Governo do Distrito Federal
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29/11/17 às 19h18 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Medicamentos são aliados no controle de HIV, mas camisinha ainda é o melhor remédio contra o vírus

Eles reduzem a carga viral e, usados em pós-exposição, podem evitar a contaminação

BRASÍLIA (29/11/17) – O HIV não tem cura. Mas tem tratamento. E apesar dos efeitos colaterais que os medicamentos, chamados antirretrovirais, utilizados podem causar, eles são extremamente eficazes, com capacidade para baixar a carga viral e permitir que o paciente leve uma vida normal, desde que tenha adesão total, o que significa tomar diariamente o que for recomendado pelo infectologista.

Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente os antirretrovirais (ARV) a todas as pessoas vivendo com HIV que necessitam de tratamento. Atualmente, existem 22 medicamentos, em 38 apresentações farmacêuticas. Somente no Distrito Federal, 13,6 mil pessoas fazem uso destes medicamentos em tratamento ao vírus.

“Os antirretrovirais fazem parte do coquetel, são associações de dois ou mais medicamentos, usados de acordo com a indicação do médico”, destaca o gerente de DST da Secretaria de Saúde, Sérgio d'Ávila. Os medicamentos podem ser retirados em centros de referência da Secretaria de Saúde.

Gerente do Hospital Dia, José Abílio Fagundes

Um dos maiores centros de referência de Aids do Distrito Federal, o Hospital Dia, localizado na 508/509 Sul, tem 5,5 mil pacientes cadastrados na farmácia e, por mês, outros 40 pacientes novos aproximadamente são inseridos no sistema. “Atendemos pessoas de todos o DF e até de fora do país. Qualquer pessoa que venha com a solicitação de medicamentos e esteja cadastrada no sistema do Ministério da Saúde consegue fazer a retirada”, explica o gerente da unidade, José Abílio Fagundes.

Entre esses pacientes está João Roberto*, 47 anos. Ele faz tratamento contra o HIV desde 2012, quando foi diagnosticado com o vírus. “No começo foi um choque e nos primeiros 20 dias tive bastante efeito colateral, com muito enjoo. Mas hoje vivo normalmente, minha carga viral está bem baixa”, conta ele que, apesar de ter a doença controlada, diz tomar todas as precauções para não transmitir o vírus. “Não quero que ninguém passe pelo que já passei, principalmente, no início da doença. Ainda mais sabendo que a culpa dessa transmissão pode ser minha”, destaca.

Paciente João Roberto, nome fictício

PROFILAXIA – Além dos pacientes já diagnosticados com HIV, o Sistema Único de Saúde também oferece a profilaxia pós-exposição, para as pessoas que podem ter tido contato com o vírus em situações como violência sexual, relação sexual desprotegida, acidente ocupacional com instrumentos perfurocortantes ou em contato direto com material biológico. O tratamento é uma terapia antirretroviral por 28 dias para evitar a sobrevivência e a multiplicação do HIV no organismo da pessoa.

A gama de medicamentos para estes casos é a mesma e a indicação do que deve ser usado é feita pelo médico. “A profilaxia chamada PEP é considerada uma urgência médica. A pessoa exposta ao vírus deve procurar uma unidade no prazo máximo de 72 horas após o ocorrido. Porém, o quanto antes ela for, mais eficaz será o tratamento”, alerta Sérgio d'Ávila. Ele diz, ainda, que o remédio deve ser tomado diariamente, pelo período indicado. “Não adianta tomar só um”, frisa o gerente.

Essas pessoas devem fazer a testagem para HIV em 30 dias após o início do tratamento e outro exame com mais 90 dias.

Em toda a rede pública de saúde do DF, cerca de 150 pessoas fazem uso do PEP mensalmente, sendo que a maior parcela é atendida no Hospital Dia: 70 por mês.

PRÉ-EXPOSIÇÃO – O Ministério da Saúde começou a implementar a profilaxia pré-exposição, que consiste no uso de antirretrovirais (ARV) para reduzir o risco de adquirir a infecção pelo HIV. Segundo o órgão, essa estratégia se mostrou eficaz e segura em pessoas com risco aumentado de adquirir a infecção 1.

Medicamento retroviral

“Porém, não vai ser um medicamento distribuído aleatoriamente. É uma estratégia que visa identificar pessoas com mais risco e oferecer a medicação para evitar a infecção”, explica Sérgio d'Ávila. Ele diz que inicialmente o Ministério da Saúde irá disponibilizar sete mil profilaxias para todo o país e que apenas 40 serviços especializados receberão. No DF, a referência será o Hospital Dia.

Segundo o Ministério da Saúde, são segmentos populacionais prioritários para os critérios de indicação da profilaxia pré os homossexuais e homens que fazem sexo com outros homens, transexuais, profissionais do sexo e parceiros sorodiscordantes para HIV.

A metodologia deve ser implementada no DF a partir de janeiro. “Neste momento, o Ministério da Saúde está identificando os serviços e treinando as equipes para esse projeto. Ele será monitorado nacionalmente e após uma avaliação, poderá ser ampliado”, esclarece d'Ávila.

Mesmo com todos estes recursos, cabe ressaltar que tanto a profilaxia pré quanto a pós não substituem o uso da camisinha, que ainda é a principal e mais eficiente forma de se evitar a transmissão de HIV. “A profilaxia, seja ela pré ou pós, não é para a vida inteira. É apenas até que a pessoa se conscientize de que há outras formas de prevenção”, destaca Fagundes.

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