Governo do Distrito Federal
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19/04/21 às 11h11 - Atualizado em 19/04/21 às 16h37

Equipe leva apoio emocional aos pacientes com Covid-19 no HRG

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Desde fevereiro, profissionais vão diariamente de leito em leito ouvir o que os pacientes têm a dizer

 

JOHNNY BRAGA, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF

 

Pacientes com Covid-19 internados no Hospital Regional do Gama (HRG) contam com uma equipe multiprofissional para dar apoio mental e psicológico durante o período em que estão em tratamento na unidade. O trabalho começou em fevereiro em formato de rondas diárias. Os profissionais vão até os pacientes para ouví-los e dar todo suporte emocional necessário naquele momento em que estão longe do convívio e contato familiar. Em média, são feitos 15 atendimentos por dia.

 

Pacientes ganham suporte emocional da equipe interdisciplinar do HRG – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

“Em geral, esses 15 atendimentos geram mais 15 atendimentos familiares, pois os pacientes pedem notícias ou pedem para fazer videochamada com algum familiar”, destaca a psicóloga e coordenadora do projeto, Jamila Abdelaziz, que explica que “nem todos os pacientes têm condições de atendimento, devido a condições clínicas (dessaturação, uso de VNI…)”.

 

Jamila explica como surgiu a iniciativa de estruturar um atendimento de saúde mental para atender os pacientes do Box respiratório e da Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) Covid-19. “Percebi que recebíamos pacientes muito jovens, que ficavam contactuantes e seus familiares. Com isso, iniciamos a ida da equipe de psicologia a esses locais para que os pacientes pudessem expressar suas demandas frente ao adoecimento”, pontua.

 

Hoje, a ronda é realizada por Jamila e mais duas psicólogas, uma estagiária de psicologia e um psiquiatra. A equipe também é responsável pelos atendimentos em situação de óbito, quando familiares e acompanhantes são acolhidos após o reconhecimento do corpo.

 

Veja o momento em que a paciente Dea Fernandes comunica-se com a filha por meio de videochamada:

 

 

Reencontro

 

Ficar longe da família é um dos momentos difíceis do tratamento contra a Covid-19. Isso ocorre, até mesmo, quando há parentes internados na mesma unidade de saúde, como é o caso de Maria de Jesus Silva e Naide Jane Silva. Mãe e filha estiveram internadas na Unidade de Cuidados Intermediários do HRG e ficaram três dias, no mesmo ambiente, separadas de qualquer contato, até o dia em que puderam se reencontrar.

 

A mãe Maria e a filha Naide durante o reencontro na UCI do HRG – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde-DF

Jamila Abdelaziz conta que as duas tinham quadro clínico de gravidades diferentes e que foi emocionante acompanhar esse reencontro de mãe e filha. “Elas sabiam que estavam próximas, mas ainda não tinham se visto”. As duas já receberam alta hospitalar.

 

Apoio emocional

 

O psiquiatra Marcus Vinicius Lima, que também faz parte da equipe, explica que o atendimento é feito em três etapas. “Buscamos aliviar o sofrimento dos pacientes, familiares e da própria equipe, durante esse período tão difícil de estresse emocional. Na primeira etapa fazemos um acolhimento e escuta ativa. Nesse caso, buscamos nesse paciente quem ele é e quais são as redes de apoio que ele tem, quais são os vínculos mais próximos e ver qual é a capacidade de expressão do sentimento de como ele consegue manejar a situação que ele está vivenciando”, detalha.

 

A equipe que atua no HRG dando suporte emocional aos pacientes com Covid-19 – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

Marcus fala também sobre a segunda etapa do atendimento, em que a equipe faz-se mais presente para com o paciente que tem oportunidade de se comunicar com seus familiares por meio de videochamada. Já na terceira etapa, o profissional classifica como uma das mais difíceis, pois envolve pacientes em situação terminal. “A gente faz um adiantamento para a família em relação ao que pode acontecer e o que está acontecendo. A gente faz também um contato direto com o paciente visando a realização de um último desejo, comunicação de últimas mensagens para tentar aliviar, ao máximo, um momento que é tão complicado e tão difícil”, relata.

 

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