Governo do Distrito Federal
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29/12/16 às 18h01 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Prontuário da SES vai incluir ocupação dos usuários

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Objetivo é conhecer qual atividade econômica mais gera acidentes de trabalho

BRASÍLIA (29/12/16) – Neste ano, a Diretoria do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) da Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SVS), acrescentou nos prontuários eletrônicos das Unidades de Urgência e Emergência da rede dois campos de identificação dos atendimentos prestados à população. Agora, o sistema informa o perfil de ocupação dos usuários atendidos, além de apontar se foi ou não acidente de trabalho.

Segundo a diretora do Cerest, Cláudia Magalhães, o objetivo da mudança é conhecer quais as ocupações que mais demandam serviços de assistência do Sistema Único de Saúde (SUS) do Distrito Federal.

A partir de relatórios dos casos de acidentes de trabalho associados às ocupações mais frequentes, será possível planejar ações educativas e inspeções em ambientes de trabalho nas empresas de atividades econômicas que apresentem esses tipos de casos. “Assim, iremos prevenir os agravos relacionados ao trabalho e reduzir os custos do SUS na assistência e reabilitação desses usuários”, explica a diretora.

DADOS – Antes desta implementação, a Secretaria de Saúde fazia a compilação dos dados sobre acidentes de trabalho grave por meio do banco de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (SINAN).

De acordo com a técnica do Cerest, Célia Silva, o levantamento do Ministério aponta que a Secretaria registrou 1.257 casos de acidentes de trabalho grave. Destes, 844 ocorreram em 2015, estando 51% dos trabalhadores com carteira assinada e 25% autônomos. Em 2016, houve 413 notificações, tendo sido reduzido o percentual de trabalhadores registrados para 40% e aumentado a participação de autônomos para 48%, o que retrata o aumento do desemprego decorrente da crise econômica.

“Os maiores índices destes acidentes ocorreram com trabalhadores em atividades ligadas à construção civil, vendedores do comércio e agropecuária”, relata Célia.

Célia afirma que, neste ano, 81% dos trabalhadores acidentados pertencem à faixa etária de 20 a 49 anos. “Esse dado representa um importante impacto na vida das famílias, além de revelar o elevado afastamento por incapacidade de trabalhadores no auge da força produtiva do DF”, completa.

A diretora do Cerest, Cláudia Magalhães, diz que devido a filtragem dos dados ter sido feita a partir de um sistema que não pertence à Secretaria de Saúde, mas, sim, ao Ministério da Saúde, eles não correspondem, de fato, à quantidade real de casos registrados na capital. Isto porque a rede não dispunha de meios para aferir essas notificações.

“Nesse caso há muita subnotificação, por ainda não ser rotina dos serviços de saúde a realização da ocorrência dos agravos relacionados ao trabalho. Acreditamos que em 2017 a ficha de notificação do SINAN será implantada no prontuário eletrônico”, declara Cláudia.

CAPACITAÇÃO – Outro avanço relevante foi a realização de duas turmas, em junho e outubro deste ano, do Curso Básico de Vigilância em Saúde do Trabalhador com a participação de 68 pessoas, sendo estes servidores do Cerest, da Vigilância Sanitária e da Atenção Primária, além de representantes do Conselho de Saúde do DF e de Sindicatos.

 Com a capacitação, os técnicos do Cerest aprenderam uma metodologia de planejamento e realização de inspeções de ambientes de trabalho que teve como objetivo a redução da exposição dos trabalhadores a riscos ocupacionais em diversos ramos de atividades do DF. No segundo semestre já foram realizadas 11 inspeções sanitárias de saúde do trabalhador, em locais como banco, canteiro de obra, lavanderia, supermercado, terminal rodoviário, centro de distribuição dos Correios e unidades de saúde.