Governo do Distrito Federal
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29/07/16 às 19h32 - Atualizado em 30/10/18 às 15h15

Programa Girassol oferece atendimento psicosocial a vítimas de violência

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A prioridade são crianças , mas também são atendidos adolescentes e idosos

BRASÍLIA (29/07/16) – O Programa de Pesquisa, Assistência e Vigilância às Violências (NUPAV) do Paranoá, também conhecido como Programa Girassol, foi inaugurado em 2010, e tem sido o principal ponto de apoio às vítimas de algum tipo de violência, principalmente crianças.

O objetivo é fazer com que as vítimas expressem os sentimentos relacionados aos traumas vivenciados além de proporcionar o fortalecimento familiar como principal fator de proteção dos menores. Mensalmente são realizados cerca de 70 atendimentos contabilizando os novos acolhimentos e os retornos de consulta.

Segundo a chefe do NUPAV da Região Leste, Raquel Van Boggelen, são 13 reuniões, uma por semana, com cada grupo. As sessões são conduzidas por duas profissionais, sendo uma psicóloga e uma assistente social.  Raquel explica que um novo grupo só começa quando outro termina.

“Entre um grupo e outro, demora cerca de quatro meses e meio. Quando os encontros são finalizados, é feito o estudo de caso de cada criança e das famílias inseridas no processo. Após esta avaliação, a família é convocada para a devolutiva final. Neste ponto, discutimos, em conjunto, a alta da criança e os encaminhamentos que ainda precisam ser realizados”, explica.

A assistente social Isabella Stephan conta que, nestas sessões, são debatidos a prevenção à violência sexual e formas alternativas à violência física, como: a imposição de regras e limites; autoestima e empoderamento das crianças; rede de proteção e história transgeracional. “No grupo, focamos em atividades lúdicas utilizando recursos como literatura, arte, brincadeiras de roda, teatro de fantoches, vivências corporais e rodas de conversa”, esclarece.

Isabela diz que, a partir das expressões criativas, as crianças têm a oportunidade de nomear os sentimentos vivenciados, diferenciando as experiências violentas e reconhecendo os espaços onde possam buscar ajuda, caso tenham vivências do tipo novamente.

De acordo com a psicóloga Ana Carolina Boquadi, é muito comum, após sofrer uma violência, as vítimas apresentarem transtorno de estresse pós-traumático. “Sentimentos de medo, raiva, culpa, tristeza e vergonha, normalmente, surgem e, por isso, precisam de um canal lúdico para serem expressados. A expressão dos sentimentos facilita o processo de resiliência da criança e da família”, elucida.

Raquel Van Boggelen relata que, o resultado do programa tem sido, inicialmente, um aumento na adesão dos pacientes à proposta. Neste momentos estamos atuando em dois grupos um de criança e outro de adolescentes do sexo feminino com idade entre 12 e 18 anos.”Podemos observar, nas primeiras experiências, o fortalecimento das crianças e famílias. Algumas chegam, de fato, a romper com o ciclo da violência e, percebemos, que, ainda as que não conseguem totalmente romper com este ciclo, saem do processo mais fortalecidas”.