Governo do Distrito Federal
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24/11/17 às 16h03 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Secretaria discute cuidados paliativos na atenção domiciliar

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Atualmente, 887 pessoas são atendidas pelo serviço no DF

BRASÍLIA (24/11/2017) – Profissionais da Secretaria de Saúde participaram, nesta sexta-feira (24), no auditório do Hospital Materno Infantil (Hmib), do III Seminário de Atenção Domiciliar. O tema do encontro foi “Cuidados Paliativos na Atenção Domiciliar”.

Os servidores interessados no tema tiveram a oportunidade de discutir conceitos, trocar experiências exitosas sobre o assunto, com palestras e mesas-redondas que focaram no atendimento qualitativo aos pacientes que passam por momento de dor, por estarem com doenças sem possibilidade de cura terapêutica.

A necessidade de cuidados paliativos com acompanhamento clínico no mínimo semanal, para controlar a dor e o sofrimento do usuário, é um dos critérios de elegibilidade para a atenção domiciliar. Atualmente, 887 pessoas são atendidas pelo serviço no Distrito Federal.

“A atenção domiciliar com cuidado paliativo integra a oportunidade de uma pessoa, seja adulta, seja criança, de estar cumprindo o seu ciclo de vida, dentro de toda a enfermidade, com a dignidade e a capacidade que ela tiver para cumprir aquilo”, explicou a subsecretária de Atenção Integral a Saúde, Martha Vieira.

Ela acredita que a modalidade trouxe melhorias ao serviço prestado à população. Na área de neonatologia, há alguns anos, Martha Vieira lembrou de casos em que acompanhou bebês prematuros que nasceram com sequelas severas e não tiveram a oportunidade de ter cuidados paliativos na atenção domiciliar. Em muitas situações, passavam por tratamentos de cura desgastantes, para viverem somente entre cinco a 10 dias.

“Com muita alegria vejo hoje o desenvolvimento de uma consciência em um sentido mais amplo, coletivo, de ressignificação do ciclo de vida e morte”, disse Vieira. “No final do ciclo, muita coisa pode acontecer e isso é, muitas vezes, o mais importante naquele momento. Por isso é essencial que a pessoa esteja sem dor, capaz, para estar com competência de viver aquele momento”, ressaltou Vieira.

Martha Vieira, subsecretária de Atenção Integral à Saúde

PARADIGMA – Segundo a coordenadora geral de Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde, Mariana Borges, a mudança de paradigma proposta pelos cuidados paliativos na atenção domiciliar deve ser incorporada aos valores de cada usuário.

“Muito além de levar o conforto físico, é preciso ter comunicação afetiva para falar sem faltar com a verdade, mas jamais tirar a esperança da pessoa. Pode não se curar, mas que vai viver bem e ultrapassar todos os medos. Na reta final da pessoa ela consegue olhar para trás e ver sentido em tudo que aconteceu”, ponderou.

Para o diretor do Hmib, João Vilela, a modalidade precisa ser discutida mais vezes na rede pública de saúde, mesmo se tratando de um assunto sensível. “Esse é um tema urgente e necessita ser ampliado, para trazer paz as pessoas que passam por essa situação. Precisamos discutir sem preconceitos, pelas pessoas que precisam ser cuidadas, para não torná-las meros objetos de experiência”, comentou.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO – A atenção domiciliar, redefinida pela Portaria n° 825 de 25 de abril de 2016, é caracterizada por um conjunto de ações de prevenção e tratamento de doenças, reabilitação, paliação e promoção à saúde, prestadas em domicílio, garantindo continuidade de cuidados.

É recomendada para pessoas que, estando em estabilidade clínica, necessitam de atenção à saúde. O objetivo é reduzir a demanda por atendimento hospitalar; diminuir o período de permanência de usuários internados; humanização da atenção à saúde, com a ampliação da autonomia dos usuários; além da desinstitucionalização e a otimização dos recursos financeiros e estruturais da rede pública de saúde.

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