Governo do Distrito Federal
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13/08/15 às 19h21 - Atualizado em 30/10/18 às 15h12

DF conta com centro de referência em tratamento de lábios leporinos

Hran oferece atendimento multidisciplinar e atende aproximadamente 120 pacientes por semana

BRASÍLIA (13/8/15) – Uma em cada 650 crianças nascidas vivas no Brasil tem fissura labiopalatal, que corresponde ao lábio leporino e à fenda palatal. Apesar do elevado número, ainda falta informação para grande parte das pessoas, que deixam de procurar tratamento no tempo certo, causando consequências físicas e psicológicas aos pacientes.

O lábio leporino é uma fissura que começa no lábio superior, dividindo-o em dois segmentos, podendo estender-se até o sulco entre os dentes incisivo lateral e canino, gengiva, maxilar superior e chegar ao nariz. Já a fenda palatina é quando o céu da boca não se fecha completamente.

“É possível identificar a fissura entre a quarta e a 12ª semana de gestação, por meio de ecografia morfológica. Com o diagnóstico em mãos, os médicos já podem preparar o paciente para o tratamento depois que a criança nascer”, explica Marconi Delmiro, cirurgião plástico e coordenador da equipe que trata os pacientes fissurados no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Quando grávida de Ellen Ribeiro, hoje com 5 anos, Clarice de Sousa até descobriu que a filha teria lábios leporinos, mas achava que era apenas um problema estético. “Eu não sabia da gravidade. Meu parto foi no Hmib e de lá já nos encaminharam para o Hran. A primeira cirurgia da minha filha foi aos três meses de vida, a segunda, aos 2 anos de idade e agora ela já fez mais duas”, conta.

Conforme explica Marconi Delmiro, para casos de fissura labial, a cirurgia pode ser feita entre os 3 e 6 meses de vida. No caso da fenda palatina, é preciso esperar que a criança complete 1 ano e meio. “Cada pessoa precisa fazer, em média, cinco cirurgias ao longo da vida. Depois, tem acompanhamento com a parte clínica, incluindo ortodontia e fonoaudiologia”, explica o cirurgião plástico.

Ele ressalta, porém, que o ideal é que o paciente seja operado até os 2 anos e meio de idade. Depois disso, alguns resultados podem ficar comprometidos, como a fala, que acaba sendo prejudicada pela fissura.

Por falta de informação e oportunidade, Elivânia Alves será operada agora, aos 23 anos de idade. A fala foi prejudicada pela abertura no céu da boca. A filha, que está com 1 ano de idade, nasceu com o mesmo problema e, diferentemente dela, já começou o acompanhamento médico e assim que atingir a idade será operada.

REFERÊNCIA – O Hran é referência para o Centro-Oeste no trato da fissura labiopalatal. Por semana, aproximadamente 120 pacientes são atendidos a nível ambulatorial. “Tem consulta todos os dias, mas a concentração do atendimento é às segundas-feiras, quando todos os profissionais que fazem parte do processo estão no hospital e o paciente já passa por todos eles”, conta Marconi Delmiro. Em média, são realizadas cinco cirurgias semanalmente.

A equipe, multidisciplinar, é formada por enfermeiro, pediatra, nutricionista, psicólogo, fonoaudiólogo, otorrinolaringologista, cirurgiões crânio-maxilo-facial e buco-maxilo-facial, ortodontista, odontopediatra, serviço social e um grupo de apoio voluntariado. “Com a implantação do serviço, conseguimos diminuir os custos da Secretaria de Saúde, que não precisa mais pagar pelo tratamento fora de Brasília”, destaca Delmiro.

Para ter acesso ao serviço, é preciso antes procurar um centro de saúde para uma consulta com um pediatra, que dará o encaminhamento para o setor de marcação. A solicitação de primeira vez é inserida no Sistema de Regulação. Os retornos já são marcados pelo próprio Hran.

Quando o paciente vem de fora do DF, é acolhido e feita uma avaliação, para depois ser atendido. O pequeno Goarlison Nogueira, de 7 meses, veio da Bahia com a mãe, Sara Nogueira, especificamente para tratar o lábio leporino e já está com a primeira cirurgia agendada. “Logo quando ele nasceu, já me falaram da necessidade da cirurgia. Quando busquei saber onde poderia fazer, me indicaram logo Brasília”, conta.

EVENTO – Em outubro, o Hran vai receber um evento promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, para atender pacientes que precisam de intervenção reconstrutiva. Segundo Marconi Delmiro, a expectativa é que 40 crianças sejam operadas entre os dias 12 e 16 de outubro, durante a Campanha Nacional Fissura Lábio Palatina. “Atualmente nossa fila de espera para cirurgia é de 150 crianças. Com o evento, vamos ajudar a diminuir essa demanda”, observa o coordenador.