Governo do Distrito Federal
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24/02/15 às 21h43 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Rastreamento de câncer colorretal é lançado em Brasília

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Projeto pioneiro no SUS pretende identificar lesões antes de se tornarem câncer

BRASÍLIA (24/2/15) – Moradores do Gama na faixa etária de 50 a 75 anos poderão realizar um procedimento pioneiro no Sistema Único de Saúde para rastreamento de câncer colorretal. O projeto, lançado nesta terça-feira (24), no Gama, tem como proposta a realização de exame de sangue oculto nas fezes da população daquela cidade. A expectativa da pasta é reduzir os casos de câncer colorretal, que já é o terceiro tipo mais comum em homens e o segundo em mulheres em todo o país.

“No Brasil há poucos programas como este. Tem um na Unicamp, outro na USP e dois em Porto Alegre. Esse que estamos lançando hoje nasce bem estruturado, com uma parceria importante com uma universidade japonesa, que disponibiliza não só recursos como também a possibilidade de cooperação na área de treinamento”, destacou o secretário de Saúde, João Batista de Sousa.

Segundo o coordenador de câncer colorretal da Secretaria de Saúde, Aquiles Leite Viana, a ideia desse rastreamento surgiu durante uma conversa com pesquisadores japoneses. Foi proposta uma cooperação técnica entre os dois países e Brasília poderia ser a contemplada, desde que construísse uma estrutura básica para receber o investimento.

“Conseguimos cumprir os requisitos e hoje temos condições de atender pacientes que venham a apresentar alguma lesão que possa vir a se tornar um câncer colorretal. O Hospital de Base tem essa estrutura”, frisou Viana. A unidade conta com um aparelho moderno de colonoscopia, que serve para um exame mais detalhado no caso de detectada alguma alteração no exame de sangue oculto nas fezes.

A escolha da regional do Gama para o projeto piloto deveu-se ao fato de a cidade ser bem estruturada na atenção primária. Para o diretor do Hospital Regional do Gama, João Batista Monteiro Tajra, essa escolha é uma grande responsabilidade. “Isso trará não só projetos e linhas de pesquisas futuras como também a satisfação por poder prevenir nossa população”, ressaltou.

A intenção da Secretaria de Saúde é levar o programa de rastreamento para todas as regionais de saúde da capital federal.

SAIBA MAIS – A proposta do programa de rastreamento é realizar o teste de sangue oculto nas fezes em toda a população do Gama com idade entre 50 e 75 anos, um total de 25 mil pessoas. “Inicialmente atingiremos 2,5 mil pessoas e até o final do ano pretendemos ter feito o exame no público alvo total”, destacou Maria Cristina Scandiuzzi, do Escritório de Projetos Estratégicos da Secretaria de Saúde.

“A ideia é que a gente descubra lesões que antecedem ao câncer em pessoas assintomáticas e assim possamos tratar com antecedência. Se for identificada alguma lesão, encaminhamos para fazer a colonoscopia, que é um exame mais detalhado”, acrescentou Scandiuzzi.

A DOENÇA – O câncer atinge 13 milhões de pessoas por ano no mundo. Destes, 10% são colorretal. Em 2014, ele ficou atrás apenas do câncer de mama em mulheres e dos cânceres de pulmão e próstata em homens.

A diferença deste tipo de câncer é que ele é de fácil prevenção. Segundo o secretário de Saúde, João Batista, que é também proctologista, primeiro surgem os adenomas, que são lesões benignas, e até que eles venham a se tornar um tumor maligno, demora de 10 a 15 anos. Então, quando descoberto ainda na fase assintomática, as chances de cura são altas. “O tumor em estágio um tem 90% de chance de cura. Já no estágio quatro, isso cai para apenas 10%”, observou.

A faixa etária de risco para o câncer colorretal é a partir dos 50 anos de idade. Mas isso não quer dizer que pessoas mais jovens não desenvolvam a doença. “Quando aparece em pessoas mais novas, normalmente, há casos na família”, explicou Maria Cristina Scandiuzzi.