Governo do Distrito Federal
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30/04/19 às 10h04 - Atualizado em 30/04/19 às 10h26

Atendimento multiprofissional assiste pacientes fissurados no Hran

Consultas acontecem num mesmo dia e ainda gera maior confiança aos pacientes

 

Alice Sampaio nasceu há seis meses e há uma semana passou por uma cirurgia para corrigir uma fissura labial. Mas o acompanhamento no Serviço Multidisciplinar de Atendimento aos Fissurados do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), referência no atendimento a fissurados em todo Centro-Oeste, começou quando ela tinha apenas 20 dias de nascida. E isso foi essencial para o sucesso do tratamento.

 

“Quando minha filha nasceu, o médico me avisou que ela tinha um corte no lábio. Logo, me encaminhou para o Hran, onde recebi todo apoio dos profissionais, inclusive de psicólogos. Quando ela entrou para a sala de cirurgia, minha preocupação era pouca, porque sabia que estava entregando minha filha na mão de pessoas confiáveis e muito profissionais”, relata a mãe, Ilza Sampaio.

 

Segundo a enfermeira do serviço, Liliane Rios, este laço é de extrema importância para que os pais confiem no atendimento, já que o problema é, para muitos, uma novidade devido à pouca informação disponível sobre o assunto. “Os pais entregam seu tesouro para os cirurgiões”, destaca.

 

OPERAÇÃO – Praticamente, todos os casos necessitam de cirurgia, que, na unidade, acontece toda quarta-feira. “A primeira cirurgia para fissura labial deve ocorrer entre 4 e 6 meses de vida. Quando a fissura é no céu da boca, recomenda-se fazer entre 18 e 24 meses”, explica o cirurgião plástico da equipe, Alexandre Figueiredo.

 

Na expectativa para a cirurgia do segundo filho com o mesmo problema, Francisca das Chagas, que também tem fissura labiopalatal, já buscou logo atendimento antes mesmo do pequeno Arthur nascer. “Pela ecografia morfológica já descobrimos e comecei o acompanhamento com psicólogo”, conta.

 

No caso dela, mesmo sendo um problema já comum na família, o apoio da equipe multidisciplinar foi essencial. “Mesmo a minha mãe tendo a fissura, eu e uma sobrinha também, não esperava que meus filhos fossem nascer assim”, diz. O primeiro filho, Davi, hoje com quatro anos de idade, também nasceu assim e já passou pela primeira cirurgia.

 

REABILITAÇÃO – “O tratamento multidisciplinar é uma das condições indispensáveis para o sucesso do tratamento e a reabilitação dos pacientes, com o envolvimento da família com os profissionais de saúde”, observa a enfermeira Liliane Rios. Ela acrescenta que, como o paciente passa por todos os profissionais em apenas um dia, é mais fácil que ele seja visto globalmente e tenha suas necessidades atendidas mais rapidamente.

 

“Se ele precisasse voltar várias vezes para consultas em datas diferentes, talvez não conseguisse acompanhamento, pelas dificuldades enfrentadas para locomoção, por exemplo,” frisa Rios.

 

Ela explica que o tratamento destas crianças envolve o esforço conjunto de vários especialistas, tais como cirurgião plástico, fonoaudiólogo, ortodontista, pediatra, enfermeiro, odontopediatra, otorrinolaringologista, nutricionista, psicólogo, assistente social, cirurgião bucomaxilo.

 

TRIPÉ – Segundo Alexandre Figueiredo, o atendimento no Serviço de Fissurados é multidisciplinar, mas a base é um tripé formado por cirurgião, fonoaudiólogo e dentistas. O primeiro atendimento consiste numa avaliação por estes profissionais e, a partir daí, é traçado o plano terapêutico.

 

Não tratado no tempo certo e da forma correta, a malformação pode causar dificuldades na alimentação e no ganho de peso, distúrbios de fala, problemas na arcada dentária, na adaptação social e na autoimagem.

 

No Brasil, de cada 650 crianças nascidas, uma é portadora de fissura labiopalatina. As causas envolvem fatores genéticos e ambientais, que podem atuar isoladas ou em associação.

 

ODONTOLOGIA – Um dos tripés no atendimento, a Odontologia é de extrema importância tanto antes quanto depois da cirurgia, ao longo do tratamento. “O fissurado tem fisiologia bucal diferente, o que o coloca com mais risco para doenças bucais, como cárie e malformações”, explica o dentista da equipe, Luiz Guilherme Loivos.

 

O preventivo é importante para evitar infecções durante e depois da cirurgia. “A orientação ao paciente, para ter cuidado em casa também, faz parte do tratamento”, complementa Loivos.

 

Aos 11 anos de idade, Nayara Kely faz acompanhamento a cada dois meses, desde os 6 meses de vida. Já precisou arrancar dente por causa de cárie e, após fazer a segunda cirurgia da fissura do palato, deve usar aparelho para correção dos dentes tortos. “Em casa, o maior trabalho é para passar o fio dental, mas a gente tenta fazer o melhor que pode”, diz a mãe da menina, Rubem Kely Sousa.

 

SERVIÇO – O Serviço Multidisciplinar de Atendimento aos Fissurados do Hospital Regional da Asa Norte foi oficializado em 11 de março de 2013 e tem caminhado na busca de um trabalho que envolve uma deformidade congênita, de atendimento de alta complexidade e multidisciplinar.

 

Atualmente, o atendimento é realizado no ambulatório do Hran, às segundas-feiras à tarde e as cirurgias são realizadas às quartas-feiras.

 

O serviço conta, ainda, com a colaboração de diversos voluntários, que ajudam no atendimento externo dos pacientes, dando informações, promovendo o entretenimento junto às crianças e distribuindo lanches. “Novos voluntários são sempre bem-vindos. Basta nos procurar aqui na unidade”, incentiva Liliane Rios.

 

 

Alline Martins, da Agência Saúde

Fotos: Mariana Raphael/Saúde-DF