Governo do Distrito Federal
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11/05/16 às 19h04 - Atualizado em 30/10/18 às 15h14

Profissionais de odontologia são capacitados para atuar em UTIs

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Iniciativa deve ser levada para todas as unidades da rede

BRASÍLIA (11/5/16) – O tratamento odontológico correto em pacientes críticos, internados em hospitais, pode diminuir em até 30% os riscos de infecções, segundo dados do Conselho Federal de Odontologia. A falta desse cuidado pode provocar, inclusive, pneumonia, umas das grandes causas de morte de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva.

Pensando nesses dados, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) decidiu investir na capacitação continuada de seus servidores, para que atuem com mais frequência dentro da unidade, oferecendo mais segurança aos pacientes.

“O objetivo do curso é capacitar a equipe no atendimento a pacientes hospitalares e tentar estabelecer uma rotina de trabalho semelhante a todos os profissionais envolvidos”, diz a coordenadora do curso, Erika Maurienn.

Cerca de 20 profissionais, entre técnicos de enfermagem, técnicos de saúde bucal e dentistas da Região Sul de Saúde estão participando da capacitação. Serão sete encontros, entre palestras e aulas práticas, com previsão de encerramento para 3 de junho.

Segundo a Gerência de Odontologia da Secretaria de Saúde, a ideia é usar este projeto de Santa Maria como piloto para expandir a capacitação para outras unidades da rede.

A cirurgiã-dentista Raquel Ribeiro está entre os profissionais da capacitação e considera a iniciativa importante para os usuários da rede pública de saúde do DF. “A demanda nesta região é grande e a educação continuada para quem trabalha em hospitais é muito importante para que tenhamos cada vez mais segurança para atender”, destaca.

Além de tornar os servidores mais capacitados, o curso também servirá para habilitar os dentistas na especialização em Odontologia Hospitalar. “Uma portaria do Conselho Federal de Odontologia dita algumas regras para se conseguir essa especialização. Uma delas é ter cinco anos de atuação na área e a outra é o curso”, explica a cirurgiã-dentista do Hospital Regional de Taguatinga e uma das palestrantes do curso em Santa Maria, Emmanuelle Capellini.

ATENDIMENTO – Atualmente, a Secretaria de Saúde conta com 493 cirurgiões dentistas e 333 técnicos de higiene dental. Desse total, 80% trabalham na atenção primária, 15% na secundária e 5% na terciária.

Apenas o Hospital Regional de Ceilândia conta com um cirurgião-dentista na equipe da UTI. Porém, os outros hospitais da rede também têm atendimento odontológico nos leitos, quando solicitado por médicos.

Em Ceilândia, segundo pesquisa realizada pelo cirurgião-dentista Marcos Barbosa, os casos de pneumonia reduziram de 18% para 2% depois que a odontologia foi incorporada ao atendimento na UTI.

“Mas não é um trabalho só do dentista, mas sim, de toda a equipe. Cabe ao dentista remover toda a placa, a enfermagem fazer a manutenção da higiene bucal entre as visitas e o dentista ainda tem de remover focos infecciosos e tratar lesões”, explica Marcos Barbosa.

Segundo a cirurgiã-dentista do Hospital Regional de Taguatinga e uma das palestrantes do curso em Santa Maria, Emmanuelle Capellini, a odontologia dentro das UTIs entra como um preventivo. “Nesse ambiente, há mais contaminação secundária porque o paciente não está mastigando, não tem salivação normal, fica mais tempo de boca aberta e tudo isso facilita a entrada de microorganismos”, explica.

A Secretaria de Saúde está prestes a colocar em consulta pública o Protocolo de Atendimento Odontológico em UTI e também se prepara para que todas as unidades da rede contem com pelo menos um dentista em Unidade de Terapia Intensiva.

Veja as fotos aqui: