Governo do Distrito Federal
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20/11/19 às 11h07 - Atualizado em 21/11/19 às 17h04

Famílias de prematuros relatam experiências em evento no HRT

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‘Quando o amor chega mais cedo’ foi o tema de ensaio fotográfico com bebês internados

 

 

No dia em que Lara nasceu, Maria Fernanda recebeu alta da Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTI Neo) do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). A incubadora antes ocupada por Maria Fernanda recebeu Lara, que veio ao mundo após 24 semanas de gestação, pesando apenas 700 gramas e poucas chances de sobreviver. Maria Fernanda também nasceu prematuramente, na 26ª semana de gestação e pesando 1.005 gramas.

 

Tudo isso aconteceu há cinco anos e a história das duas rendeu uma bela amizade entre as meninas e suas famílias, que partilharam dificuldades e alegrias dentro do hospital.

 

Agora, superados os desafios, houve um reencontro entre Lara, Maria Fernanda e suas mães durante a exposição de fotos de bebês prematuros do HRT.

 

“Todos os dias travávamos uma luta aqui dentro. A gente fica emocionada porque virou história e dá para contar em livro o que se passou aqui. Lara até surpreendeu muito pelo desenvolvimento, pelo que ela passou. A única coisa (sequela) que ficou foi um pouco de miopia e ano passado começou a usar óculos. É inteligente, é tudo. Está na escola, escreve o nome sozinha, sabe contar”, se emociona a mãe, Eliane da Costa Souza, ao relatar um pouco de sua grande vitória com a filha. Elas ficaram seis meses internadas no HRT.

 

Já a mãe de Maria Fernanda, Zelma Soares, acredita que seu ‘pequeno milagre’ só foi possível graças ao atendimento que sua bebê recebeu durante e após a internação. “Eu fiz todos os acompanhamentos. Esta fase terminou. Minha filha leva uma vida normal. É saudável e não tem nenhuma sequela. Os profissionais daqui são maravilhosos, a equipe é muito boa e ajudou bastante. Eu não tinha esperança de que ela iria sobreviver, mas está aqui o milagre”, conta Zelma, emocionada.

 

SAÍDA – O momento de ir para casa é tenso e de muita expectativa. Há quem tenha pressa em sair e há quem tenha medo por enfrentar o cuidado de um prematuro. De acordo com a responsável técnica da Neonatologia do HRT, Ana Karla de Lira, há um protocolo a ser seguido após a alta e a continuidade dos cuidados com os bebês.

 

“Eles precisam de acompanhamento oftalmológico para investigar a retinopatia da prematuridade, que pode ser causada por diversos fatores da UTI e leva a risco de deficiência visual. Também necessitam de acompanhamento ambulatorial, com o primeiro retorno em 48 horas na primeira semana; uma vez por mês, até os seis meses de vida; a cada dois meses, entre seis meses e um ano de idade; e a cada três meses, entre um ano e dois anos. Há aqueles que precisam de acompanhamento por mais tempo, realizado pela equipe multidisciplinar”, explica Ana Karla.

 

A equipe que atende a essas crianças, no HRT, é formada por pediatra, neonatologista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, nutricionista (amamentação exclusiva), enfermeiros, assistente social e neuropediatra (nos casos de bebês nascidos abaixo de 32 semanas).

 

EVENTO – Essas e outras histórias foram partilhadas por cerca de 50 famílias internadas ou que já passaram pela UTI Neo do HRT. Um emocionante encontro reuniu crianças, pais e servidores para celebrar o mês da prematuridade, o Novembro Roxo.

 

Famílias como a de Nayra Camila Rocha dos Santos e Jonas, mãe e pai do Lorenzo, hoje com sete meses. Ele permaneceu no hospital por 45 dias depois de nascer na 31ª semana de gestação e pesando 1,410 kg. Para Nayra, esse momento foi de reviver um pouco daquelas primeiras experiências com o filho.

 

“Só de ver essas fotos fico emocionada, porque a gente acaba meio que esquecendo, vai ficando para traz conforme a criança vai crescendo. A gente vai esquecendo um pouco a dificuldade que passou aqui, mas é bem gratificante”, reflete a mãe.

 

Uma exposição com fotos em preto e branco tomou conta do saguão do 5º andar, com imagens feitas por fotógrafos voluntários. Com o tema Quando o amor chega mais cedo, os retratos mostram imagens do cotidiano, cenas das famílias com seus bebês internados, realizando o pele a pele e, em alguns casos, tendo o contato do colo pela primeira vez.

 

REFERÊNCIA – O HRT é referência, no Distrito Federal, para o nascimento e cuidados de prematuros a partir de 25 semanas de gestação. Além da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, o hospital dispõe de Unidade de Cuidados Intermediários e aplica o método canguru.

 

São disponibilizadas 11 vagas na unidade da Mãe Nutriz para que as mães dos bebês internados permaneçam no hospital, acompanhando tudo o que acontece com seus filhos, e doem seu leite enquanto a criança ainda não é capaz de mamar no peito.

 

Em média, cada prematuro permanece dois meses no hospital, passando por diferentes estágios até receber a alta médica. A prematuridade está caracterizada quando os bebês nascem antes da 37ª semana de gestação e isso pode ocorrer por diversas causas.

 

De acordo com um levantamento realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), a taxa de prematuridade brasileira ficou em 11,5% dos nascimentos no ano de 2017.

 

Josiane Canterle, da Agência Saúde

Fotos: Divulgação/Saúde-DF