Governo do Distrito Federal
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13/03/20 às 20h10 - Atualizado em 16/03/20 às 16h07

GDF anuncia novas medidas para enfrentamento do Covid-19

Contratação de profissionais e aquisição de equipamentos para UTI estão entre elas

 

O Governo do Distrito Federal publicou, em edição extra do Diário Oficial desta sexta-feira (13), o decreto que cria o grupo executivo para o desenvolvimento de ações de prevenção e mitigação ao Covid-19 e à dengue, e adota medidas de contenção e enfrentamento de ambas as enfermidades.

 

Entre elas estão a possibilidade de contratação de profissionais sem processo seletivo e a aquisição de equipamentos sem necessidade de licitação. “Vamos convocar servidores aposentados e também os aprovados em concursos vigentes, utilizando a lista de cadastro reserva. Havendo necessidade, faremos contratação direta”, destacou o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, durante entrevista coletiva para apresentação das novas ações.

 

Serão chamados 30 médicos intensivistas, 20 pneumologistas, 20 infectologistas, 100 clínicos, 100 enfermeiros, 40 cirurgiões gerais, 20 anestesistas e 20 traumatologistas. Eles serão distribuídos por todos hospitais, de acordo com a necessidade do atendimento.

 

O secretário-adjunto de Assistência, Ricardo Tavares, ressaltou que há uma semana a pasta já fez a convocação de 126 médicos de família e de 40 enfermeiros de família, para reforçar o atendimento na atenção primária, fator importante para este período entre março e abril, considerado de sazonalidade para doenças respiratórias. Além disso, outros 51 anestesistas também foram nomeados. Todos estes profissionais devem entrar em exercício em abril.

 

EQUIPAMENTOS – Para reforço da rede, também serão adquiridos equipamentos para as unidades de terapia intensiva (UTI). Serão 400 camas com colchão, 200 respiradores, 40 aparelhos de ultrassom, 200 monitores, 800 bombas de infusão e dois tomógrafos por impedância por hospital. “Estamos analisando o que será mais viável, se por compra ou aluguel”, acrescentou Okumoto.

 

As ações de vigilância também serão reforçadas no aeroporto, com a utilização de dois equipamentos que têm sido utilizados na Coreia do Sul. Um deles faz a captação de ar dentro do avião e fará a dosagem específica do vírus. Em duas horas e meia será possível confirmar ou não se tem algum paciente com o vírus. O outro será um aparelho de infravermelho, adquirido na época da Copa do Mundo, que detecta a temperatura das pessoas. Ambos estão sob a responsabilidade do Corpo de Bombeiros.

 

Segundo o chefe da Casa Civil, Valdetário Monteiro, a criação do grupo executivo, formado por diversos órgãos do GDF, pretende evitar o crescimento de casos de coronavírus no Distrito Federal e também a correria, sem necessidade, aos hospitais. “Esse trabalho já tem colocado o DF a frente de outros estados para prevenir a multiplicação dos casos”, complementou.

 

O grupo executivo é formado pela Casa Civil; Consultoria Jurídica da Governadoria do DF; Procuradoria-Geral do DF; Secretaria de Saúde; Secretaria de Segurança Pública; Secretaria de Comunicação; Corpo de Bombeiros Militar do DF; E Instituto de Gestão de Saúde (Iges-DF)

 

 

ATENDIMENTO VOLANTE – Na quinta-feira (12), o GDF determinou a criação de sete equipes volantes para atender casos suspeitos de ocorrência do vírus. Cada uma delas será formada por um médico, um enfermeiro e um técnico de enfermagem. Eles farão os deslocamentos pelo Distrito Federal de ambulância. Estão sendo adquiridas sete ambulâncias para desenvolver este trabalho.

 

A pessoa que apresentar sintomas suspeitos do coronavírus deverá ligar para os números 190, 193 e 199 e informar sua situação. Os atendentes irão esclarecer dúvidas e encaminhar para atendimento ou coleta, se necessário.

 

“A coleta em domicílio só será feita em casos de pacientes que apresentarem sintomas, como febre, tosse e desconforto respiratório, que se encaixarem no perfil epidemiológico de casos suspeitos. Estando neste perfil, a equipe irá até a residência da pessoa para coletar exame dele e de todos da casa”, explicou Ricardo Tavares.

 

Caso haja necessidade de internação, a equipe volante levará o paciente para a unidade hospitalar adequada, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Se o caso suspeito não necessitar de internação, a recomendação é que a pessoa permaneça isolada em sua residência.

 

AULAS – Na última quarta-feira (11), o GDF publicou um decreto suspendendo, por cinco dias, aulas em escolas e faculdades, públicas e privadas, bem como a realização de eventos que exijam licença do governo. A suspensão vale até a próxima segunda-feira (16).

 

Segundo Osnei Okumoto, ainda não há como prever se haverá extensão deste prazo. “Isso depende da evolução dos casos, se teve aumento ou diminuição de suspeitos ou confirmação de casos positivos”, disse.

 

CASOS –  O último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde aponta 75 casos em investigação, entre eles o de uma médica da pasta, que está afastada do trabalho. Ela teve contato com uma irmã, que chegou de uma viagem pela Europa e apresentou sintomas.

 

O DF continua com dois casos confirmados, uma mulher de 52 anos, internada em estado grave no Hospital Regional da Asa Norte, e o marido dela, isolado em casa. Um terceiro caso apresentou resultado positivo no primeiro exame, uma segunda coleta deu inconclusiva e uma terceira amostra foi coletada e a Secretaria aguarda resultado.

 

“Seguimos monitorando os casos, seguindo o protocolo. É importante dizer que todas as ações desenvolvidas aqui seguem as recomendações do Ministério da Saúde. A partir do momento em que se constitui uma nova fase, será necessário ajuste em alguma medida”, disse o sanitarista e porta voz da Secretaria de Saúde para o coronavírus, Eduardo Hage.

 

Pelo protocolo, todas as pessoas que se encaixam em casos suspeitos e apresentam sintomas são monitoradas e orientadas a ficarem em isolamento doméstico.

 

CASOS PARA ATENDIMENTO VOLANTE

 

– Situação 1 (viajante): pessoa que apresente febre e pelo menos um dos sinais ou sintomas respiratórios (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de oxigênio no sangue (taxa inferior a 95%), sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia) e com histórico de viagem para país com transmissão sustentada ou área com transmissão local nos últimos 14 dias;

 

– Situação 2 (contato próximo): pessoa que apresente febre ou pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de oxigênio no sangue (taxa inferior a 95%), sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia) e histórico de contato com caso suspeito ou confirmado para Covid-19, nos últimos 14 dias;

 

– Situação 3 (contato domiciliar): pessoa que manteve contato domiciliar com caso confirmado por Covid-19 nos últimos 14 dias e que apresente febre ou pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de oxigênio no sangue (taxa inferior a 95%), sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia). Nesta situação é importante observar a presença de outros sinais e sintomas como: fadiga, mialgia/artralgia, dor de cabeça, calafrios, manchas vermelhas pelo corpo, gânglios linfáticos aumentados, diarreia, náusea, vômito,desidratação e inapetência.

 

 

Alline Martins, da Agência Saúde

Fotos: Geovana Albuquerque, da Agência Saúde