Governo do Distrito Federal
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1/06/16 às 19h13 - Atualizado em 30/10/18 às 15h15

A música reabilita usuários do CAPS II Paranoá

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Grupo Maluco Voador ganha autonomia e faz apresentações em eventos no DF

BRASÍLIA (1/06/16) -“Qualquer música, ah, qualquer/logo que me tire da alma/esta incerteza que quer/ qualquer impossível calma…”. As palavras do poeta Fernando Pessoa, publicadas 88 anos atrás, não encontrariam melhor expressão para retratar a banda “Maluco Voador” – grupo musical formado há quatro anos a partir de uma iniciativa inédita do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS II do Paranoá. O grupo composto por usuários, servidores e familiares ligados à unidade de saúde, está conseguindo, ao mesmo tempo, melhorar os efeitos da terapia e medicamentos, recuperar a autoestima e reinserir os integrantes no meio social com uma vantagem extra: a geração de renda.

“Mesmo com a administração de medicamentos associada à terapia, em grande parte dos casos os usuários não conseguem a reinserção social de modo satisfatório. Com a criação da oficina de música, estabelecemos uma relação de igual para igual, um reconhecimento da identidade que está gerando resultados práticos”, assegura Felipe Braga, psicólogo do CAPS, cuja formação musical contribuiu de forma decisiva para a implantação do bem-sucedido projeto.

Uma história de sucesso que pode ser medida por intermédio da demanda crescente pelas apresentações do grupo, que saiu das salas do CAPS – onde ainda atua regularmente animando os frequentadores do local – e conquistou presença em eventos como a Conferência Nacional de Saúde, Mostra Saúde da Família, entre outros. Agora, o Maluco Voador está alçando novos voos musicais e, desde 2015, tem recebido propostas para exibições em eventos privados, mediante recebimento de cachê, destinado democraticamente pelos participantes do grupo.

Aliás, essa é uma característica facilmente identificável no comportamento dos integrantes, na hora da seleção do repertório. Como eles não têm formação musical, a escolha recai a partir das experiências pessoais, por natureza diversas. Explora ritmos populares como a ciranda, o coco, o baião, clássicos do cancioneiro popular e, “porque não”, baladas românticas, entremeadas por canções icônicas da Legião Urbana.

“Aqui é um por todos e todos por um”, diz com orgulho incontido Lucicleide Veras, que alterna performances musicais e de dança nas apresentações. “Com a cultura da música estamos alcançando os melhores resultados com a sociedade, temos nossos problemas, mas isso não atrapalha, pois conseguimos alegrar as pessoas”. Opinião compartilhada pela cantora do grupo Maria do Rosário Santos, que não faz distinção entre o funk, ritmos de umbanda e músicas estilo gospel. “O que vale é a música e os resultados que ela está trazendo para a nossa saúde, resolvendo crises que o remédio não resolvia”, pondera.

Não é à toa que o grupo tem conseguido cada vez mais espaço. Ao observar a expressão dos participantes nas apresentações, revezando o protagonismo, percebe-se com clareza o renascimento, a volta da vida aos olhos que eclode com firmeza na batida nos instrumentos de percussão. Seja na história do revelado cantor do ritmo nordestino coco, Ivan de Souza, “que estava doente dentro de casa”, ou nas letras cadenciadas do funk do compositor Claudinei de Jesus, “que encontrou o diálogo, que tudo resolve”, ou nos tantos relatos sinceros de superação dos seus integrantes, o Maluco Voador segue em sua trajetória de evolução, pautado no compasso do reconhecimento.

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