Governo do Distrito Federal
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11/09/15 às 12h49 - Atualizado em 30/10/18 às 15h12

Pioneiros na construção do Hospital de Base

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Servidores contam como ajudaram a montar a história da primeira unidade de saúde de Brasília

BRASÍLIA (11/9/15) – Com 55 anos de fundação, o Hospital de Base carrega muitas histórias. Não só de vida e morte, mas também de gente que trabalha para oferecer o melhor para quem dele precisa. Atualmente, cerca de seis mil servidores fazem parte da equipe desta que foi a primeira unidade de saúde de Brasília. Outros tantos por ali já passaram e ajudaram a construir e manter o padrão que o faz ser referência em muitos tratamentos.

Gente como o neurocirurgião Paulo Andrade de Melo, 84 anos, o primeiro da especialidade médica a ser registrado no serviço público de Saúde do Distrito Federal. “Eu e outros três amigos médicos vimos a oportunidade de trabalhar na nova capital do país e viemos do Rio de Janeiro para Brasília. Em 1960 fomos colocados no Hospital de Base como residentes, mas nem éramos. Um ano depois assinamos o contrato com o hospital”, relembra o médico, contando ainda que organizou todo o serviço de neurocirurgia no Base.

“Ganhei uma bolsa de estudos na Inglaterra, onde a neurocirurgia era bem avançada. Passei quatro anos lá e trouxe a experiência para minha atuação no Base. Na época havia 100 leitos e o movimento cirúrgico era muito grande”, completa Andrade.

Aposentado do hospital desde 1993, ele diz que se orgulha da história que ajudou a construir. “O mais importante, para mim, nessa jornada, foi conseguir edificar um serviço que tinha grande peso na cirurgia nacional, requisitado a todo instante e que atraiu dezenas de candidatos do país inteiro para a residência médica”, ressalta.

ESFORÇO – Outra servidora pioneira do hospital é Skarica Bojenka Kanyo, 96 anos, primeira assistente social do Hospital de Base. Em razão de um problema de saúde, ela não se lembra de muita coisa que fez, mas a filha, Lucy Kanyo, se recorda das histórias contadas pela mãe. “Meu pai ajudou a construir Brasília. Viemos para cá em 1957. Então, minha mãe foi convidada a organizar os serviços de portaria, limpeza e lavanderia do Hospital de Base. E ficou na chefia disso por muitos anos”, conta.

Por influência de outra servidora do hospital, Bojenka resolveu estudar e formou-se assistente social, área onde passou a atuar. Trabalhou na psiquiatria, neurologia e pediatria, se aposentando na década de 1990. Sua atuação foi flagrada por um fotógrafo e a imagem faz parte da exposição organizada pelo Arquivo Público de Brasília em comemoração aos 55 anos do Hospital de Base.

RETORNO – Quem também tem uma história de vida com o Hospital de Base é o médico especialista em reumatologia, Franklin Tomini. Quando adolescente, morador de Luziânia (GO), empolgado com o grande canteiro de obras que era a construção da nova capital do país, ele ajudava descarregando caminhões e carregando areia em carrinhos de mão. “Nunca me esqueci da cena de um dia eu descarregando um caminhão de areia e ler uma placa que dizia 'Primeiro Hospital Distrital de Brasília'. Isso era em meados de 1959”, relembra.

Naquela época ele não imaginava que mais para frente integraria a equipe médica do hospital que, de certa forma, ajudou a construir. “Terminei meu segundo grau em Goiânia e voltei para Brasília. Fiz parte da primeira turma de medicina da Universidade de Brasília e em 1971 passei a morar no Hospital de Base, onde fui residente”, conta Tomini.

Cinco anos depois, passou em concurso público e foi atuar no Base, onde ficou até se aposentar, em 2011. “Queria muito continuar trabalhando lá, mas a lei não permitia. Sinto muita saudade”, diz o médico.

MUDANÇA – Em seus 55 anos de existência, o Hospital de Base também recebeu gente de renome nacional. Em seu quadro de servidores, contou com os serviços do cantor Ney Matogrosso, que na altura dos seus 20 anos trabalhou no laboratório de anatomia patológica da unidade de saúde.

Mas também teve paciente famoso. O presidente eleito Tancredo Neves foi internado no Base um dia antes de tomar posse no cargo. Ficou internado por quase 15 dias e precisou ser transferido para o Instituo do Coração, em São Paulo. Para acompanha-lo na viagem, três servidores do Base foram requisitados. Entre eles, Benedito Ribeiro Gonçalves, mais conhecido como Bené.

“Eu era padioleiro e estava de plantão naquela noite. Fizemos o trajeto em um avião UTI e durante o percurso, troquei sonda e dei assistência à equipe médica”, relembra Bené. Ele conta que enquanto Tancredo esteve internado na suíte presidencial, no 4º andar do hospital, tiveram poucos contatos. “Era um andar bem protegido. Encontrava com ele somente quando tinha de leva-lo para fazer alguns exames”, conta.

Hoje com 54 anos de idade, 35 deles vividos dentro do Hospital de Base, Bené conta que ter ajudado no transporte de Tancredo mudou sua vida. “Na época, fui requisitado para trabalho com o então governador e recebi promoção no hospital. Foi uma fase boa da minha vida”, diz, orgulhoso. O trabalho que desempenhava era semelhante ao que hoje é feito pelo Samu.

Bené ainda é servidor do Base e há 10 anos foi remanejado para o setor de matrículas do hospital. Hoje é responsável por trabalhos como abertura de prontuário de pacientes.

FUTURO – Integrando a equipe de novos servidores da casa, Thaís Silva e Carvalho, 23 anos, se divide entre as atividades na diretoria administrativa do hospital e a vida de atleta que a fez conquistar vaga nas paraolimpíadas Rio 2016 na modalidade de tiro com arco. Ela começou a escrever as duas histórias no mesmo ano, em 2012.

“Fui aprovada em concurso público e comecei a trabalhar no laboratório de emergência do Base mas, no mesmo ano, fiz uma cirurgia e em 2014 precisei amputar uma perna. Com isso, me lotaram na diretoria administrativa”, conta. O problema de saúde, porém, não a impediu de continuar competindo. Três meses depois da cirurgia, já estava de volta aos treinos.

Depois de deixar o turno no Base, Thaís parte para os treinos e, para competir, precisa se ausentar do trabalho. “Tenho total apoio da chefia e dos colegas de trabalho. Às vezes esbarro na burocracia, para minha liberação, mas sempre dá certo”, destaca.