Governo do Distrito Federal
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23/08/13 às 17h52 - Atualizado em 30/10/18 às 15h06

Transtorno alimentar pode ser tratado na rede pública

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COMPP atende jovens em equipe multidisciplinar com grupos multifamiliares

Anorexia, bulimia, vigorexia, compulsão e outros tipos de transtorno alimentar, como recusa seletiva, podem ser tratados na rede pública de Saúde do DF. São distúrbios mais comuns entre adolescentes e adultos jovens, especialmente na faixa dos 15 aos 25 anos de idade, e de causas variadas, que devem ser analisadas caso a caso, a fim de individualizar os elementos que contribuem para o surgimento da doença. No transtorno alimentar o indivíduo expressa no corpo alguma insatisfação de sua vida pessoal.

O acompanhamento na rede pública de saúde é feito semanalmente com auxílio de profissionais da saúde. O Grupo de Atendimento a Transtorno Alimentar (GATA), que funciona no Centro de Orientação Médica Psicopedagógica (COMPP), aponta que o problema pode ser de natureza biológica ou corresponder a tipos de temperamentos mais suscetíveis a comportamentos obsessivos, fazendo com que a comida passe a funcionar como uma espécie de automedicação que alivia as dores emocionais.

O transtorno alimentar apresenta índice de mortalidade 12 vezes maior do que a população normal, da mesma faixa etária e duas vezes maior do que pacientes portadores de outros transtornos psiquiátricos. A coordenadora e nutricionista do GATA, Graciane de Castro Carneiro, explica que o trabalho desenvolvido requer cuidados, para que o jovem permaneça no grupo. De acordo com a avaliação do projeto, os pacientes de melhor prognóstico são os mais jovens, enquanto que adultos ou com IMC (Índice de Massa Corporal) menor que 17kg/m² são os mais difíceis de tratar.

A estratégia do GATA é trabalhar em equipe multidisciplinar com grupos multifamiliares, estimulando a formação de uma equipe em que cada um contribua com suas características pessoais para induzir a mudança. Também forma grupos terapêuticos interdisciplinares, de acordo com a faixa etária; e dá atendimento individual com as diferentes especialidades do GATA. Reuniões semanais para discussão de casos clínicos e averiguação do projeto terapêutico, visitas domiciliares ou institucionais fazem parte do projeto. A proposta de redução de danos também se aplica na prática clínica.

O primeiro contato com o paciente é feito por meio de acolhimento e entrevistas, depois o jovem passa por avaliação nutricional e psiquiátrica. A participação dos familiares também é parte fundamental do processo. Na concepção do GATA, os responsáveis pelos pacientes devem se envolver no tratamento para que eles mesmos possam entender melhor o que se passa com o jovem.

Incidência

De acordo com as estatísticas do GATA, o transtorno alimentar afeta na maioria as mulheres. São 90% dos casos, sem considerar a classe social. Nesse aspecto, há uma distribuição equânime.

É um erro acreditar que o transtorno alimentar aparece somente em jovens ansiosos por emagrecer. Doenças como anorexia e bulimia possuem uma causa psicológica, ou seja, podem ser potencializadas por traumas do presente ou passado do jovem.

O grupo de atendimento a Transtornos Alimentares atende pacientes com uma equipe de sete profissionais divididos entre psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, enfermeiros e professores de educação física, as consultas são feitas de forma multidisciplinar, como apoio ao jovem em todos os aspectos.

Para participar

Para os interessados em participar do projeto, as inscrições são feitas no Centro de Orientação Médica Psicopedagógica, localizado no Setor Hospitalar Norte, quadra 03. Para mais informações, é só ligar no 3326-3757.

O COMPP/SES presta atendimento multi e interdisciplinar em Saúde Mental às crianças e adolescentes do DF e Entorno. Atende desde os casos mais leves de sofrimento psíquico, até os transtornos mentais mais graves como: Autismo, Psicoses e Neuroses. Possui ainda um acolhimento humanizado, diário, com classificação de risco, realizado por profissionais capacitados e com o objetivo de otimizar o processo de trabalho na Unidade e de avaliar a gravidade e a urgência de cada caso para maior resolutividade e agilidade no atendimento.