Governo do Distrito Federal
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3/01/20 às 15h55 - Atualizado em 3/01/20 às 15h58

Hemofilia atinge 350 mil pessoas no mundo

Doença é hereditária e incidência é maior em homens

 

Uma doença predominantemente masculina, a hemofilia atinge cerca de 350 mil pessoas no mundo inteiro. A doença, hereditária, prejudica a capacidade do corpo humano em controlar a circulação do sangue, além de dificultar o processo da coagulação, que é usado para conter hemorragias. Apesar de não ter cura, tem tratamento.

 

Na rede pública do Distrito Federal, o Hemocentro é o centro de referência neste sentido. Atualmente, 600 pacientes são atendidos no Ambulatório de Coagulopatias da unidade, sendo 253 portadores de Hemofilia A e B. O atendimento é multiprofissional, que consiste em atenção hematológica, ortopédica, fisioterápica, além de psicologia, odontologia, assistente social, enfermagem e farmacêutica.

 

“O paciente com hemofilia, atualmente, tem uma excelente condição de vida, desde que faça a profilaxia corretamente. Quando o paciente tem adesão ao tratamento, não tem prejuízos nas suas atividades diárias, sejam escolares ou profissionais”, destaca a hematologista e gerente do Ambulatório de Coagulopatias Hereditárias do Hemocentro, Melina Belintani Swain.

 

O tratamento das hemofilias tem como principal pilar a reposição do fator da coagulação deficiente. A reposição do fator de coagulação deficiente pode ser através da profilaxia e consiste no uso regular de concentrados de fator de coagulação a fim de manter os níveis de fator suficientemente elevados, mesmo na ausência de hemorragias, para prevenir os episódios de sangramentos.

 

DOENÇA –  A prevalência estimada da hemofilia é de aproximadamente um caso em cada cinco mil a 10 mil nascimentos do sexo masculino para a hemofilia A, e de um caso em cada 30 mil a 40 mil nascimentos do sexo masculino para a hemofilia B. A hemofilia A é mais comum e representa cerca de 80% dos casos.

 

“A apresentação clínica das hemofilias A e B é semelhante, caracterizada por sangramentos intra articulares (hemartroses), hemorragias musculares ou em outros tecidos ou cavidades. As hemartroses afetam mais frequentemente as articulações do joelho, tornozelo, cotovelo, ombro e coxofemoral”, explica Melina Belintani Swain. Ela complementa que os episódios de hemorragia podem surgir espontaneamente ou após traumas.

 

Segundo a médica, o diagnóstico de hemofilia deve ser pensado sempre que há história de sangramento fácil após pequenos traumas, ou espontâneo, podendo ser hematomas subcutâneos nos primeiros anos de vida, ou sangramento muscular e/ou articular em meninos acima de dois anos, ou mesmo com história de sangramento excessivo após procedimentos cirúrgicos ou extração dentária.

 

“As hemofilias são transmitidas quase que exclusivamente a indivíduos do sexo masculino por mães portadoras da mutação (cerca de 70% dos casos).  Porém, em cerca de 30% dos casos, a doença origina-se a partir de uma mutação de novo, fenômeno que pode ocorrer na mãe ou no feto”, explica.

 

DIA DO HEMOFÍLICO – No mundo, o Dia Internacional do Hemofílico é lembrado em 17 de abril. No Brasil, porém, o dia 4 de janeiro também é reservado a falar da doença, em homenagem ao cartunista Henfil, que faleceu nesta data, em 1988. Assim como ele, seus irmãos Betinho, como era conhecido o Sociólogo Herbert de Souza, e o músico Chico Mário, eram hemofílicos.

 

Agência Saúde