Governo do Distrito Federal
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25/07/13 às 17h55 - Atualizado em 30/10/18 às 15h06

Mulheres contam com atendimento diferenciado no Pré-natal

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Pré-natal psicológico visa diminuir depressão pós-parto


A rede pública de saúde do Distrito Federal oferece as grávidas um novo conceito de pré-natal denominado de Pré-Natal Psicológico, que complementa o programa de atendimento médico e está voltado à maior humanização da gestação, do parto e a redução dos índices de depressão pós-parto.

O pré-natal psicológico, um atendimento pioneiro na rede, funciona há cerca de dois anos no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) e já atendeu mais de 50 mulheres. O serviço envolve a integração da gestante e da família a todo o processo gravídico-puerperal, por meio de encontros temáticos em grupo com ênfase psicoterápica na preparação psicológica para a maternidade e paternidade.

“Para combater os índices de depressão pós-parto a Rede de Saúde têm motivado o desenvolvimento de políticas públicas que focalizam o ciclo gravídico-puerperal com enfoque multidisciplinar. Oferecer um atendimento psicológico no pré-natal amplifica e qualifica a assistência a essas mulheres”, relata a coordenadora de Saúde da Asa Sul, Roselle Bugarin Steenhouwer.

“Há uma dicotomia entre o que a sociedade vende em relação a uma maternidade idealizada e o que é vivido pelas mães. Por isso é necessário criar um espaço adequado para a mulher falar de suas dificuldades sem ser julgada”, explica a psicóloga idealizadora do programa, Alessandra Arrais.

O atendimento especializado faz parte de um projeto de pesquisa constantemente reavaliado que visa oferecer um espaço especializado de escuta às grávidas e tem apresentado resultados positivos na prevenção da depressão pós-parto.

“A gravidez pode ser sobrecarregada por muitos transtornos do humor, em particular pela depressão. No Brasil os índices entre a classe média são de 13,7% a 20%, mas nas mulheres de baixa rende esse índice chega a 30%”, relata a psicóloga executora do projeto, Mara Farias Chaves Vieira.

Michele Aparecida de Sousa, 29 anos, está com 38 semanas de gravidez e participa do primeiro encontro no programa Pré-natal psicológico. “Antes deste encontro eu não sabia muito sobre depressão pós-parto. Foi importante falar sobre o tema até para poder diferenciar uma tristeza da verdadeira depressão. Eu amei!”, relata a paciente.

Marlete Giebelmeier, 39 anos, espera o segundo filho, mas ainda tinha dúvidas em relação à maternidade. Sua primeira gestação foi difícil e com os encontros está mais consciente e tranquila. “Essa é a terceira vez que eu participo e tem sido fundamental. Aprendi que uma gravidez não é igual a outra e a inclusão da família e dos amigos ajuda muito durante a gestação”, explica Marlete.

O encontro para a realização do pré-natal psicológico ocorre todas as terças-feiras, no segundo andar do HMIB e é aberto para qualquer grávida que queira fazer parte do programa. Segundo Mara, não precisa, necessariamente, estar atravessando dificuldades emocionais, basta explicitar o interesse. Também não há um número fixo de atendimentos, portanto, as mães podem frequentar do primeiro mês de gestação até após o nascimento.

COMO PARTICIPAR – Para inscreve-se no projeto as mães devem entrar em contato com a psicóloga Mara Farias Chaves Vieira, por meio do telefone 8215-0762.

Saiba mais:
Qual é a diferença do Pré-natal psicológico em relação às palestras para gestantes?
R: Segundo a psicóloga Mara Farias Chaves Vieira, as palestras tratam de questões mais práticas sobre os cuidados com o filho e geralmente duram dois dias. No Pré-Natal Psicológico as mães têm a oportunidade de trocar experiências e serem ouvidas por profissionais especializados, funcionando como uma terapia em grupo e indo além das informações práticas que as gestantes precisam. Além disso, quem vai decidir a duração dos encontros é a própria gestante porque podem participar do programa mulheres grávidas na primeira semana até após o nascimento do seu filho.

O Pré-natal psicológico substitui o pré-natal?
R: Segundo Mara Farias Chaves Vieira, o Pré-natal psicológico é um complemento. A Mulher deve continuar indo ao médico mensalmente para avaliar o desenvolvimento do bebê e a sua saúde.

Quem está mais suscetível a desenvolver a depressão pós-parto?
R: Segundo Alessandra Arrias, a depressão pós-parto acontece com mulheres de todas as idades, classes sociais e de todos os níveis escolares. Pode ocorrer com mulheres que desejam muito ter um filho, ou com aquelas que não aceitam o fato de ter engravidado. Pode ocasionar-se no nascimento do primeiro filho, do segundo, do terceiro, ou de outros. Mais do que algo físico ou intrapsíquico a psicóloga acredita que é a interação dessa mulher com o meio pode fazer com que ela desenvolva a depressão.

Qual é a diferença entre uma tristeza normal e a depressão pós-parto?
R: Segundo a psicóloga Alessandra Arrais, existem três distúrbios que são característicos do período puerperal: a melancolia da maternidade (baby blues), a depressão pós-parto e a psicose puerperal. Estudos demonstram que 50% a 80% das mulheres apresentam certa tristeza, certa distrofia e irritabilidade que têm início em geral no terceiro dia depois do parto, dura uma semana, dez, quinze dias no máximo, e desaparece espontaneamente. Já a depressão pós-parto começa algumas semanas depois do nascimento da criança e deixa a mulher incapacitada, com dificuldade de realizar as tarefas do dia a dia.

O programa será oferecido em outras regionais?
R: Segundo Alessandra Arrias, o objetivo é expandir o projeto para as outras regionais no futuro.

Ana Luiza Greca e Ludmila Mendonça