Governo do Distrito Federal
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27/09/17 às 11h17 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Maioria dos casos de suicídio pode ser evitada com ações de prevenção

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DF é a única unidade da Federação com serviço de emergência psiquiátrica

BRASÍLIA (27/9/17) – Cerca de 90% dos casos de suicídio – a terceira maior causa de mortes em jovens adultos no Brasil – poderiam ser evitados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, se tivessem tratamento adequado, muitas vezes negligenciado por preconceitos da sociedade e dos próprios familiares. “O assunto precisa ser desmistificado, pois a quase totalidade dessas situações está associada a transtornos psiquiátricos, especialmente a depressão, que poderiam ser tratados, evitando-se a perda de inúmeras vidas em plena fase produtiva, revela a psicóloga Priscila Estrela, da Gerência de Psicologia da Secretaria de Saúde do DF.

Para ela, o tema ainda é um tabu sob vários ângulos, desde os dogmas religiosos, que definem o suicida como um culpado por atentar contra a própria vida, quanto ao próprio mercado de trabalho, que encara as pessoas com transtornos psíquicos como incapacitadas, não merecedoras da confiança para o desempenho das atividades profissionais. “Diversos pacientes, quando procuram por uma consulta psicológica, pedem a marcação fora do horário de trabalho, para não apresentarem um atestado que possa revelar fragilidade emocional”, diz Priscila.

Uma das ações que a Diretoria de Saúde Mental definiu para enfrentar a situação foi promover a VI Jornada de Prevenção ao Suicídio do DF, a ser realizada nessa quinta ( 28) e sexta-feira (29). O tema central do evento foi estabelecer a abordagem à questão como “um compromisso social, visando enfatizar a corresponsabilização da sociedade para as ações preventivas em relação a este grave problema de saúde pública. “

Psicóloga Priscila Estrela

“Não estamos falando de uma situação qualquer, em todo o mundo, o suicídio afeta 1 milhão de pessoas. Aqui no DF acontecem de 6 a 7 tentativas diariamente, com 10 casos consumados por mês, mas acreditamos que haja subnotificação. Muitas vezes a pessoa se joga na frente de um veículo no trânsito ou de um andar alto em um prédio, mas a própria família atribui esses fatos a acidentes, com receio do preconceito social”, relata a psicóloga.

Em outra vertente, Priscila Estrela cita os casos atendidos nas unidades de saúde, não comunicados aos serviços de apoio à saúde mental. “Por isso, a realização de eventos como a jornada, é uma oportunidade para debater o assunto e mobilizar os profissionais de saúde para conhecer o real dimensionamento do problema e enfrentá-lo de forma adequada”, pondera.

Com a promoção do Setembro Amarelo – campanha mundial de conscientização sobre o suicídio – profissionais das 22 unidades de saúde que promovem atendimento psiquiátrico estão realizando palestras, ações de sensibilização em locais de grande circulação de pessoas e prestando orientações à população sobre como procurar ajuda em caso de transtornos mentais, como depressão, ansiedade e dependência química, como exemplos.

Renata Cavalcante

PIONEIRISMO – Mesmo que haja muito a evoluir na prevenção ao suicídio, o Distrito Federal é a única unidade da Federação que mantém um serviço especializado de emergência nas situações de transtornos mentais – o Núcleo de Saúde Mental (Nusam), unidade de suporte avançado do Samu. “Fazemos entre 450 a 500 atendimentos mensalmente, sendo 150 relativos às tentativas de suicídio”, informa a coordenadora, Renata Cavalcante.

“Realizamos uma abordagem multiprofissional, com médico psiquiatra, assistente social, enfermeiro, psicólogo e condutor de emergência, mas não nos limitamos ao atendimento emergencial. Também encaminhamos a pessoa para tratamento especializado na rede pública e monitoramos a sua situação, fazendo de um a quatro contatos posteriores, dependendo da gravidade do caso”, explica Renata.

O trabalho tem surtido bons resultados, com êxito em mais de 90% dos casos. “É preciso desfazer alguns mitos sobre o suicídio. Quem tenta esse ato extremo, na realidade que resolver um problema que considera sem solução. Quando essa pessoa recebe a devida atenção, no tempo adequado, ela percebe que existem saídas para a sua situação e elas estão na vida, não na morte”, conclui Renata Cavalcante.

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