Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
17/06/14 às 12h22 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Gagueira: causas, sintomas e tratamento

Disfunção ocorre com maior frequência na infância

Gagueira ocorre com maior frequência na infância, entre 18 meses e sete anos, podendo surgir até os 12 anos. Em mais de 60% dos casos, a gagueira melhora espontaneamente até um ano após manifestação dos primeiros sintomas. Trata-se de um transtorno de fluência caracterizado por uma disfunção do controle motor e temporal da fala. Caracteriza-se por repetições de palavras, sílabas ou sons, por prolongamentos, bloqueios e pausas longas. Atualmente são reconhecidos dois tipos: a adquirida (neurogênica), associada com distúrbios neurológicos como traumatismo craniano e Acidente Vascular Cerebral (AVC); e a do desenvolvimento, tipo mais comum.

Na Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), os casos de gagueira na faixa etária de zero a 18 anos são encaminhados ao Centro de Orientação Médico Psicopedagógica (COMPP). Para os adultos, o atendimento em Fonoaudiologia ocorre no Hospital de Base (HBDF). O acolhimento no COMPP é feito nas segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras, com a entrega de seis senhas pela manhã, a partir das 7h, e seis senhas no período da tarde, às 13h. O responsável deve levar certidão de nascimento e cartão de vacina da criança, além do comprovante de residência. Nesse contato prévio, o profissional de saúde faz o encaminhamento para o setor específico, que realizará a primeira avaliação e acompanhamento do paciente. Conforme o caso, o paciente recebe assistência do fonoaudiólogo, psicólogo, neurologista e psiquiatra.

Segundo a chefe no Núcleo de Fonoaudiologia da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), Christianny França existem várias teorias ou correntes que tentam explicar a causa da gagueira. “Estudos recentes consideram que sua origem seja multifatorial, fortemente ligada aos fatores genéticos e biológicos, mas não descartam os aspectos psicossociais que envolvem o sujeito”, complementa.

A especialista afirma ainda que não se trata de um distúrbio mental nem comportamental. “A gagueira é involuntária. Problemas emocionais isolados não são a causa, apesar de contribuírem para seu aparecimento, perpetuação e agravamento”, acrescenta Christianny.

Indivíduos que gaguejam podem ser propensos a se sentirem inseguros e nervosos. “Contudo, essas características estão mais relacionadas com os insucessos ocorridos em suas experiências comunicativas, do que com a causa da gagueira”, comenta a fonoaudióloga.

“Os pais não têm como identificar se as alterações de fluência que seus filhos apresentam irão desaparecer ou persistir. Por esse motivo, se em aproximadamente seis meses o padrão de fala da criança não apresentar evolução, recomenda-se que os pais procurem um especialista, fonoaudiólogo ou psicólogo”, esclarece.

Fatores de risco como existência de outros familiares com gagueira, sexo masculino, complicações durante o parto, traumatismos, dentre outros, também indicam que deve ser dada atenção especial à criança que gagueja. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhores serão os resultados obtidos.

O tratamento pode ocorrer de duas formas: direta e indireta. A primeira é a terapia fonoaudiológica propriamente dita e realizada com a criança. Na segunda, busca-se trabalhar as percepções e modificações na mudança de ambiente por meio de orientações aos pais.

A coordenadora de Fonoaudiologia do COMPP, Vanessa David Rocha, alerta para a intervenção precoce. “É importante que o responsável pela criança procure atendimento o mais cedo possível, a fim de evitar o sofrimento emocional. Crianças que apresentam esse distúrbio geralmente sofrem bullying e estão propensas ao isolamento social, o que pode refletir na comunicação delas. Infelizmente, os pacientes chegam à unidade com um quadro bem avançado”, relata. 

Orientações importantes para entender e atenuar a disfluência:

– Ouça a fala de sua criança com atenção;

– Seja um bom modelo de fala;

– Seja tolerante, promova experiências agradáveis de fala, auxilie a criança a expressar seus sentimentos;

– Diminua a pressão do tempo na comunicação. Fale mais devagar com a criança, dê a ela tempo e não a interrompa;

– Aceite a criança que gagueja, converse com ela a respeito “da fala que parece difícil”, e a oriente direta e calmamente. Evite dizer “pare”, “respire”, “fale devagar”. Tente reduzir os medos e as frustrações.

Mais informações pelo telefone 3326-3346.

Patrícia Kavamoto, da Agência Saúde DF