques, uma vez por semana, ou produzimos peças em que eles podem ‘viajar’ sem uso de drogas”, explica.

O tratamento ao dependente químico é semelhante para qualquer tipo de droga e faz pouco uso de medicação. De acordo com Vanessa, o processo começa com a supressão da droga, seguida de identificação e tratamento de possíveis doenças de base, além da reeducação, sempre com o apoio psicossocial e terapêutico de uma equipe multiprofissional. “Um jovem com fobia social (dificuldade de interagir com outras pessoas), por exemplo, pode lançar mão de drogas para descontrair. Temos que tratar justamente a fobia social para tentar livra-lo da droga”, ressalta.

A dependência química pode ser tratada em um dos sete Centros de Atenção Psicossocial – álcool e drogas, da rede pública de saúde do Distrito Federal. Atualmente, somente no Caps-AD da Rodoviária, estão cadastrados cerca de 600 pacientes com algum tipo de dependência química. A maioria relacionada ao abuso do álcool e do crack.

Muitas dessas drogas são consideradas proscritas ou de uso controlado pelo Ministério da Saúde e Justiça. No Brasil as principais drogas sintéticas proscritas são:

Anfetamina: (“bolinha” ou “arrebite”). Droga produzida desde 1927 como vasoconstrictor, com ação semelhante à cocaína. Muitas drogas sintéticas são derivadas de anfetaminas.

LSD 25 (Dietilamida de ácido lisérgico). Sintetizado em 1938, e usado como alucinógeno a partir da década de 1950.

Quetamina (Special-K): Anestésico de uso veterinário e humano na forma líquida ou cristal branco que é aspirado. Foi produzido nos anos a partir da década de 1960.

GHB (ácido gama-hidroxibutírico): É usado na forma de sal ou diluído em água (conhecido como “ecstasy líquido”). Inicialmente foi produzido como anestésico, e a partir da década de 1960 como droga alucinógena. é uma versão sintética de um neurotransmissor (mensageiro químico cerebral) que ocorre naturalmente no organismo humano.  Nas concentrações em que ocorre naturalmente no sistema nervoso, ele é um neurotransmissor excitatório. Isso explica os efeitos iniciais da versão sintética da substância: euforia, aumento do desejo sexual e da sociabilidade.

Anabolizante: Versão sintética da testosterona. Comprimidos ou ampolas. Via oral ou intramuscular para aumentar a massa corporal.

GHB – (sigla de ácido gama-hidroxibutírico), também conhecido como “ecstasy líquido”, é uma versão sintética de um neurotransmissor (mensageiro químico cerebral) que ocorre naturalmente no organismo humano. Nas concentrações em que ocorre naturalmente no sistema nervoso, ele é um neurotransmissor excitatório. Isso explica os efeitos iniciais da versão sintética da substância: euforia, aumento do desejo sexual e da sociabilidade.  No entanto, basta um pequeno aumento na dose para que a substância ganhe efeitos sedativos, invertendo sua ação inicial de excitatória para inibitória no sistema nervoso. Doses altas podem causar convulsões, vômito, inconsciência e uma diminuição perigosa do ritmo respiratório.

LSD – (sigla de ácido lisérgico dietilamida) afeta um tipo específico de “fechadura” química dos neurônios, fazendo com que um subsistema do cérebro funcione muito acima do que deveria. Além dos efeitos alucinógenos, a droga causa insensibilidade corporal, paralisia, náusea e tremores.

Ecstasy – Cientificamente conhecida pela sigla MDMA, a droga virou quase sinônimo de raves e música eletrônica. Sua ação se direciona principalmente sobre outro sistema de troca de mensagens químicas do cérebro, o que envolve o neurotransmissor serotonina. O uso é acompanhado de uma sensação de euforia e do aumento da sensibilidade dos sentidos, mas o bem-estar pode esconder uma série de perigos. O ecstasy também é neurotóxico, ou seja, pode danificar de forma temporária ou permanente os neurônios. 

Quetamina – (Special K) – A droga foi empregada originalmente como anestésico entre os soldados americanos da Guerra do Vietnã, nos anos 1960, mas logo passou a ser usada também de forma recreativa. Dependendo do contexto em que é aplicada,  pode causar alucinações severas e perda da sensação de dor, entre outros efeitos. Como o ecstasy, também pode levar a hipertensão e é neurotóxica.

 

Por Celi Gomes, da Agência Saúde DF
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