Governo do Distrito Federal
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11/06/21 às 11h20 - Atualizado em 11/06/21 às 16h21

Pacientes dos hospitais de campanha do Gama e do Autódromo recebem visita à distância

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Seguindo os protocolos de segurança e de distanciamento, familiares podem diminuir a saudade dos entes queridos

 

JOHNNY BRAGA, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF

 

Saudade é um dos principais sentimentos que os pacientes com covid-19 sentem durante a internação nas unidades hospitalares. A falta de contato físico com familiares e amigos ocorre como medida de segurança para evitar a disseminação do coronavírus. Várias unidades da rede pública de saúde oferecem a videochamada como recurso para reduzir a saudade, no entanto, as equipes dos hospitais de campanha do Gama e do Autódromo utilizaram de outro recurso para aproximar essas pessoas: visitas à distância.

 

Endrigo falou com a familia, à distância, no hospital de Campanha do Gama – Foto: Divulgação/SES-DF

Do alambrado das arquibancadas do Estádio Bezerrão, e respeitando uma distância segura, a família de Endrigo Lopes da Costa, de 40 anos, visitou o paciente de forma segura e distante. “A visita foi uma coisa que acalmou muito o nosso coração. Estávamos todos muito preocupados com ele. Foi a melhor coisa que nos aconteceu esta semana “, comemorou Andreia Lopes da Costa, irmã do paciente. “Vimos que ele está bem melhor, já está falando e se alimentando normalmente. Está feliz e muito bem atendido”, conta.

 

Quem também recebeu visita de seus familiares, de forma segura e com distanciamento, foi o caminhoneiro Manuel Messias Leonel, de 29 anos, morador do Setor O. A visita ocorreu sob supervisão da equipe do Hospital de Campanha do Autódromo. “Acredito que a visita, mesmo que a distância, ajuda muito na recuperação”, avalia a esposa de Manuel, Isabelle Magalhães, de 26 anos.

 

Manuel também pôde rever seus familiares de forma segura – Foto: Divulgação/SES-DF

Ela conta que “desde que ele foi internado, só conseguia vê-lo por videochamada, é muito restrito. Conseguir realmente saber que ele está bem, falar com ele ao vivo, é uma coisa que mexe comigo. Quando consigo vê-lo, sinto que tudo vai ficar bem”, afirma emocionada.

 

Internações

 

Endrigo começou a sentir falta de ar intensa no dia 24 de maio. Na última segunda-feira (7), foi levado pela família ao Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Valparaíso de Goiás, onde testou positivo para a doença. Na última terça-feira (8), o paciente foi encaminhado ao Hospital de Campanha do Gama onde recebe assistência da equipe multiprofissional.

 

 

A família de Endrigo ficou atrás do alambrado do Estádio Bezerrão  durante a visita – Foto: Divulgação/SES-DF

A família foi informada da transferência do paciente e da possibilidade da visita no alambrado, onde a equipe médica leva o paciente até os familiares do lado de fora do hospital, uma vez que as visitas in loco não são permitidas.

 

Já Manuel começou a sentir os primeiros sintomas da covid-19 no dia 18 de maio. No início, de acordo com a esposa, ele sentia apenas tosse, dor de garganta e coriza. “Achamos que era uma gripe normal, porque ele não tinha febre ou nenhum dos sintomas que despertasse o nosso alerta para coronavírus, como a perda do olfato e do paladar”, relata.

 

Dias depois e com o quadro agravado, o paciente foi atendido no Hospital Regional de Ceilândia, onde recebeu o diagnóstico de covid-19. Naquela ocasião, não houve necessidade de interná-lo na unidade e ele foi orientado a voltar para casa e seguir com o isolamento. Três dias depois, Manuel passou a ter febre e retornou ao HRC onde foi internado até o dia 1º de junho – data em que foi transferido para o Hospital de Campanha do Autódromo.

 

As visitas à distância aproximam os familiares dos pacientes e reduz a saudade imposta pelo isolamento – Foto: Divulgação/SES-DF

 

Visitas

 

Para o coordenador médico da implantação dos Hospitais de Campanha do DF, Michel Cadenas, a iniciativa da proposta da visita no alambrado tem como objetivo trazer mais humanização e acolhimento das famílias nas unidades. “É o momento em que a família e o paciente podem se encontrar numa distância segura, para poder fazer uma interação, onde há um nível seguro de proximidade e calor humano. É possível visualizar o tratamento do paciente e o paciente pode ver, também, seu familiar”, afirma.

 

 

Cadenas explica que esse tipo de fluxo promove mais saúde ao paciente e uma melhor recuperação, além de trazer mais alívio das condições psicossociais da família por estar afastada de um ente querido. “Esse tipo de acolhimento para a família traz mais conforto ao paciente e humanização do atendimento como um todo, inclusive o corpo assistencial que se sente parte dessa interação e observaram uma melhora clínica no quadro do paciente”, finaliza.