Governo do Distrito Federal
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19/10/21 às 11h20 - Atualizado em 19/10/21 às 20h16

DF tem laboratório de diagnóstico de raiva que é referência para outras unidades federativas

Unidade funciona na gerência de zoonoses e tem papel fundamental para realizar a vigilância laboratorial da doença no DF

 

JURANA LOPES | EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA |DA AGÊNCIA SAÚDE-DF

 

Muitos desconhecem, mas a Secretaria de Saúde do Distrito Federal possui um Laboratório de Diagnóstico de Raiva, que foi criado em 1978, quando ocorreu o único caso de raiva humana no Distrito Federal. O local fica dentro da Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses e é macro referência para o diagnóstico da doença no DF, cidades do Entorno e nos estados de Rondônia e Tocantins.

 

Unidade funciona desde 1978 – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

“No Distrito Federal, o único caso da raiva humana foi registrado em 1978, como resultado bem-sucedido do Programa Nacional de Profilaxia da Raiva Humana. O último caso diagnosticado de raiva em cães foi em 2000 e, em gatos, no ano de 2001. O vírus rábico circula no DF em quirópteros, nos bovinos, equídeos e outros animais”, explica o médico veterinário e gerente substituto da Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses, Laurício Monteiro.

 

O Laboratório de Diagnóstico de Raiva é um local de biossegurança nível 3, com acesso permitido somente às pessoas autorizadas e aos profissionais que trabalham no local. Lá, são realizados dois tipos de provas diagnósticas para detecção da raiva, a técnica da imunofluorescência direta e a prova biológica.

 

Em seres humanos vivos, o diagnóstico é feito por meio de amostra de saliva, impressão de córnea, raspado de mucosa de língua, folículos pilosos e líquor, que são enviados ao laboratório Pasteur. Se for após a morte, é coletada parte do cérebro dessa pessoa e enviada para o Laboratório de Diagnóstico de Raiva. No Programa Nacional de Profilaxia da Raiva, o objetivo é diminuir número de casos e óbitos pela doença. Os testes laboratoriais in vivo e pós morte podem ser realizados em todas espécies, inclusive em humanos.

 

Acesso ao laboratório é restrito devido ao risco para a saúde – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

O Programa Nacional de Profilaxia da Raiva Humana, do Ministério da Saúde, é voltado para combater a raiva no país. O Laboratório de Diagnóstico de Raiva faz a parte da vigilância laboratorial. Entre as vertentes do programa estão: a campanha de vacinação antirrábica em massa de cães e gatos. Pré e pós-exposição por intermédio da vacinação de humanos agredidos por algum animal e profissionais que trabalham diretamente com animais. Além da internação e tratamento a paciente com diagnóstico de raiva.

 

Segundo Laurício, o programa tem a importância de prevenir casos e óbitos por raiva. A vacinação de cães e gatos e a vigilância de diagnóstico da raiva são medidas importantes de vigilância no controle da raiva. Por sua vez, a vigilância laboratorial tem o objetivo de diagnosticar e identificar como está a circulação de vírus e a tipificação dele.

 

“Então, com o advento das campanhas de vacinação antirrábica de cães e gatos, somadas à vigilância laboratorial, eu posso afirmar categoricamente que o vírus não circula na população de cães e gatos do DF. Os tutores de cães e gatos devem levar seus animais para serem vacinados nas campanhas e em clínicas veterinárias, para manutenção do status livre da raiva em cães, gatos e humanos no Distrito Federal”, explica Laurício.

 

Materiais são analisados no laboratório para verificar a presença do vírus da raiva – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

De acordo com o subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero, o Laboratório de Diagnóstico de Raiva é referência e requer muita atenção e cuidado, com circulação interior restrita a pessoas altamente capacitadas, considerando seu alto nível de contaminação.

 

“A Vigilância Ambiental de Zoonoses, além de cumprir seu papel de laboratório e canil de saúde pública, faz o diagnóstico do vírus da raiva em todos os animais suspeitos. Por isso, o Laboratório de Diagnóstico de Raiva não deve ser acessado por pessoas sem autorização”, afirma.

 

Por conta disso, a Subsecretaria de Vigilância à Saúde (SVS), a Subsecretaria de Gestão de Pessoas (Sugep) e a Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) vão criar uma regulamentação junto à Gerência de Voluntariado para determinar os horários e dias úteis em que voluntários poderão contribuir com a Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses, e haverá as atividades pré-estabelecidas pela direção da Zoonoses, já que as pessoas que forem autorizadas a apoiar com algumas atividades com os cães e os gatos no local devem ter tomado a vacina antirrábica, ter exames de titulação da raiva, vacina contra a covid-19, caderneta de vacinação atualizada para adulto, seguro de vida, além de outras vacinas e outros critérios.

 

Laboratório de Raiva funciona na Diretoria de Vigilância Ambiental – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

 

Raiva

 

Dentre as doenças infecciosas de origem viral, a raiva é a única em relação a seu alcance e ao número de vítimas que pode gerar uma encefalite aguda capaz de levar as vítimas ao óbito em praticamente 100% dos casos. A doença acomete todas espécies de mamíferos, inclusive seres humanos.

 

O vírus da raiva fica presente na saliva de animais infectados e é transmitido principalmente por meio de mordeduras e, eventualmente, pela arranhadura e lambedura de mucosas ou pele lesionada.

 

Sinais clínicos suspeitos de raiva no cão, gato, morcego, equinos, bovinos, animais silvestres entre outros animais mamíferos.

 

Quando o animal está infectado com o vírus da raiva animal pode tornar-se agressivo, mordendo pessoas, animais e objetos, ou ficar triste, procurando lugares escuros; O latido torna-se diferente do normal; Fica de boca aberta e com muita salivação; Recusa alimento ou água, apresenta dificuldade de engolir (parecendo engasgado); Fica sem coordenação motora, passa a ter convulsões, paralisia das patas traseiras (como se estivesse descadeirado); paralisia total e morte.

 

 

O que fazer ao ser mordido por um animal

 

Mesmo que o animal seja vacinado, é necessário lavar imediatamente o ferimento com água e sabão em barra; procurar uma unidade básica de saúde (UBS); comunicar à Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde, pelo telefone (61) 2017-1342 ou ao Disque Saúde – 160 pelo e-mail: zoonosesdf@gmail.com.

 

Além disso, não matar o animal agressor. Deixá-lo em observação durante dez dias, em local seguro, para não fugir nem atacar pessoas ou outros animais. Ele deve receber água e comida normalmente. Nesse caso o animal deverá ser observado por um médico veterinário para acompanhamento clínico. É importante verificar se ele apresenta algum sinal suspeito de raiva (alteração de comportamento). Caso não seja possível observar o animal em casa, deve-se encaminhá-lo ao canil da Gerência de Vigilância Ambiental Zoonoses (GVAZ), da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde, da Secretaria de Saúde.

 

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