Governo do Distrito Federal
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23/04/20 às 14h55 - Atualizado em 23/04/20 às 19h22

Protetores acrílicos são doados para três hospitais da rede

Caixas são colocadas em pacientes com coronavírus

 

Pensando em proteger os profissionais da saúde que estão cuidando diretamente dos pacientes infectados pelo coronavírus, três professores do Instituto Federal de Brasília (IFB) tiveram a iniciativa de produzir caixas protetoras de acrílico, chamadas de Covid-19 Box, para doar aos hospitais da rede pública.

 

“As caixas são utilizadas pelos profissionais como uma barreira física nos procedimentos de intubação, quando os pacientes estão contaminados por doenças infectocontagiosas, especialmente pelo novo coronavírus. Mas podem ser utilizadas posteriormente, no atendimento a casos de tuberculose ou hepatite, por exemplo”, explica um dos idealizadores do projeto e professor do IFB Campus de Samambaia, Frederico Souza.

 

A produção da Covid-19 Box tem o objetivo de diminuir a possibilidade de contágio da doença pelos profissionais de saúde. Como medida emergencial, o paciente é colocado dentro da caixa e os profissionais de saúde manipulam e examinam através dos círculos onde passam os braços.

 

O secretário adjunto de Assistência, Ricardo Tavares, avalia a iniciativa dos professores do IFB como muito positiva e válida para o atual momento de pandemia.

 

“Essa caixa dá uma proteção a mais para o profissional que precisa fazer algum procedimento mais próximo do paciente. No momento da intubação, várias gotículas de saliva podem ser expelidas e atingir o profissional, mesmo que ele esteja com o protetor facial”, observa.

 

No entanto, Ricardo ressalta a importância da constante higienização da caixa e frisa que ela não dispensa o uso de outros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

 

Já foram produzidas e doadas cinco Covid-19 Box. Duas unidades foram doadas para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), duas para o Hospital Regional de Samambaia (HRSam) e um protótipo, que em breve será substituído por uma caixa definitiva, para o Hospital Universitário de Brasília (HUB).

 

RECURSOS – As caixas estão sendo fabricadas com o valor arrecadado em doações (vaquinhas). “Estamos esperando um recurso do IFB (edital interno) e da Secretaria de Tecnologia do Ministério da Educação. Quando recebermos, vamos fabricar um total de 65 caixas”, informa.

 

De acordo com Frederico, neste momento de pandemia, as Covid-19 Box estão sendo fabricadas por ele e pelos professores Carlos Petrônio e Paula Dornelles, todos do campus de Samambaia, onde as caixas são produzidas. “Optamos por poupar os nossos alunos por questões de segurança, nesse primeiro momento”, afirma.

 

As caixas são feitas de acrílico cristal, com 5mm e 3mm de espessura e têm as peças cortadas a laser. O tempo médio de produção de cada caixa é em torno de três horas. É possível fazer de três a cinco caixas por dia, dependendo do apoio de voluntários.

 

Cada caixa Covid-19 Box custa em torno de R$ 400 para ser produzida, mas a equipe de professores está aprimorando o projeto para que ela custe um valor próximo a R$ 300.

Segundo o professor Frederico Souza, a proteção acrílica ainda está em fase experimental. No entanto, já há conhecimento do uso desse tipo de caixa em outros países. O trabalho dos professores do IFB está ocorrendo sob orientação e recomendação da equipe médica dos hospitais referências do DF.

 

Texto: Jurana Lopes, da Agência Saúde
Fotos: Divulgação IFB