Governo do Distrito Federal
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10/04/19 às 9h35 - Atualizado em 10/04/19 às 11h36

Laboratório Central é referência no Centro-Oeste em diagnóstico de dengue

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Unidade utiliza metodologia padrão ouro para detectar arboviroses

 

O combate ao mosquito Aedes aegypti conta com importantes aliados para identificar os vírus em circulação. Eles são os laboratórios centrais, espalhados por todo o país, responsáveis por exames destinados a detectar uma série de doenças capazes de causar endemias e epidemias, como dengue, febre amarela e demais arboviroses – vírus transmitidos por artrópodes.

 

Devido à sua equipe técnica altamente capacitada e aos equipamentos de última geração, o Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) se tornou referência na região Centro-Oeste para diagnosticar doenças relacionadas ao Aedes, recebendo amostras do Tocantins e do Mato Grosso.

 

No período de sazonalidade das doenças, que se multiplicam na época da chuva, como a dengue, a unidade costuma atender a uma demanda maior, não só do Distrito Federal, como de estados próximos. Somente nos últimos 30 dias, o Lacen recebeu, aproximadamente, 600 amostras.

 

O material biológico, coletado para análise, é o sangue do paciente, que deve ser colhido cinco dias após o início dos sintomas. A amostra é encaminhada ao Lacen, transportada sob refrigeração e acompanhada da Ficha de Investigação Epidemiológica, devidamente preenchida.

 

“Como tem lacens que não fazem certas reações, o DF se tornou referência para diagnósticos na macrorregião. Um exemplo é a febre amarela. Utilizamos uma metodologia padrão ouro para diagnosticar a doença”, explicou a farmacêutica e bioquímica do Lacen, Grasiela da Silva.

 

PADRÃO OURO – A metodologia padrão ouro se chama MAC-Elisa, feita a partir do sétimo dia da doença e que afere se o sangue da pessoa apresenta anticorpos, pois isto indica a existência do vírus. Nestes casos, o farmacêutico bioquímico atesta o exame como positivo quando, após três dias de execução do teste, ele exibe coloração diferente das demais.

 

“Essa metodologia é considerada padrão ouro porque é a melhor para pesquisa de anticorpos, sendo ainda referenciada. A pessoa precisa estar habilitada para fazer essa reação, recebendo treinamento. Como o DF se tornou uma referência em diagnósticos para alguns estados da região Centro-Oeste, enquanto eles não forem autossuficientes ou precisarem, devido a uma demanda maior, nós atenderemos”, destacou Grasiela.

 

METODOLOGIAS – Além do MAC-Elisa, a unidade utiliza outra metodologia para identificar os vírus nas amostras. A técnica recebe o nome de PCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase). Ambas são feitas por meio de coletas de sangue sem anticoagulante, mas cada uma é utilizada para um determinado tempo da doença, contadas a partir do surgimento dos sintomas.

 

O PCR pode ser realizado até o quinto dia do início da doença. Nesta metodologia, verifica-se se há presença de vírus no sangue do paciente, inclusive identificando qual o tipo de dengue a pessoa apresenta (DEN 1, DEN 2, DEN 3 ou DEN 4), e o resultado fica pronto em até três horas.

 

Se não estiver mais nesse período, é pesquisada a produção de IgM, um anticorpo da fase aguda da doença. Neste caso, é utilizada a técnica MAC-Elisa.

 

SERVIÇOS – Além de fazer exames laboratoriais para diagnóstico e controle de mais de 30 doenças transmissíveis, o Lacen também faz análises de composição, estado de conservação, possíveis fraudes e contaminações químicas microbiológicas e parasitológicas.

 

O laboratório analisa, também, as informações constantes nos rótulos e embalagens de amostras de produtos alimentícios, medicamentos, cosméticos, material de higiene, desinfecção e limpeza coletados nos estabelecimentos comerciais do DF pelos fiscais da Vigilância Sanitária.

 

EQUIPAMENTOS – Ao todo, o Lacen possui dois equipamentos extratores, com capacidade para retirar o chamado RNA viral de até 64 amostras de uma única vez. Essas amostras vão para outro equipamento, que detecta a presença de vírus e os identifica.

 

“São equipamentos de ponta, que, além de retirar material genético para detectar dengue, febre amarela e demais arboviroses, também identifica casos de H1N1. Tudo que precisa extrair de material genético é feito pelos extratores”, detalhou Grasiela da Silva.

 

ATUAÇÃO – O Lacen atua como Laboratório de Referência Regional para os diagnósticos laboratoriais de alguns agravos, tais como hanseníase, leptospirose, coqueluche, sarampo, rubéola, dengue, zika vírus, chikungunya, difteria, enteroinfecções bacterianas (salmonelose, febre tifóide e cólera), febre amarela, meningites bacterianas, tuberculose, citomegalovírus, hantavirose, H1N1, HIV, contagem de células CD4+/CD8+, hepatites e, ainda, infecções causadas por fungos que acometem pele, cabelo e unhas, helmintos e protozoários, a exemplo de malária, chagas, leishmaniose e filariose.

 

Além de ações de controle da qualidade de alimentos, água de consumo humano, águas envasadas e não envasadas, águas de diálise e amostras ambientais, como solo e água de mananciais, também atua complementando ações de investigação de surtos alimentares, monitoramento terapêutico de medicamentos relacionados à saúde mental, transplantes e oncologia.

 

 

Leandro Cipriano, da Agência Saúde
Fotos: Mariana Raphael/Saúde-DF