Governo do Distrito Federal
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16/12/19 às 16h57 - Atualizado em 16/12/19 às 19h49

HRC reduz superlotação e média de dias de internação

Ações visam a oferecer atendimento mais humanizado e em menor tempo

 

O Hospital Regional de Ceilândia teve, nesta segunda-feira (16), o encerramento da primeira etapa da implementação do Projeto Lean, executado em parceria com o Ministério da Saúde e o Hospital Sírio Libanês. Foram 10 visitas técnicas do hospital privado ao da rede pública, para estudo situacional, com o levantamento dos principais fatores implicados no fenômeno da superlotação do pronto-socorro adulto.

 

Na ocasião, foram apresentadas as principais ferramentas relacionadas à metodologia Lean, como mapa de fluxo de valor, levantamento de indicadores de superlotação, tempo de atendimento porta-médico, tempo de passagem do paciente e tempo médio de permanência. Foi realizado, também, um levantamento dos principais processos de trabalho e observação dos fatores de impacto na redução desses índices relacionados à superlotação.

 

“Dessa discussão, foi elaborado um plano de ação a ser desenvolvido por todos os setores relacionados ao projeto, sendo as ações de maior impacto para os resultados a realização de uma reunião, às 10h e às 16h, na Sala de Situação para o check-list dos itens fundamentais ao bom funcionamento do serviço. A partir dos dados levantados, parte-se para ações concretas de soluções de pendência”, explica a médica Virginia Pimental, coordenadora do projeto.

 

Ela complementa que foram adaptados fluxos de atendimento com abertura de sala de decisão clínica para um diagnóstico multiprofissional, definição de condutas e tomadas de decisão para internação ou alta, após a observação do paciente por um período máximo de 12h. Além disso, teve a abertura da Sala Dia, para atendimento de pacientes que permanecem somente o período necessário para a administração de medicações antibióticas sem necessidade de internação. “Também temos a sala de alta, para a liberação mais rápida do leito enquanto o paciente aguarda seu resgate pelos parentes”, destaca.

 

MUDANÇAS – A metodologia Lean no HRC começou a ser usada em julho deste ano. Entre as evidências de que tem dado certo está a redução da média de tempo de internação, que caiu de 13 para oito dias, e a redução da superlotação no serviço de urgência, que diminuiu em 27%.

 

“O Projeto Lean foi muito bem recebido aqui. Abrimos as portas e discutimos sobre as ações de melhorias. Com isso, o nosso giro de leito saiu de 15 para oito dias de internação. Esse desempenho faz com que se ofereçam mais vagas para pacientes serem internados, caso seja necessário. Além disso, estamos esvaziando os corredores do hospital e agindo para que o tempo de mobilização do paciente do pronto-socorro, para exames ou cirurgias, seja otimizado. Toda a equipe está mobilizada e empenhada para alcançarmos novas melhorias”, ressalta o superintendente da Região de Saúde Oeste, Roberto Côrtes.

 

Os avanços já estão sendo sentidos por pacientes e acompanhantes que utilizam os serviços do hospital. É o caso da filha da Leonísia Marques, 95 anos, que precisou da assistência do HRC.

 

Antônia Marques fez questão de elogiar o tempo de acolhimento da mãe após chegar ao pronto-socorro. “O atendimento me surpreendeu. Eu tinha outra impressão quanto ao atendimento no Hospital de Ceilândia. Fomos bem acolhidas. Foi tudo muito rápido”, confirmou.

 

PROJETO – O Hospital Regional de Ceilândia foi um dos selecionados para participar do projeto Lean, que objetiva reduzir a superlotação nas urgências e emergências a partir da otimização do tempo e da agregação de valor ao processo de trabalho em forma de rede de atendimento. Atualmente, 50 unidades por todo o país participam.

 

Os critérios de elegibilidade estabelecidos para participar do projeto são, por exemplo, ter mais de 150 leitos, possuir gestão de leitos, ter unidade de terapia intensiva e possuir classificação de risco, entre outros.

 

INFRAESTRUTURA – Além da criação de novas salas, há uma orientação quanto à agilidade na realização de exames essenciais à resolutividade do diagnóstico; à busca por um ambiente de trabalho mais acolhedor para que os profissionais ofereçam um melhor cuidado ao usuário; e à oferta de uma assistência integral e humanizada.

 

O plano de atendimento do paciente foi otimizado. Houve a redução do fluxo e, com isso, há mais tempo a ser dedicado a cada paciente. As pendências são resolvidas com maior rapidez.

 

LEAN – Em tradução livre, Lean quer dizer “enxuto”. Baseada em uma filosofia de melhoria de processos de trabalho e oferta da assistência com foco em tempo e valor. O principal processo abordado da metodologia Lean, no HRC, foi a implementação do método japonês dos 5S: Seiri (classificação), Seiton (ordem), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização), Shitsuke (disciplina).

 

 

Alline Martins e Nivania Ramos, da Agência Saúde

Fotos: Mariana Raphael/ Arquivo-SES