Governo do Distrito Federal
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21/03/17 às 18h32 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

HRT tem dentistas para atender pacientes com Down

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Unidade faz mais de três mil atendimentos ao ano 

BRASÍLIA (21/3/17) – No Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado nesta terça-feira (21), os pacientes da Odontologia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) têm muito a comemorar. É que eles contam com uma equipe de profissionais com formação especializada para melhor atendê-los, desde 1997. Ao ano, são feitos mais de três mil atendimentos especializados.

Para melhor atender a esse público, que requer um cuidado diferenciado, dois odontologistas do HRT fizeram especializações exclusivas na área. Trata-se de um tratamento que envolve procedimentos mais elaborados, um ambiente e profissionais preparados. O atendimento é diferenciado e a abordagem é feita de forma mais delicada, de modo a deixar o paciente mais calmo se seguro.

A primeira consulta do paciente com necessidade especial deve ocorrer na Unidade Básica de Saúde mais próxima de casa e, caso a equipe local não obtenha sucesso com as tentativas de atuação, o paciente é encaminhado para o CEO de referência.
De acordo com especialista Andréia Aquino Masiglio, a demanda é elevada, pois o paciente que já concluiu o tratamento será avaliado de tempos em tempo e não recebe alta hospitalar.

“O paciente do Down não tem como ser abordado num ambiente comum. A interação e as respostas desses pacientes não atendem a um comportamento padrão”, explica o chefe da Unidade de Odontologia do HRT, Wagner Gomes Reis. “Às vezes temos conflitos, alguns pacientes precisam de uma estabilização protetora, outros até de anestesia geral. A abordagem deve ser diferenciada”, conclui.

SÍNDROME – A síndrome de Down é uma alteração genética que acomete o cromossomo 21. Estudos de 2013 do IBGE apontam que, para cada 750 nascimentos, uma criança nasce com a síndrome. As características de hipotonia labial, respiração bucal, boca aberta, alterações oclusais e dentais associadas a? deficiência motora e neurológica dificultam a correta higienização bucal e, consequentemente, favorecem o desenvolvimento de doenças bucais. Assim, a prevenção das doenças e? de fundamental importância e deve ser realizada com regularidade.

Os portadores de síndrome de Down são considerados como grupos de pacientes que necessitam de um acompanhamento odontológico regular e individualizado de acordo com as peculiaridades de cada caso.
As alterações bucais mais frequentemente observados na Síndrome de Down são língua com aspecto fissurado e tamanho aumentado, atraso na erupção dos dentes, alteração da sequência de erupção dentária, anormalidade da forma dos dentes, palato ogival e alta prevalência de doença periodontal.

CEO – Além de pacientes com Síndrome de Down, a equipe de odontologia do HRT atende pacientes com dificuldades comportamentais, com doenças mentais, outras alterações cromossômicas, traumatismo craniano, autismo e paralisia cerebral. Para atender os casos mais severos, uma vez ao mês os procedimentos são realizados no Centro Cirúrgico do hospital.

Pacientes do grupo especial não são somente aqueles que apresentam alguma alteração cromossômica ou uma deficiência, mas também internados nas UTIs, doentes renais crônicos, hemofílicos, gestantes, diabéticos, pacientes oncológicos e também os da cardiologia que vão passar por algum procedimento cirúrgico, mesmo que seja com grau menor de invasão.

HUMANIZAÇÃO – A pioneira nos cuidados aos pacientes com necessidades especiais foi a dentista Ana Flávia Carballal, hoje aposentada. O serviço continua seguindo a premissa do tratamento humanizado e multiprofissional de forma que todos os profissionais em suas especialidades trabalhem em conjunto para promover saúde. Hoje, são os dentistas Daniel Alexandre Ribeiro e Andréia Aquino Marsiglio que fazem esse atendimento todo cuidadoso.

Andréia ressalta a importância do atendimento odontológico precoce aos que apresentam necessidades especiais. “Quanto antes possível, o bebezinho já deve ser atendido na Odontologia”, afirma. Ela explica que no caso de pacientes com Síndrome de Down há uma incidência maior de doenças periodontais devido às alterações na imunidade. “É mais comum, mas toda criança Down pode ser totalmente livre de cáries, desde que haja tratamento regular”, diz.

A dentista explica que é importante fazer com que a criança se acostume com aquele ambiente, a cadeira, o cuidador, o barulhinho da máquina. “A cada consulta, vamos acompanhando a evolução e a criança fica familiarizada com aquele ambiente”, diz. Mesmo com os todos os cuidados, se a criança apresentar alguma cárie, por exemplo, ela deve ser detectada pelos profissionais o mais precocemente possível para que as intervenções sejam mínimas para devolver a saúde bucal ao paciente.