Governo do Distrito Federal
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5/06/19 às 9h33 - Atualizado em 5/06/19 às 10h33

Ação coordenada de médicos e dentistas salva vidas de mães e bebês

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Profissionais do Hran, hospitais de Base e de Santa Maria fazem cesariana e intervenção bucal ao mesmo tempo

 

“Eles precisavam salvar alguém e a prioridade era minha filha. Mas eles não desistiram de mim e, graças a Deus, hoje estou viva para contar esta história”. O depoimento, emocionado, é de Cleonice da Costa Sousa Cassimiro. Diagnosticada, no último mês de gestação, com uma doença bucal rara e de alto risco, foi literalmente salva por profissionais das unidades de bucomaxilo e da ginecologia dos hospitais de Base e Regional da Asa Norte.

 

Após dias sem entender o porquê de um inchaço no pescoço e da falta de ar que a deixou internada, além da pressão subindo a ponto de os médicos temerem uma pré-eclâmpsia, Cleonice teve o diagnóstico feito por dentistas da Unidade Básica de Saúde 6 de Samambaia: Angina de Ludwig, uma celulite frequentemente originada de infecção dentária. O problema é raríssimo e costuma levar pacientes a óbito.

 

“No caso da Cleonice, aconteceu em razão de um pedaço de dente que não foi extraído corretamente anos atrás. Foi sempre assintomático, mas acreditamos que, em razão da gestação, quando a imunidade fica mais baixa, o problema apareceu”, explica a dentista Kaline Alsina.

 

Com o diagnóstico em mãos, precisavam unir as equipes para decidir o melhor a fazer. Eles optaram por uma cesariana, realizada ao mesmo tempo em que profissionais da bucomaxilo faziam uma exploração cirúrgica, drenando o pus e fazendo a extração do dente. Uma traqueostomia também foi feita para que Cleonice voltasse a respirar.

 

“Só pude ver minha filha dois dias depois. Mas, graças a Deus e a estes profissionais maravilhosos que Ele colocou no meu caminho, eu e ela estamos bem”, comemora Cleonice, já com a pequena Safira Costa nos braços. Todo o incidente aconteceu em 17 de abril. A alta médica se deu com oito dias.

 

Depois do susto, ela deixa um conselho: “Façam o pré-natal corretamente, inclusive, com acompanhamento odontológico. Cuidem-se e relatem ao médico tudo o que estiverem sentindo, sem esconder nada. Fiz meu pré-natal certinho, cuidei da minha saúde bucal e, mesmo assim, fui acometida com isso. Então, é importante ser acompanhada”, finaliza.

 

PRÉ-NATAL – O acompanhamento é, de fato, de extrema importância. Durante a gestação, ocorrem algumas alterações que podem influenciar no aumento da incidência de infecções odontogênicas.  Mas ainda existe um mito popular de que a gestante não pode se submeter a tratamento odontológico.

 

“A falta de acompanhamento adequado, associada às modificações imunológicas e de metabolismo, que ocorrem durante o período gestacional, podem resultar em infecções de rápida evolução e maior gravidade”, explica a responsável técnica da Unidade de Odontologia e Cirurgia Bucomaxilo do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), Erika Maurienn.

 

Além de Cleonice, uma outra gestante foi atendida, recentemente, na rede pública com o mesmo problema. No caso de Kelly Maria Coelho, o filho precisou ser retirado antes da hora para que os procedimentos precisassem ser feitos sem afetar demais a criança. Ainda assim, a infecção chegou até ele, que evolui bem, tomando antibióticos na incubadora.

 

SINTOMAS – As queixas de Kelly eram as mesmas: aumento de volume, dor generalizada na face e pescoço, falta de ar, dificuldade para engolir e enfraquecimento da voz. A língua também parecia inchada. E mais: um dente quebrado e que doía há mais de um ano.

 

A paciente procurou o Hospital Regional de Ceilândia (HRC), onde ficou dois dias internada tomando antibióticos. Depois, foi encaminhada para o Hospital de Base e, em seguida, para o Hospital Regional de Santa Maria, onde aconteceu o parto e, posteriormente, o procedimento odontológico.

 

A criança nasceu prematura, com 36 semanas de gestação. “Para fazer a drenagem da infecção, precisaríamos dar anestesia geral na mãe e, se fizéssemos isso com a criança na barriga, ela poderia ter maiores problemas. Por isso, optou-se por fazer uma cesariana antes, apenas com a anestesia rack”, conta Erika Maurienn. Ela conta que a criança já foi prontamente atendida pela Pediatra da UTI Neonatal e levada para a incubadora.

 

 

Alline Martins, da Agência Saúde

Fotos: Mariana Raphael/Saúde-DF e arquivo pessoal