Governo do Distrito Federal
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27/07/20 às 14h21 - Atualizado em 28/07/20 às 22h52

Televisitas aproximam familiares e pacientes do HSVP

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Os profissionais da saúde acompanham as chamadas de vídeo uma vez por semana

 

JOSIANE CANTERLE, DA AGÊNCIA SAÚDE DF

 

Os momentos de crises, como a pandemia que o mundo atravessa, mostram a capacidade da sociedade de se adaptar e evoluir com as dificuldades. São descobertas científicas e tecnológicas, mudanças de hábitos e outras necessidades que levam à inovação ou simplesmente à otimização do uso dos equipamentos disponíveis. No Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) as equipes estão utilizando a visita virtual para aproximar pacientes e  familiares. É uma forma de manter o contato com segurança, em tempos de coronavírus, e reduzir a saudade inevitável durante a internação.

 

A emoção é inevitável durante as televisitas que o HSVP oferece aos pacientes – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

A ideia começou quando as reuniões com as chefias no HSVP passaram a ser virtuais para manter o distanciamento social. Por meio dessas reuniões que veio a inspiração dos integrantes do Núcleo de Atividades Terapêuticas (Nuat) em criar uma forma dos familiares terem contato com os pacientes internados na unidade: a televisita.

 

Sala de visita

 

Junto com a enfermagem, os terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e técnicas de enfermagem criaram uma sala de visita on-line compartilhada com os familiares por meio de um link. Os materiais necessários foram um computador e uma câmera acoplada. O link é enviado à família que clica no endereço e cai diretamente na sala.

 

Visitas são supervisionadas e familiares podem conversar, também, com os profissionais que atendem os pacientes – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Todas as quartas-feiras, no período da tarde, a equipe dedica-se a acompanhar os pacientes e familiares nesse momento de encontro virtual. O Hospital São Vicente de Paulo é referência no atendimento psiquiátrico no Distrito Federal. Para as televisitas, foram estabelecidos alguns critérios como tempo de internação, filhos, pessoas na família que são grupo de risco para a Covid-19.

 

Ao fazer a seleção dos pacientes, a equipe percebeu que alguns dos internados que cumpriam os critérios não conseguiriam fazer o contato com os seus entes pois a família não tinha acesso à internet, ou não tinham habilidade para acessar o link. Com isso, outros usuários preenchem as vagas para as chamadas de vídeo. Porém, aqueles com tais dificuldades não deixaram de ter o aguardado contato. Por telefone, às terças e quintas-feiras, os pacientes podem conversar com seus familiares.

 

Ideia surgiu como forma de aproximar familiares e pacientes mantendo a segurança em tempos de pandemia – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Apoio da Família

 

Uma das profissionais envolvidas é a terapeuta ocupacional, Bruna Fassanaro, que já percebeu o quanto a televisita está sendo importante para todos os envolvidos. “Percebe-se que é muito mais que um canal de visualização, comunicação, é a manutenção, ou talvez, até mesmo, o resgate do vínculo familiar. Desperta sentimentos, desejo de estar junto, de cuidar”, elenca a terapeuta. “Diante disso, toda equipe acha muito válida a continuidade desse projeto mesmo após a pandemia”, já projeta Bruna.

 

O apoio da família ajuda no tratamento durante a internação – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

As televisitas estão sendo o principal canal para a aproximação de pai e filho. Devido a crises de agressividade, um paciente que não será identificado está internado há um ano no HSVP. A sua cuidadora era a avó que, devido à idade, já não tem condições de cuidar do neto. A mãe do paciente também sofre de transtorno mental, o que inviabiliza o cuidado. Bruna conta que a equipe do Serviço Social conseguiu localizar e entrar em contato com o pai desse paciente, que mora em Barreiras, na Bahia. “Ele demonstrou interesse em cuidar do filho e desde então os dois estão se aproximando através da televisita”.

 

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Um dos entraves para que o pai possa buscar o paciente é o fato de não haver registro paterno. “Então, estamos aguardando os trâmites legais para a possível saída do paciente, uma vez que este encontra-se de alta há um tempo. As chamadas de vídeo já haviam sido feitas entre pai e filho e estão sendo continuadas com a televisita. Nesse encontro virtual, o pai fala para o filho o desejo de morarem juntos, bem como o filho diz aceitar esse convívio”, conta a terapeuta que aponta o trabalho de equipe como fundamental para proporcionar encontros improváveis, como desse paciente.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO: JULIANA SAMPAIO

Televisitas aproximam familiares e pacientes do HSVP