Governo do Distrito Federal
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25/08/17 às 12h43 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Projeto de Visita dos Irmãos a recém-nascidos de baixo peso diminui estresse familiar

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Desenvolvido no Hospital de Ceilândia, método reduz riscos e tempo de internação

BRASÍLIA (25/8/17) – Os três anos da menina Cibele Cristina não lhe permitiam compreender as longas ausências da mãe e muito menos a falta da irmã recém-nascida, que até então não vira – era somente uma imagem distante a povoar os devaneios da sua fértil mente infantil. Uma incompreensão dividida com a irmã Ana Clara, de 5 anos, também ansiosa com a distância da mãe e a falta do novo bebê da família, a prematura Maria Cecília, nascida com pouco mais de um quilo e ainda internada na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Regional da Ceilândia (HRC).

O problema é recorrente entre as famílias que têm crianças prematuras. Os irmãos, quando nos primeiros anos da infância, não compreendem os extensos períodos sem a mãe e o novo irmão ou irmã, o que provoca quadros de estresse emocional em todo o ambiente familiar. Do lado dos pais há o problema dos cuidados com as crianças que ficam em casa; da parte dos filhos, a falta de entendimento sobre os motivos da situação.

Para minimizar esse nível de ansiedade, o HRC implantou o Projeto Visita dos Irmãos, fundamentado no Manual Técnico do Método Canguru, que promove a interação de toda a família com o recém-nascido de baixo peso, dentro da própria unidade de tratamento intensivo, após a superação da fase mais crítica de atenção ao prematuro”, explica a psicóloga Denise do Nascimento Percílio, que coordena a ação no hospital.

A metodologia, normatizada pelo Ministério da Saúde, busca a melhoria da qualidade do atendimento prestado à gestante, ao recém-nascido e sua família, por intermédio de “uma abordagem humanizada e segura, o contato pele a pele (posição canguru) precoce entre a mãe/pai e o bebê, de forma gradual e progressiva, favorecendo o vínculo afetivo, a estabilidade térmica, o estímulo à amamentação e o desenvolvimento integral do bebê.”

No HRC, o avanço em relação às práticas do método foi a inclusão de irmãos dos recém-nascidos prematuros no processo, com bons resultados evidentes, conforme relata a mãe das meninas Cibele e Ana Clara, a dona de casa Neusa Soares Rodrigues. “Tive de adiantar o parto com 34 semanas pelo baixo nível do líquido amniótico e, após o nascimento, internar e acompanhar Maria Cecília no HRC. As irmãs não conseguiam compreender o porquê da distância e os motivos para a mãe ficar no hospital, ficavam tristes, sem entender o problema”, relembra.

Com a vinda das meninas para as visitações semanais à pequena irmã, “mudou tudo na vida”, exalta Neusa, entusiasmada com a volta da tranquilidade ao núcleo familiar. “Elas ficaram mais calmas, mais tranquilas e puderam compreender com os próprios olhos, vendo a fragilidade da irmãzinha, os motivos que me levavam a permanecer no hospital à noite para amamentar”, constata com expressão de alívio ao ver a mudança positiva na situação familiar, ao lado da evolução da filha, que ganhou 600 gramas em 40 dias no HRC.

PROGRESSO – O bom desenvolvimento da filha de Neusa deve-se, em grande parte, às técnicas aplicadas pelo método canguru – resultados similares aos obtidos pela maioria dos 35 recém-nascidos de baixo peso atendidos regularmente, em média, na unidade neonatal do HRC. “Os bebês que se beneficiam da metodologia ficam menos tempo internados, ganham peso mais rapidamente, têm menor susceptibilidade à infecção hospitalar e redução de riscos em relação aos problemas pós-alta”, compara Denise Percílio.

O modelo de atendimento aplicado no HRC, que preconiza a aproximação entre os irmãos, traz um ganho adicional ao processo, pois, além do fortalecimento dos vínculos afetivos familiares, “reduz o nível de ansiedade da mãe e minimiza o impacto da separação com os outros filhos”, explica a psicóloga, que credita o sucesso do projeto à dedicação da equipe de profissionais de saúde e ao criterioso desenvolvimento do método de atenção em todas as suas etapas.

“Principiamos o atendimento com os irmãos e responsáveis e, após um diagnóstico da situação, inicia-se a interação com o recém-nascido propriamente dito. As crianças só entram na unidade de atendimento depois de uma criteriosa higienização das mãos e somente na fase quando não há mais riscos para o bebê. Também realizamos atendimentos com grupo interdisciplinar e de forma individual”, destaca Denise. “Todos esses procedimentos, fundamentados na metodologia canguru, têm assegurado a melhoria da atenção à saúde prestada à gestante, ao recém nascido e sua família, com a consequente elevação da qualidade de vida e dos indicadores sociais”, completa a psicóloga.