Governo do Distrito Federal
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31/07/20 às 13h22 - Atualizado em 1/08/20 às 12h56

Servidores do HRG contam com atendimento de saúde mental

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Projeto foi desenvolvido pela direção da unidade com equipe composta por seis profissionais

 

ÉRIKA BRAGANÇA, DA AGÊNCIA SAÚDE DF

 

Os servidores que trabalham no Hospital Regional do Gama (HRG) contam com um consultório de saúde mental com atendimento de porta aberta e demanda espontânea em Saúde Mental. O local, que funciona desde a última quinta-feira (30), atende os servidores de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 19h. A equipe é composta por seis profissionais, sendo cinco psicólogos e um psiquiatra.

 

Servidores contam com um consultório no HRG para atendimento em saúde mental – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

O projeto foi pensado antes da pandemia de Covid-19 e foi concretizado neste mês. A diretoria do HRG separou um local para esse atendimento no mezanino próximo ao pronto-socorro. Em levantamento recente, de todos os afastamentos por atestado da unidade, 60% deles eram relativos às questões de saúde mental. Katymara Godoy, médica e diretora da unidade, quer reverter essa situação e buscar uma melhora significativa de atenção a esses profissionais.

 

“Estamos em um momento muito delicado e histórico, hoje mais do nunca, temos que ter os olhos voltados para a saúde mental. Os servidores precisam desse apoio e nossos usuários também. O projeto visa mitigar grandes impactos decorrentes do contexto, sejam eles imediatos, de médio ou longo prazo. Tínhamos a proposta desde 2019, como um projeto piloto, a princípio, mas que fortaleceu em decorrência da pandemia”, explica a gestora.

 

Estrutura

 

A equipe do projeto foi montada com servidores da própria unidade que querem trazer uma escuta qualificada com avaliação psicológica e atendimento psiquiátrico, quando necessário.

 

Os profissionais acreditam que a proximidade e a comodidade de ter o serviço na própria unidade ajudarão a aliviar as demandas que têm causado os afastamentos. Jamila Abdelaziz, psicóloga e responsável pelo projeto, destaca que a iniciativa vem mostrar o compromisso da gestão em enxergar as questões sensíveis dos servidores.

 

“Os servidores têm um comprometimento muito grande com seus pacientes. No entanto, acabam por atropelar sinais que o corpo dá de uma mente cansada e sobrecarregada. Vemos a dedicação de cada um, mas o dia a dia é difícil na linha de frente, além de setores delicados da retaguarda. São reconhecidos como verdadeiros heróis, mas é preciso ter válvulas de escape. Cuidamos de diversas áreas, como do coração, olho… Mas, esquecemos da saúde mental. Com isso, queremos mostrar a importância dessa área e tornar o acesso mais fácil”, observa.

 

Saúde mental

 

Em maio, a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou os países para uma estratégia urgente em saúde mental. Documento publicado pelo órgão traça um resumo político sobre a Covid-19 e saúde mental . Questões como o isolamento social, medo do contágio e a perda de membros da família são apontados assim como a perda do emprego e consequentemente, da renda familiar. Grupos populacionais específicos correm um risco particular de sofrimento psicológico relacionado à Covid-19.

 

De acordo com o órgão, os profissionais de saúde da linha de frente, confrontados com cargas de trabalho pesadas, decisões de vida ou morte e risco de infecção, são particularmente afetados. Durante a pandemia, na China, os profissionais de saúde relataram altas taxas de depressão (50%), ansiedade (45%) e insônia (34%) e, no Canadá, 47% dos profissionais de saúde relataram a necessidade de suporte psicológico.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO: JULIANA SAMPAIO