Governo do Distrito Federal
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27/11/17 às 10h12 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Procura por residência em medicina de família pode aumentar

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Nos últimos anos, oferta de vagas saltou de oito para 60

BRASÍLIA (27/11/17) – Um total de 571 equipes de Estratégia Saúde da Família. Essa é a meta da Secretaria de Saúde, após a conversão do modelo de atenção primária. Todas elas deverão conter um médico de família e comunidade. Para estudantes de medicina, uma boa notícia para aqueles que ainda não decidiram qual especialidade cursar.

Em todo o país, há mais de 250 programas de residência. No ano passado foram ofertadas 2,7 mil vagas. No Distrito Federal, apenas a Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) e a Universidade de Brasília oferecem programas de residência de Medicina de Família e Comunidade. “E este governo trabalhou para aumentar a oferta de vagas nesta área, passando de oito vagas em 2013 para 60 em 2017, somente na Escs”, observa a gerente de residência da instituição, vinculada à Secretaria de Saúde, Vanessa Campos.

O último edital aberto ofereceu 24 vagas e 33 estudantes pretendem fazer a prova para conquistar um lugar na Escs.

A residência em medicina de família dura dois anos. Durante este período, os estudantes fazem um rodízio por toda a rede pública de saúde e não somente na atenção primária. Segundo a coordenadora da Comissão de Residência Médica da Escs, Juliana Oliveira Santos, cerca de 90% da parte prática ocorre nas unidades básicas de saúde e o restante em hospitais, unidades de pronto atendimento e também em equipes de saúde da família para públicos específicos, como população de rua e carcerária.

ALUNOS – No primeiro ano de residência em medicina de família e comunidade, a estudante Júlia Barreira está atuando no Centro Pop, específico para população de rua, onde deve passar um mês sob a preceptoria do médico de família Jorge Samuel Dias Lima.

A residente Julia Barreira e seu preceptor, médico de família e comunidade Jorge Samuel

“Eu queria tratar a pessoa como um todo e tudo que o abrange, como o contexto familiar e o ambiente em que vive. Por isso, escolhi fazer essa residência. A gente não trata somente a doença, mas trabalha para melhorar os indicadores de saúde daquela comunidade”, observa.

Ela é uma dos 29 residentes da especialidade atuando neste ano pela Escs. “Estamos com um na Região de Saúde Centro-Norte, 21 na Região Norte e sete na Região Sudoeste. Agora, vamos expandir para Ceilândia e Estrutural”, detalha Juliana Oliveira.

Atualmente, os editais da Escs oferecem 24 vagas para o primeiro ano de residência e mais 24 para o segundo ano. “A previsão é de que em 2018 este número aumente para 30 vagas em cada ano”, adianta Vanessa Campos.

CONVERSÃO – O processo de conversão do modelo de atenção para Estratégia Saúde da Família, substituindo clínicos, ginecologistas e pediatras por médicos de saúde da família, gera a expectativa de que a procura pela especialização aumente a partir do próximo ano.

“Com a melhoria do cenário, da infraestrutura e com a formação de preceptores especialistas, mestres e doutores na área, aumenta a segurança e deve aumentar a procura pela residência”, espera a gerente de residência da Escs. Atualmente, 20 preceptores acompanham alunos nos dois anos de residência em medicina de família e comunidade.

Para o médico de família e comunidade Jorge Samuel, preceptor no Centro Pop, com o passar dos anos, as vantagens da conversão do modelo poderão ser sentidas mais de perto pela população. “Por conhecer o perfil da comunidade atendida, as consultas vão ficando menos demoradas, com mais resolutividade e, assim, será possível atender um número maior de pessoas em menos tempo”, destaca.

Médica de família Juliana Oliveira Soares, coordenadora da Residência Médica da Escs

ESPECIALIDADE – Homens, mulheres, gestantes, crianças, idosos. O médico de família é capacitado para atender a qualquer um desses públicos. “Ele atende a pessoa em sua integralidade, inserido na sua família e na sua comunidade”, observa Juliana Oliveira.

A Medicina de Família e Comunidade começou no Brasil em meados da década de 70, com o movimento da saúde comunitária, e junto do Programa de Agentes Comunitários de Saúde foi uma das bases para a criação da Estratégia Saúde da Família (ESF) nos anos 90. Tanto a estratégia do SUS quanto a especialidade médica se encontram em franca expansão. 

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