Governo do Distrito Federal
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21/12/18 às 11h20 - Atualizado em 21/12/18 às 12h40

Ambulatório de bomba de insulina do HRT completa 10 anos

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Hidelgart faz parte do primeiro grupo de pacientes do ambulatório – Foto: Divulgação/Saúde-DF

 

Desde 2008 a diabética Hidelgart Maria do Carmo, de 68 anos, faz uso de uma bomba de infusão de insulina, disponibilizada pelo atendimento no ambulatório do Sistema Contínuo de Insulina (SIC), no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). As bombas são equipamentos pequenos e portáteis que liberam insulina, de ação rápida, diretamente no organismo do paciente, controlando a taxa de açúcar no sangue.

 

Ela, assim como cerca de 220 outros pacientes diabéticos do Distrito Federal, são beneficiados pelos serviços de referência do SIC, que completou 10 anos de funcionamento no HRT. Uma solenidade foi realizada em 12 de dezembro, para comemorar a década de realizações.

 

Popularmente chamada de ambulatório de bomba de insulina, a unidade já nasceu com status de vanguarda. Foi a primeira no Sistema Único de Saúde (SUS) a implantar o Sistema Contínuo de Insulina, se tornando referência no Brasil até hoje.

 

Com a utilização da bomba, o paciente monitora os seus níveis de glicose 24 horas por dia, configura as doses da sua insulina de acordo com as suas necessidades e faz ajustes conforme a ingestão de alimentos e programa de exercícios.

 

“Sou apaixonada pela bomba de insulina. Ela traz uma outra qualidade de vida. Tenho diabetes há 34 anos e eu sei o que é o antes e o depois de usar esse serviço. E no ambulatório eles são extremamente atenciosos e procuram trazer o que tem de melhor aos diabéticos”, conta Hidelgart, que faz parte do primeiro grupo de pacientes atendidos pelo SIC no HRT.

 

Para participar do atendimento, o paciente deve preencher alguns requisitos: ser encaminhado por médico do SUS ou da rede privada para a Subsecretaria de Atenção Primária em Saúde, ter participado de adequação do tratamento indicado pelo médico assistente, e estar realizando tratamento endocrinológico adequado, mas que continua apresentando descontrole glicêmico ou episódios de hipoglicemias.

 

A equipe é multidisciplinar, composta por endocrinologista, nutricionista e endocrinologista pediatra, com apoio dos educadores em diabetes dos laboratórios fabricantes das bombas. Além disso, recebe médicos residentes de endocrinologia, clínica médica e endocrinologia pediátrica.

 

AVANÇOS – Para a responsável técnica ambulatorial (RTA) da Unidade de Endocrinologia do HRT, Thais Lauand, o serviço é um avanço no tratamento do paciente diabético. “Esse ambulatório é pioneiro. O único do SUS que faz esse tipo de atendimento e é protocolado para isso”, comenta Lauand.

 

“Desde 2016, registramos anualmente, em média, três crianças menores de três anos com descompensação diabética. Essas são as que mais se beneficiam com a bomba de insulina, pois recebem doses mínimas e fracionadas do hormônio, o que melhora o controle glicêmico e diminui o risco de hipoglicemia grave”, avalia Roberta Faleiros, endocrinologista pediatra do ambulatório.

 

JUDICIALIZAÇÕES – Leonardo Garcia Miranda, médico endocrinologista do ambulatório, explica que antes da criação da unidade as pessoas entravam com ações judiciais para conseguir uma bomba de infusão de insulina, o que gerava muitos gastos para a Secretaria de Saúde. Com o ambulatório, foi possível reduzir as judicializações, diminuir os gastos e oferecer tratamento a pacientes que realmente precisam desse serviço.

 

“Na época, muitos pacientes não tinham indicação para usar a bomba de acordo com o protocolo da Secretaria de Saúde. Com o ambulatório, passamos a não tem mais tantas medidas judiciais, e os pacientes que utilizam realmente precisam desse serviço. Além disso, o trabalho pioneiro de lá apresentou o HRT à comunidade científica”, conta o médico.

 

Uma das que esteve à frente da criação do ambulatório foi a médica Hermelinda Pedrosa, que hoje é presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes e Coordenadora Científica do Polo de Pesquisa do HRT. “Idealizamos justamente para reduzir os gastos na Justiça e atender quem precisa. Conseguimos reduzir 34% das medidas judicias na época. Enquanto isso, o Brasil inteiro continua com pacientes entrando na Justiça, e aqui está tudo protocolado”, disse.

 

HISTÓRICO – Em 2008, a Coordenação de Diabetes da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, após cumprir inúmeros mandados judiciais de instalação do SIC, verificou que a maioria dos casos não preenchia os critérios clínicos para sua utilização.

 

Na época, a coordenação realizou estudo em um grupo de 15 pacientes e constatou que um terço deles não estava habilitado e as indicações eram inadequadas. Desde então, os profissionais continuaram com as pesquisas para instituição do protocolo de atendimento do SIC.

 

Entre 2009 a 2012, os profissionais, após realizarem avaliação clínica nos pacientes encaminhados, verificaram que o percentual de exclusão era de 25% dos casos. Ou seja, um em cada quatro pacientes não atendia aos critérios básicos, no que representava correta indicação clínica na utilização do SIC. Dessa forma, com a correta análise, para atender justamente aqueles que mais precisavam, significou uma economia para o Estado.

 

Leandro Cipriano, da Agência Saúde
Fotos: Gerson Lucas/Arquivo-SES