Governo do Distrito Federal
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31/07/20 às 19h44 - Atualizado em 3/08/20 às 18h00

Lacen-DF cria novo protocolo para realizar exames de detecção da Covid-19

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Nova técnica permite processar o RT-PCR com mais rapidez e menos custos

 

JURANA LOPES, DA AGÊNCIA SAÚDE DF

 

Com a alta demanda por testes para diagnosticar a Covid-19 e a dificuldade mundial em adquirir os kits para extração automatizada de ácidos nucleicos, que é etapa inicial do processo de detecção molecular do vírus Sars-CoV-2, essencial em exames do tipo RT-PCR, o Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) desenvolveu e aprimorou um protocolo de extração interno.

 

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

“Este protocolo, além de fazer frente a esta pandemia e dar respostas mais céleres aos casos suspeitos de Covid-19, vem reduzindo drasticamente os custos da análise, otimizando os recursos públicos. Tudo isso graças a nossa equipe de Biologia Molecular, que já vinha se doando 24 horas, todos dias da semana, e dedicou tempo para, além de realizar diagnóstico, criar este novo protocolo”, explica o gerente de Biologia Médica do Lacen-DF, Fabiano Costa.

 

Os kits para extração automatizada de ácidos nucleicos são insumos que vêm sendo muito disputados, no mundo inteiro, por todos laboratórios que realizam diagnóstico molecular de Covid-19.

 

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

“Apesar do trabalho intensivo que vem sendo realizado pelo Lacen-DF, a ausência destes kits de extração automatizada estava gerando uma inevitável queda na nossa capacidade de processamento dos exames RT-PCR, de forma que a produtividade anterior de 850 exames por dia chegou a cair para 350 exames diários”, informa.

 

O funcionamento é semelhante à extração automatizada, visto que o objetivo é a disponibilização do material genético do SARS-CoV-2 das amostras de swabs nasofaríngeos/orofaríngeos, para posterior amplificação e detecção, porém sem a necessidade inicial de equipamentos automatizados.

 

Lacen vai ampliar análises diárias com nova metodologia – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

Neste protocolo, determinado volume do reagente de extração é pipetado em placa de PCR, seguido da adição da amostra. Essa placa passa por uma etapa de variação de temperatura em termobloco e gelo, sendo posteriormente submetida à RT-PCR.

 

“Trabalhamos com uma parte da solução de transporte do swabs, da qual fazemos extração direta e posterior detecção da presença ou não do vírus Sars-CoV-2. Essa técnica permite um resultado mais rápido e com menor custo. Nosso objetivo é manter esse protocolo em andamento mesmo quando o recebimento dos insumos estiver regularizado, já que isso vai possibilitar que possamos realizar muito mais análises diárias e em menor tempo. O objetivo do Lacen-DF é um só: atender todos com a máxima qualidade e celeridade sempre”, destaca Fabiano.

 

A expectativa é que com a implantação do novo protocolo, em alguns dias, sejam obtidas marcas expressivas de mais de 1,5 mil análises de PCR diariamente, com uma média diária de mil exames de RT-PCR.

 

Impacto

 

A escassez de kits para extração automatizada gera grande impacto no atendimento das demandas de diagnósticos de Covid-19 enviadas ao Lacen-DF.

 

Considerando que a falta de um diagnóstico rápido deixa de fornecer subsídios importantes tanto nas ações de quebra da cadeia de transmissão da doença, quanto nas tomadas de decisões relacionadas aos serviços de saúde, como regulação de leitos de UTI.

 

O Laboratório Central funciona na 602 Norte – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

Além disso, também interfere quanto às medidas de flexibilização, que dependem não só de uma ampla realização de testes para o coronavírus, mas também que os resultados de tais exames sejam obtidos de forma adequada, precisa e célere pelo Lacen-DF.

 

Como o desabastecimento de kits coincidiu com um período de intenso aumento da demanda, simplesmente receber as amostras e não processá-las de imediato poderia causar um sério impacto na saúde pública de todo o DF, o que vem sendo evitado com esse novo protocolo.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO: JULIANA SAMPAIO