Governo do Distrito Federal
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27/05/20 às 8h30 - Atualizado em 28/05/20 às 9h55

Farmácia Viva amplia distribuição de chá de Guaco para alívio da tosse

Fitoterápico ajuda a expectorar e combater problemas respiratórios como a gripe

 

ÉRIKA BRAGANÇA, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

Foto: Divulgação/SES

Com a chegada do período frio e seco característico no DF na qual aparecem as síndromes respiratórias, a gerência do Componente Básico da Assistência Farmacêutica e o Núcleo de Farmácia Viva do Riacho Fundo I ampliaram a distribuição do Chá de Guaco com foco no paciente diabético. O composto já conhecido pelo Xarope de Guaco pode trazer uma melhora significativa no tratamento às complicações do trato respiratório.

 

Anteriormente, apenas 20 unidades básicas de Saúde eram cadastradas para pegar o material, agora, já possui mais de 14 solicitações do chá e todas as 172 UBSs e 595 equipe atuantes na Estratégia Saúde da Família poderão ter esse reforço e acesso em seu acervo de medicação. Cada UBS poderá agendar para buscar o produto na Farmácia Viva do Riacho Fundo I, localizada no Instituto de Saúde Mental (ISM).

 

De olho no aumento das doenças que atingem o trato respiratório, na Covid-19 que tem como um dos principais sintomas a tosse e têm como grupo de risco os pacientes diabéticos, a Gerência do Componente Básico da Assistência Farmacêutica anunciou o uso e oferta do chá às superintendências de Saúde. Nilton Luz, farmacêutico e chefe do Núcleo de Farmácia Viva do Riacho Fundo I, apoiou a proposta e tem buscado incrementar a produção do Guaco para ampliar a oferta do produto.

 

Com isso, até o momento, já foram produzidos, só nos últimos três meses mais de 450 unidades de 30g para o tratamento. Número bem maior relativo aos dados anual de 2019. Nilton destaca a forma de administração do chá a mais indicada porque ajuda na hidratação do paciente. Para ter uma ideia, 1 kg de guaco seco pode-se produzir 30 pacotinhos. A equipe conseguiu a colheita de 110 kg de Guaco, o que representa 14 kg secos para embalar.

 

“A planta possui um alto poder de combater problemas do trato respiratório e de alívio ao sintoma da tosse, ajudando inclusive a expectorar a secreção. Focamos nesse momento na ampliação do chá, principalmente ao diabético, porque não possui açúcar e conseguimos produzir com o material que já temos. Esse público tem sido o grupo de risco da Covid-19 também. Então, estamos dando prioridade para isso. Ganhamos o selo Covid-19 também para os nossos processos de compra e conseguiremos ampliar em paralelo a produção do xarope”, destacou Luz.

 

O paciente com sintoma de tosse pode solicitar a prescrição do produto pelo profissional da saúde, são eles: médico, enfermeiro, farmacêuticos e nutricionistas. Conheça a lista de fitoterápicos produzidos pela SES/DF e disponíveis à população: Guia Fitoterápicos Oficinais do Núcleo de Farmácia Viva – 8ª edição – 2018.

 

PIONEIRISMO – Há décadas a Secretaria de Saúde do DF (SES/DF) distribui o composto feito da planta Mikania laevigata. Esta é uma das espécies de Guaco que foi pesquisada pela Embrapa e a SES/DF e possui uma grande quantidade concentrada de Cumarina princípio ativo que ajuda no combate à tosse com secreção. Em 30 anos, não foi registrado nenhum evento adverso como intoxicação e tem sido, portanto, prescrita de forma segura pelos profissionais de saúde.

 

Além disso, possui um custo sustentável de produção na SES/DF. A planta é cultivada na Farmácia Viva do RF I, Cerpis – Planaltina, Floresta Verde do Lago Norte, Embrapa Cerrado-Planaltina e na Papuda fazendo parte das atividades de reeducação e ressocialização dos presos. Todo o processo de produção e empacotamento acontece na Farmácia Viva do Riacho Fundo I sem nenhuma intervenção industrial. Seu revestimento é feito ainda por papel pardo especial que evita o contato com o sol para não perder a qualidade.

 

Marcos Trajano, médico de família, e referência técnica em Fitoterapia na SES, destaca os benefícios da planta e as diversas formas que a SES/DF oferece à população. É produzido o xarope, o chá em sachês, a tintura de Guaco e a forma fresca também. Para o xarope, em especial, pontua que toda a produção é validada pelo centro de qualidade técnica do Laboratório Central do DF. Ressalta ainda que o lançamento e a qualidade do produto na SES/DF é sem precedentes, pois o DF foi o primeiro a engajar nacionalmente nessa linha de Fitoterápicos.

 

“Temos um produto de primeiríssima linha sendo oferecido à população do DF de forma gratuita. É uma solução que age de forma eficiente contra a tosse com secreção e sem efeitos colaterais ou acidentes relatados. Oferecemos ainda a planta seca ou fresca para ser feito o chá. Afinal, pacientes com diabetes não podiam pegar o xarope por causa do açúcar que ajuda a conservar o produto. Os colegas podem receitar os produtos para todos os casos de tosse com secreção que o paciente notará um alívio considerável no desconforto que o ato de tossir causa”, declarou.

 

PROJETOS FUTUROS – A área fechou a parceria com o Ministério da Saúde para ampliação para a produção do xarope sem açúcar. A expectativa é ter mais 30 mil frascos mensais disponíveis à população, além dos que já são produzidos pela SES. Outra novidade da área é o fechamento da parceria com a Fiocruz e Unicamp para a realização da Especialização em Plantas Medicinais. Serão dois anos de curso que terá a seleção dos públicos servidores da saúde, pesquisadores, trabalhadores rurais e presidiários que hoje atuam na produção de plantas na Papuda. Tudo para ampliar o conhecimento e a produção de plantas medicinais no DF.