Governo do Distrito Federal
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12/09/16 às 12h21 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

HRAN inicia ofensiva contra sepse

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Infecção, que pode começar por qualquer órgão, tem alta mortalidade

BRASÍLIA (12/09/16) – A estudante A.C.F., de 22 anos não imaginava que uma simples infecção urinária acabaria por levá-la, em pouco mais de 24 horas depois do início dos primeiros sintomas, a uma internação na UTI que quase lhe custa vida. Ela é mais uma das milhares de vítimas da sepse no Brasil e no mundo – doença conhecida antigamente como septicemia ou infecção generalizada e que leva a mais de 250 mil óbitos no país anualmente.

No caso de A.C.F. a história teve final feliz. O diagnóstico e o tratamento corretos feitos ainda a tempo possibilitaram um rápido processo de recuperação, permitindo a alta hospitalar em cerca de 48 horas após a internação. Mas esta não é a realidade na maioria dos hospitais do país, onde a doença geralmente evolui para quadros mais graves – o choque séptico – levando a índices de mortalidade entre 50 a 60% dos atingidos.

Para enfrentar a questão no âmbito local, que atinge indistintamente hospitais públicos e privados, o Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Regional da Asa Norte (NCIH/HRAN), decidiu enfrentar o problema implantando o Procedimento Operacional Padrão (POP), que deverá ser adotado frente ao paciente séptico e implantado gradativamente.

O programa prevê o estabelecimento de um grupo de trabalho com dez profissionais do NCIH, Núcleo de Planejamento, Pronto-Socorro, Laboratório, Farmácia, Assistência Básica e direção do HRAN. “Estamos iniciando um processo de qualificação profissional com palestras sobre como realizar o diagnóstico, atualização de conceitos, técnicas de tratamento e, posteriormente, treinamento de médicos, enfermeiros e técnicos com o firme propósito de reduzir em 30% a mortalidade provocada pela sepse”, projeta a médica infectologista Joana D'Arc, do NCIH/HRAN.

O protocolo de enfrentamento da doença prevê a identificação dos primeiros sinais da sepse o mais rápido possível. “Somente com realização do diagnóstico e aplicação dos medicamentos apropriados na primeira hora, consegue-se reduzir a mortalidade em 10%. Com a hidratação do paciente e a realização de exames para identificar as bactérias e vírus presentes na infecção, também na primeira hora, podemos reduzir expressivamente a mortalidade”, afirma a infectologista.

O QUE É A SEPSE – A sepse é um conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas por uma infecção. A sepse era conhecida antigamente como septicemia ou infecção no sangue. Hoje é mais conhecida como infecção generalizada. Na verdade, não é a infecção que está em todos os locais do organismo. Por vezes, a infecção pode estar localizada em apenas um órgão, como por exemplo, o pulmão, mas provoca em todo o organismo uma resposta com inflamação numa tentativa de combater o agente da infecção. Essa inflamação pode vir a comprometer o funcionamento de vários dos órgãos do paciente.

NÚMEROS – Cerca de 30% das internações nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são motivadas por sepse.O custo por paciente com a doença está em torno de R$ 27mil. É a principal causa de morte nas UTI e uma das principais causas de mortalidade.
Na última década, a taxa de incidência da doença aumentou entre 8% e 13% em relação à década passada, sendo responsável por mais óbitos do que alguns tipos de câncer, como o de mama e o de intestino.

POPULAÇÃO E FATORES DE RISCO – Estão mais sujeitas a desenvolver sepse as pessoas hospitalizadas, com predisposição genética e sistema imunológico debilitado; os portadores de doenças crônicas como insuficiência cardíaca, renal e diabetes e os usuários de álcool e outras drogas.

SINTOMAS – Os sintomas variam de acordo com o grau de evolução do quadro clínico. Os mais comuns são: febre alta ou hipotermia, calafrios, baixa produção de urina, respiração acelerada dificuldade para respirar, ritmo cardíaco acelerado, agitação e confusão mental.