Governo do Distrito Federal
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14/11/14 às 17h21 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Pacientes com câncer ganham qualidade de vida com a atenção dos cuidados paliativos

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Em Brasília, a assistência é multiprofissional e oferecida nos Hospitais de Apoio, Base e da Criança e pelos núcleos de atenção domiciliar

 

BRASÍLIA (14/11/14) – Um profissional de saúde cuja principal preocupação é o cuidado e não a cura. Esta é uma das várias premissas daqueles que trabalham com os Cuidados Paliativos. Estes profissionais entram em cena quando doenças que ameaçam a vida da pessoa são diagnosticadas. No DF, esse tipo de assistência multidisciplinar é oferecido a pacientes oncológicos nos hospitais de Apoio, Base e da Criança, além dos Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar (NRADs).

 

“A gente cuida do paciente e da família nas suas necessidades físicas, emocionais, psicológicas, sociais e espirituais. Uma proposta da integralidade do ser que sofre. Não fica só focado na parte física, é uma pessoa em toda a sua complexidade”, explica a psicóloga e chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos da Secretaria de Saúde, Giselle de Fátima Silva.

 

Munidos principalmente de amor e carinho, as equipes multidisciplinares de cuidados paliativos trabalham para que o paciente possa estar o maior tempo possível em casa. “Uma das nossas propostas é a desospitalização. A melhor coisa para o paciente é estar assistido dentro de casa e perto da sua família”, esclarece Giselle.

 

Quando os doentes entram num quadro de maior complexidade, são encaminhados para a internação no Hospital de Apoio, o único do DF que possui uma ala específica com leitos em Cuidados Paliativos Oncológicos. “Hoje temos uma equipe completa, da qual temos muito orgulho”, destaca a chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos.

 

A equipe multidisciplinar conta com médicos, enfermeiros, psicóloga, assistente social, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, acupunturista, técnicos de enfermagem e nutricionista. Os profissionais se revezam entre o atendimento aos pacientes internados e aos do serviço ambulatorial. Além disso, há equipes de voluntários que também são considerados membros da equipe e ajudam pacientes e familiares de várias maneiras. Dentre eles há voluntários dedicados à assistência espiritual de diferentes religiões.

 

O principal objetivo das equipes de Cuidados Paliativos é promover a qualidade de vida dos pacientes. “É dar mais vida aos dias, não só dias de vida. O importante é que ela seja intensa enquanto dure. A gente olha para a vida e muitas vezes esquece que essa criança está com previsão de morrer, porque a gente foca muito na qualidade de vida”, define a psicóloga da equipe de Cuidados Paliativos Oncológicos do Hospital da Criança de Brasília (HCB), Sílvia Coutinho.

 

Elefante Colorido

 

“Quando o médico avalia que a criança não tem mais chance de cura tradicional, encaminha para o serviço”, explica a psicóloga do HCB. A equipe de cuidados paliativos do hospital se autointitula Elefante Colorido, baseado numa fábula indiana, que mostra a manada rejeitando o elefante diferente por ser de diversas cores e, depois, passa a aceitá-lo.

 

Segundo a psicóloga, o objetivo do serviço é que a criança possa ficar o máximo de tempo possível em casa, evitando a hospitalização. “A gente acredita que as internações trazem mais estresse, tanto para a criança, como para a família e que em casa ela vai ter um conforto melhor”, defende Sílvia.

 

Além da consulta ambulatorial, a equipe do HCB realiza visitas domiciliares aos seus pacientes – ocasião na qual pode ter contato com os outros membros da família que não vão ao hospital – e individualizar o tratamento.

 

A psicóloga do HCB ressalta que as crianças lidam com mais naturalidade com a situação que seus familiares, porque não têm a noção de futuro dos adultos. “A criança ensina muito para a gente, ela não tem muito essa noção e vive muito o presente. Elas riem, se divertem, brincam com a gente”, conta.

 

Seguindo a linha de dar mais vida aos dias, a equipe do HCB dança com os pequenos pacientes as músicas preferidas deles e chegou até a produzir uma exposição de um pintor adolescente. O garoto prodígio começou a desenhar quando estava internado tratando o câncer e foi ele quem pintou o quadro do elefante colorido que simboliza os cuidados paliativos do hospital.

 

Ortotanásia

 

Os profissionais de Cuidados Paliativos trabalham com a ortotanásia, a morte no momento natural. “A gente valoriza a vida, mas não nega a morte. Não praticamos a eutanásia, que antecipa a morte, nem a distanásia, que mantem a pessoa viva a qualquer custo”, frisa a chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos.

 

Para a preceptora da residência em Medicina Paliativa e médica do Hospital de Apoio, Anelise Pulschen, há muita dificuldade dos profissionais de saúde em lidar com um paciente que não tem mais chance de cura. “Os sentimentos mais comuns costumam ser a frustração, o fracasso e o afastamento do paciente”, define.

 

O HAB não conta nem com UTI, nem com sala de reanimação. “Em Cuidados Paliativos não dizemos ‘não há nada o que fazer’. Geralmente a cura da doença não é possível, mas a assistência humanizada, controle dos sintomas e do sofrimento é sempre possível realizar. Essa situação deve ser acompanhada pela equipe com muita delicadeza e sensibilidade ao sofrimento da família”, explica Giselle.

 

“O processo de morrer faz parte da vida”, ressalta o paliativista Humberto Fonseca, que atende no ambulatório de Cuidados Paliativos do Hospital de Base. A unidade funciona de segunda a sexta-feira e atende pacientes com câncer desde o estágio inicial. 

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