Governo do Distrito Federal
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23/06/20 às 10h28 - Atualizado em 23/06/20 às 10h27

Ar-condicionado sem manutenção pode se tornar problema para a saúde

Aparelho pode contribuir para desencadear ou intensificar doenças respiratórias

 

ÉRIKA BRAGANÇA, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

Fotos: Breno Esaki/Agência Saúde

O ar-condicionado é um aparelho que melhorou a climatização dos ambientes. Em vários locais é comum ter algum instalado, como por exemplo nos hospitais, shoppings, salas e estabelecimentos comerciais, em casa, entre outros lugares. Apesar de ter sido criado com o propósito de resolver o problema de umidade do ar que impedia papéis de absorverem as cores na impressão de uma gráfica, hoje, com a sua popularização, se tornou comum encontrá-los no dia a dia para diminuir o calor ou aquecer o ambiente. Ao mesmo tempo em que a invenção é apontada como uma aliada, a máquina que não recebe manutenção contínua e adequada também pode trazer e agravar doenças respiratórias ao distribuir as partículas de ácaros, fungos, vírus e bactérias para o ar do ambiente e superfícies. Afinal, os fatores que mais provocam as alergias são as impurezas no ar.

 

O primeiro efeito que traz para o ambiente é baixar a umidade. Com isso, as vias respiratórias podem sofrer ressecamento, além das mucosas do nariz e boca. Isso contribui para que o corpo perca a capacidade de filtrar vírus e bactérias, que podem ir direto para o pulmão. Os fumantes podem sofrer ainda mais com a exposição ao ar condicionado sem limpeza do filtro. O cigarro é um agravante para a saúde.

 

Quem vive diariamente com o aparelho ligado geralmente sofre de irritação nos olhos e nas narinas podendo levar à coceira. Em tempos de pandemia de Covid-19, em que a recomendação de especialistas é evitar o toque na face sem a devida higienização, o ato espontâneo para aliviar a coceira pode trazer riscos à saúde. O cuidado no toque não deve ser levado em consideração apenas pela presença do coronavírus, uma vez que existem outros tipos de vírus circulando nos ambientes, como o da gripe, e até por bactérias.

 

Nesse processo, então, é possível desencadear o resfriado, congestão nasal, sinusites, alergias, amigdalites e o olho seco.

 

Como o ar-condicionado desumidifica o ambiente, a secura da garganta pode desencadear tosse. A secura das narinas pode produzir sangramentos nasais. Já o ressecamento da pele pode gerar coceiras e a possibilidade de infecção cutânea por conta das impurezas nas unhas. Para o público que já apresenta algum problema respiratório, Marta Guidacci, médica especialista em alergia e imunologia e coordenadora substituta da Alergia na Secretaria de Saúde, explica que o aparelho precisa estar com a limpeza do filtro em dia, principalmente porque esse filtro pode acumular ácaros e fungos que são os principais fatores desencadeantes das alergias respiratórias.

A profissional destaca também que a temperatura não pode ser muito baixa e deve ser mantida em 24°C. “O ar condicionado não é proibido, e quem é alérgico deve optar por ele, ao invés do ventilador, pois este pode levantar poeira. A temperatura interna muito baixa e diferente da externa pode piorar os sintomas da rinite alérgica ou desencadear sintomas da Rinite Vasomotora por alteração da temperatura. É uma mudança muito brusca da temperatura”, pondera Guidacci.

 

PANDEMIA – Com o surgimento da Covid-19, a preocupação do aparelho ajudar na transmissão da doença também foi levantada, sendo realizado estudo sobre essa possibilidade. Mesmo sem haver contato, a pesquisa sugere que o ar-condicionado pode contribuir para a contaminação. No estudo, realizado num restaurante, a análise nos aparelhos não resultou em positivo para a presença do vírus, mas contribuiu para que o fluxo de ar do aparelho levasse gotículas mais longe do que o esperado e chegassem até outras pessoas e mesas. Ou seja, pode transmitir da mesma forma vírus similares como os da gripe, que possui diversas cepas. Especialistas costumam chamar de síndrome do edifício doente quando infecções respiratórias são propagadas entre colegas de trabalho por causa do ar contaminado.

 

REABERTURA DO COMÉRCIO – Na nota técnica de reabertura de estabelecimentos, a Vigilância Sanitária do DF adotou pontos focados no aparelho e sua manutenção. Os grandes sistemas de climatização possuem leis e regulamentação própria para esses serviços. Portanto, as empresas devem garantir o cumprimento do Plano de Manutenção, Operação e Controle (Pmoc) dos sistemas de climatização instalados em shopping centers, lojas de departamento, supermercados e similares, especialmente no que tange à manutenção dos filtros higienizados.

 

CUIDADOS – Ao comprar um aparelho, o consumidor deve escolher modelos que tenham tecnologia mais avançada como a Wind Free que elimina o fluxo de ar direto. Ou optar por aparelhos com filtros específicos que permitam a limpeza contínua e de fácil acesso. Eles têm a função de, literalmente, filtrar o ar. Portanto, é necessário lavar esses dispositivos e, ficar atento ao prazo de limpeza interna profunda que deve ser feita por equipe especializada.  Nos carros, manter a troca dos filtros em dia, de acordo com o manual do veículo. Empresas devem seguir com a limpeza periódica. Em ambientes fechados nos quais não se sabe sobre a manutenção dos aparelhos, como no trabalho, por exemplo, o uso de máscara é recomendado.

 

Com a Saúde, quem usa o aparelho deve utilizar cremes hidratantes, soros nasais e lágrimas artificiais, além de aumentar o consumo de água, pois essas são medidas preventivas importantes para manter o corpo hidratado. Mesmo que o ar-condicionado esteja em temperatura muito baixa, uma estratégia seria desligar um pouco antes da saída. A dica vale para o carro também. Outro ponto importante é não instalar o aparelho de forma frontal para a cama ou sofá, por exemplo.