Governo do Distrito Federal
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24/06/20 às 9h20 - Atualizado em 24/06/20 às 10h41

Dia da Fissura Labiopalatina reforça importância do tratamento e da conscientização

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No DF, atendimento inicial tem sido feito no Adolescentro e as cirurgias, no HCB

 

LEANDRO CIPRIANO, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

Fotos: Geovana Albuquerque/Agência Saúde

Nesta quarta-feira (24) é celebrado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina. A comemoração reforça a importância do tratamento nos primeiros meses de vida, além de lembrar as pessoas sobre essa malformação, que atinge uma em cada 650 crianças nascidas no Brasil. A incidência no Distrito Federal segue a mesma média nacional.

 

A fissura labiopalatina acomete lábio, céu da boca (palato), musculatura, mucosa e, muitas vezes, o osso. As principais implicações que podem trazer ao indivíduo são dificuldade na alimentação, na respiração, alterações na arcada dentária, comprometimento do crescimento facial e do desenvolvimento da fala e da audição. Sem mencionar as questões psicológicas decorrentes do bullying.

 

“O objetivo dessa data é conscientizar e deixar a sociedade mais informada sobre as questões trazidas por esse problema, lembrando que é a segunda malformação que mais acomete o ser humano no mundo. Somente no Brasil, em torno de cinco mil crianças nascem com ela, por ano”, informou o médico e Referência Técnica Distrital de Atendimento a Fissurados, Marconi Delmiro.

 

O especialista está à frente do tratamento na rede pública do Distrito Federal. Um de seus pacientes é o pequeno Anthony Adryel, de apenas seis meses. Com problemas para mastigar o alimento devido à malformação, sua mãe, Maria Gerônimo da Silva, buscava o tratamento dele há meses. Para ela, a oportunidade de o filho ser atendido foi uma grande conquista.

 

“Ele tinha problemas e se engasgava a noite. Com as consultas e as cirurgias, é mais um passo que damos no tratamento para ele melhorar. Graças a Deus conseguimos, e somos muito bem atendidos”, elogiou a mãe.

 

TRATAMENTO – O início do tratamento é definido a depender do diagnóstico. As primeiras cirurgias são realizadas entre quatro e seis meses de vida, antes mesmo de a criança aprender a falar, para que seja incluída na sociedade já habilitada e apta a conviver socialmente, com a fala compreensível.

 

Segundo Marconi Delmiro, o objetivo principal do tratamento nos primeiros meses é evitar problemas em funções básicas, como alimentação e respiração, além de impedir futuras sequelas, tanto físicas como psíquicas, uma vez que a malformação pode prejudicar a vida do paciente.

 

“Na primeira fase, o principal é garantir que a criança consiga se alimentar direito, seja se amamentando ou por mamadeira. Mas também é importante que as crianças sejam submetidas ao tratamento antes da fase escolar para garantir o melhor convívio social e iniciar a aprendizagem da fala sem sequelas, como a voz nasalada”, ressaltou.

 

Em média, um paciente pode passar por cinco a seis procedimentos cirúrgicos ao longo da vida, que podem durar até a adolescência, a depender da gravidade da situação. “É um tratamento longo, complexo e caro. Quanto mais tempo passa sem fazer, mais custo tem. Por isso é importante dar toda a assistência necessária no tempo certo”, destacou o especialista.

 

Para Suiane Duarte e Daniel Willian, pais da pequena Eloah, esse tratamento logo no início foi essencial para sua filha, que hoje consegue se alimentar melhor. Há dois anos sendo acompanhada pela equipe chefiada por Marconi Delmiro, ela já não tem mais as malformações no lábio, depois que passou pela primeira cirurgia.

 

“Tudo isso foi muito importante para nós. A equipe é maravilhosa e deu todo o suporte necessário, e a Eloah já está no 12º dia de recuperação após a cirurgia. Agradeço muito ao trabalho de todos vocês”, comentou Suiane. “Gratidão eterna para esses profissionais”, completou Daniel.

 

NOVO FLUXO – O tratamento no DF costumava ser oferecido pela rede pública de saúde no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), unidade referência neste tipo de atendimento. Contudo, devido ao momento singular trazido pela pandemia, o hospital ficou exclusivo para atender pacientes com a Covid-19 e queimados.

 

Por isso, os serviços agora são ofertados em dois locais. Depois que procuram as unidades básicas de saúde (UBS), os pacientes são referenciados para o atendimento ambulatorial no Adolescentro, onde são realizadas as consultas pré-cirúrgicas enquanto equipes multidisciplinares fazem o acompanhamento. Nelas, é avaliado se os pacientes estão aptos a fazerem os procedimentos cirúrgicos no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB).

 

Toda segunda-feira, das 14h às 19h, pacientes e familiares têm à disposição no Adolescentro uma equipe multidisciplinar formada por uma junta médica composta por cirurgião plástico, fonoaudiologista e ortodontista. “Após essa avaliação, as crianças são encaminhadas a outros especialistas. Mas esse primeiro contato é importante porque é possível discutir o caso com toda a equipe, oferecendo mais acolhimento”, comentou Marconi Delmiro.

 

De segunda a sexta-feira, o Adolescentro também oferece os serviços de outros especialistas, como nutricionistas e psicólogos, que ajudam a definir o protocolo de atendimento para os pacientes com fissura labiopalatina e seus familiares.