Governo do Distrito Federal
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28/07/20 às 18h07 - Atualizado em 31/07/20 às 13h03

Professores da rede pública participam de Terapia Comunitária Integrativa

Encontros ocorrem em plataformas virtuais mantendo segurança em tempos de coronavírus

 

ÉRIKA BRAGANÇA, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

Por meio do trabalho de Terapia Comunitária Integrativa, a Secretaria de Saúde tem ajudado professores e gestores de 50 escolas da rede pública do Gama e de Brazlândia. Até o momento, já foram atendidas 28 unidades, e aproximadamente 1.120 pessoas já participaram de conversas virtuais que ajudam os profissionais e gestores a enfrentarem a nova realidade das aulas virtuais imposta pela pandemia e o isolamento social.

 

Grande parte da demanda deve-se ao fato de os profissionais estarem ainda se adaptando ao novo contexto. O isolamento social não impôs apenas a presença virtual, mas o lidar com as demandas diárias pessoais. Com isso, o contato com o professor e aluno que sempre foi presencial passou a ser virtual em um ambiente familiar. A situação tem impactado a saúde mental da categoria porque muitos nunca realizaram o ensino de forma virtual.

 

Adaptação

 

De acordo com Doralice Oliveira, psicóloga e referência distrital de Terapia Comunitária Integrativa da Secretaria de Saúde, assim como muitos outros profissionais, os professores tiveram que se adaptar ao ambiente virtual. A psicóloga destaca algumas temáticas importantes que vêm trabalhando nas terapias: o luto, ansiedade, depressão e estresse.

 

“Durante as terapias temos observado a angústia dos profissionais em relação à qualidade do ensino, afinal durante toda uma trajetória, o ensino estava consolidado na forma presencial. Na forma virtual, adaptada para casa por conta do isolamento social e sem um ambiente adequado, os profissionais, ao mesmo tempo em que estão dando aula, têm família e filhos. Enquanto pais também precisam dar assistência para o acompanhamento das atividades. Um desafio grande para equilibrar a rotina”, relatou a profissional.

 

Encontros

 

Por semana, são trabalhadas quatro escolas e cada grupo tem uma média de 50 participantes. Os encontros acontecem no dia da coordenação regional de ensino. Cada escola solicita a terapia comunitária e a equipe da rede pública de saúde organiza a programação.

 

Dois profissionais ajudam a equipe da Terapia Comunitária Integrativa: uma servidora, Cássia Maria do Instituto de Saúde Mental do Riacho Fundo I e um voluntário profissional, Fernando Barbosa que faz parte também da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília. A área está aberta para receber a ajuda de mais profissionais da Secretaria de Saúde. Isso permitirá a ampliação do trabalho para outras localidades.

 

Para dar continuidade à terapia, após esse primeiro contato, os profissionais orientam os professores a participarem de um trabalho fixo feito em parceria com a coordenação coletiva dos professores, a Associação Brasileira de Terapia Comunitária (Abratecom) e a Coordenação Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde. Nessas salas virtuais, que acontecem todas as sextas-feiras, participam pessoas de várias regiões do Brasil e até de outros países de língua portuguesa, pois é aberto. Além desse projeto, a área ainda tem uma parceria com a UnB em que são ofertados três horários de atendimento em terapia comunitária para os estudantes e comunidade geral.

 

A metodologia ajuda na partilha de experiências de vida e situações cotidianas para lidar com as dificuldades diárias. O foco é para que a pessoa consiga lidar com as emoções. Nos encontros, todos compartilham suas estratégias de ação. Cada dia há um tema, o último foi autossabotagem, elegido pelos colegas. Nesse sentido, as pessoas saem com diversos recursos para lidar e aplicar na vida o que for melhor para ela, a partir da experiência do outro. Além da dor do luto, que tem sido frequente nas rodas, o medo e insegurança sobre como lidar com o pós-pandemia também estão presentes.

 

“Os profissionais da educação estão num momento de grande desafio e que é muito importante ter esses espaços de acolhimento para poder metabolizar essas emoções, para que isso não vire um processo de adoecimento maior. Precisamos estar juntos, apoiando-nos, porque a saúde e educação não são separadas, caminham juntas. Para desempenhar um bom papel o professor e gestores precisam estar bem, principalmente na saúde mental. Esses espaços estão abertos e qualquer um pode participar”, afirmou Doralice.

 

A Secretaria de Saúde também já colhe o fruto desse trabalho. Um grupo de pesquisadores italianos em conjunto com os pesquisadores da UnB estão estudando os impactos do serviço realizado.

 

A fim de ajudar no projeto, as solicitações podem ser enviadas ao e-mail: terapiacomunitaria.ses.gdf@gmail.com. Para quem tiver interesse em participar das salas virtuais, é só encaminhar um e-mail para o endereço: tcintegrativa@gmail.com para receber os links.