Governo do Distrito Federal
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28/01/20 às 12h18 - Atualizado em 28/01/20 às 13h42

Dengue: Divino Valero fala sobre decreto do governo

Situação em MG, SP e GO antecipou estado de emergência”

 

O Governo do Distrito Federal declarou situação de emergência na saúde pública, por 180 dias, em razão do risco de epidemia por doenças transmitidas pelo mosquito do Aedes aegypti (dengue, zika e chikungunya). Nessa entrevista, o subsecretário de Vigilância em Saúde, Divino Valero, esclarece as dúvidas mais frequentes em relação ao decreto publicado pelo governador Ibaneis Rocha.

 

Agência Saúde – O que motivou a publicação do Decreto de situação de emergência na saúde pública?

Divino Valero – O decreto foi elaborado em função das evidências interepidêmicas dos últimos anos na região do Centro-oeste. O próprio Ministério da Saúde vem alertando para um provável surto epidêmico de Aedes aegypti em São Paulo, Minas Gerias e Goiás. Cientes dessa situação, da localização geoespacial, de já serem notificados focos do Aedes em todas as cidades satélites, e preocupado com o número de casos ocorridos no ano passado, resolvemos antecipar o decreto de emergência, visando o bem-estar da população do Distrito Federal.

 

Agência Saúde –  O decreto foi motivado para facilitar compras de insumos e contratação de pessoal?

Divino Valero – Do ponto de vista das facilidades, no que se refere às compras e aos contratos, vale ressaltar que a Secretaria de Saúde tem todos os processos necessários para suprir as demandas de controle do Aedes. Os processos já se encontram em fase de conclusão ou em andamento, mas todos já iniciados há mais de 60 dias. No que tange a contratação de pessoal, é notório que existe uma defasagem em algumas áreas do serviço público, assim também no número de agentes. No entanto, a quantidade de agentes a serem contratados ainda está em fase de discussão em instâncias superiores. Tão logo tenhamos uma definição, essa será informada oficialmente.

 

Agência Saúde – A população deve ficar preocupada com a publicação deste decreto?

Divino Valero – O governo fez uma demonstração de responsabilidade e de efetividade ao envolver todos os órgãos do GDF. Cabe a população se envolver na nossa luta, considerando que mais de 90% dos focos do Aedes aegypti são encontrados nos quintais das residências. Portanto, o decreto traz um aviso coletivo para todos nós. Precisamos contar com a participação de toda a sociedade neste processo.

 

Agência Saúde – Como a população pode colaborar?

Divino Valero – É preciso que todos reservem pelo menos dez minutos do dia para colaborar no combate ao mosquito. Cada pessoa deve ser tornar uma agente permanente nesse cuidado. Basta inspecionar o domicílio e monitorar o ambiente do trabalho, pois qualquer objeto que acumule água é um potencial depósito para o mosquito. É preciso fazer a inspeção de rotina, como verificar a caixa d’água e a retirada de entulhos em quintal. No interior do domicílio, vale ressaltar que as fêmeas do mosquito ficam em lugares escuros, tais como atrás de cortinas e embaixo de sofá e fogão. O mosquito é pequeno, na cor preta com manchas brancas em todo o corpo, patas e costas e pica também durante o dia, entre o horário das 8h às 17h. Em geral apresenta fotofobia, por isso é recomendado abrir portas, janelas e cortinas. Recomendamos que usem repelentes e inseticidas para afugentar o inseto. Seguindo essas recomendações todos estarão contribuindo para combater o problema.

 

 Agência Saúde – As grávidas devem ter um cuidado diferenciado?

Divino Valero – No caso das gestantes recomenda-se usar calças e blusas de mangas longas, ficar em ambientes claros e arejados, instalar tela mosqueteira e usar repelente. No caso de dúvidas, recomendamos sempre procurar o médico.

 

Agência Saúde – Haverá a intensificação de ações da Vigilância?

Divino Valero – No controle vetorial as ações são diárias, perenes e em todas as cidades. O que está sendo feito é a ampliação do raio de cobertura com o reforço de militares do corpo de bombeiros e da parceria com os municípios do entorno. Vale lembrar que caso haja a necessidade de complementar qualquer ação lá na ponta, caso se faça necessário, será feita a aquisição de produtos ou serviços.

 

 

Nivania Ramos, da Agência Saúde

Fotos: Bruno Esaki