Governo do Distrito Federal
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25/11/14 às 15h15 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Número de mulheres vítimas de violência aumenta em sete vezes

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A cifra se deve à capacitação dos profissionais de saúde que passaram a notificar mais casos atendidos na rede pública

BRASÍLIA (25/11/14) – Comemora-se nesta terça-feira (25) o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher e o País reflete sobre as formas de evitar que a população feminina seja agredida. No Distrito Federal, o número de vítimas atendidas pelos serviços públicos de saúde aumentou em sete vezes de 2010 a 2013, passando de 664 a 4.735 casos.

O aumento expressivo de casos se deve, na verdade, a uma maior notificação por parte dos profissionais de saúde que atendem as vítimas. “A gente tem investido muito em capacitação do pessoal para que passem a notificar os casos”, explicou a coordenadora do Núcleo de Estudos e Programas na Atenção e Vigilância em Violência (Nepav), Lucy Mary Cavalcanti.

A especialista acredita que é importante existir um Dia Nacional para refletir sobre o tema e também para que possam ser desenvolvidas ações para sensibilizar a população. “Maltratar mulher é uma violência e existe uma legislação contrária a essa questão”, ressaltou.

A distribuição do maltrato às mulheres no Distrito Federal é bastante desigual. No entanto, Ceilândia foi a cidade com mais casos notificados entre 2010 e 2013, perdendo para o Gama, que registrou 152 casos em 2011. O recorde absoluto foi no ano passado, ano em que Ceilândia notificou 718 casos de algum tipo de violência.

Atendimento

O atendimento às mulheres vítimas de violência na rede pública de saúde do DF é referência para o Ministério da Saúde, que este mês realizou visita técnica com integrantes de outros Estados para conhecer os diferentes tipos de serviço.

A atenção às vítimas de violência física começa no momento em que são atendidas nas emergências dos hospitais, no caso de agressão física. Para os casos de violência psicológica, há vários grupos de apoio no DF, tanto para as vítimas, quanto para familiares e, inclusive, autores.

A rede de suporte conta, além de profissionais capacitados para atender os casos nos pronto-socorros, de 21 PAVs, os Programas de Pesquisa, Assistência e Vigilância à Violência que possuem diferentes nomes de flores. Cada regional conta com um e eles trabalham em parceria com as emergências hospitalares.

Há programas dirigidos a vítimas de todas as idades, de acordo com as incidências nas regionais. De uma maneira global, a maioria dos casos se concentra na faixa etária dos 10 a 29 anos.

Segundo Lucy Mary, a incidência concentrada entre crianças, adolescentes e mulheres jovens se deve à maior vulnerabilidade dessa faixa etária. “Elas correm mais risco, porque são casos de dominação do forte contra o forte, do desenvolvido com a pessoa em desenvolvimento”.

Para tentar combater os casos de agressões às meninas e mulheres jovens, os PAVs têm trabalhado para desestimular namoros de garotas com adultos. “Mas é ainda uma questão culturalmente muito forte”, lamentou a coordenadora do Nepav.