Governo do Distrito Federal
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31/01/19 às 12h00 - Atualizado em 31/01/19 às 14h27

Regionais de saúde realizam ações de combate à hanseníase

 

 

Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem das regiões de Saúde Leste, Sudoeste e Sul receberam capacitação e participaram de debates e rodas de conversa sobre a eliminação da hanseníase no Distrito Federal. As ações fazem parte da programação da campanha nacional de combate à doença, realizada neste Janeiro Roxo, durante a Semana de Combate à Hanseníase. Em homenagem ao período, neste mês, o Palácio do Buriti foi iluminado com a cor da campanha, o roxo.

 

Somente no Distrito Federal foram registrados 160 novos casos de hanseníase em 2017, o que equivale a 5,3 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Os índices do DF estão melhores que os nacionais, no entanto, estão acima da média mundial.

 

No Brasil, no mesmo ano, foram detectados 26.875 casos novos, o que expressa 12,9 casos a cada parcela de 100 mil habitantes, número superior à média mundial, que ficou em 2,8 casos por 100 mil habitantes, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

Com esses resultados, o país carrega dois títulos que nenhuma nação do mundo gostaria de ter: o de país que não conseguiu eliminar a hanseníase e o que concentra o maior número de casos novos da doença, a cada ano, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

 

INICIATIVAS – Desde o início da manhã desta quinta-feira (31), está sendo realizada uma capacitação para 15 profissionais, entre médicos e enfermeiros das UBS de São Sebastião (Região Leste). À tarde, por meio de atendimento compartilhado, esses profissionais atenderão os casos suspeitos de pacientes identificados na busca ativa, realizada pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Ainda no período da tarde, em parceria com Marly Araújo, conselheira de saúde e membro do Grupo de Apoio às Mulheres Atingidas pela Hanseníase (GAMAH), serão realizadas palestras na sala de espera para os usuários da UBS 1 de São Sebastião.

 

No DF, os profissionais da Região de Saúde Leste receberam capacitação sobre a doença na Unidade Básica de Saúde 1, do Paranoá, nesta quarta-feira (30). Ontem, as ações também aconteceram na Unidade de Acolhimento para Adultos e Famílias (Uunaf), localizada no Areal, e beneficiaram usuários e servidores da UBS 01 de Águas Claras (Região Sudoeste), com oferta de palestras educativas sobre a hanseníase.

 

No Gama (Região de Saúde Sul), houve roda de conversa com o Grupo Bem-Estar Emocional, na Gerência de Serviço de Atenção Primária (GSAP 06). A capacitação tratou dos cuidados ao paciente portador da doença e falou sobre a importância da prevenção.

 

Na UBS 1, do Paranoá, além da parte teórica, também houve a prática. Os profissionais envolvidos na capacitação participaram de atendimento compartilhado, realizando a busca ativa dos casos suspeitos identificados pelas equipes.

INFORMAÇÃO – Essas ações fazem parte do Janeiro Roxo, que marca a mobilização nacional de combate à hanseníase, doença contagiosa que se espalha facilmente quando não é tratada. Os principais sintomas são: manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas; área de pele seca e com falta de suor, com queda de pelos ou com perda de sensibilidade; sensação de formigamento; dor e sensação de choque, fisgada ou agulhada ao longo dos nervos dos braços e pernas; edema ou inchaço de mãos e pés; diminuição da força muscular das mãos, pés e face; úlceras de pernas e pés; e nódulo no corpo.

 

O contágio se dá pelas vias aéreas, em contato com secreções nasais, gotículas de saliva, tosse ou espirro de pessoa contaminada pelo bacilo Mycobacterium leprae. Muitas pessoas são portadoras do bacilo, mas poucas adoecem.

 

ONDE PROCURAR AJUDA – Quem tiver suspeita de contágio pelo bacilo deve procurar a UBS mais próxima para averiguar os sintomas e fazer os exames, caso necessário. Somente depois de analisada a situação, o paciente será encaminhado a um especialista, se for preciso.

 

Para a médica dermatologista da Secretaria de Saúde, Janaína de Amorim Barbaresco, esse alto número de infectados pode estar relacionado à falta de informação. “Muitas pessoas desconhecem, acham que não existe mais, que é coisa do passado”, esclarece.

 

Janaína insiste que a hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito na rede pública de saúde. “Quando a pessoa é diagnosticada logo, é encaminhada ao serviço de saúde para acompanhamento e tratamento, feito com medicamento oral e pode durar de 6 meses a um ano, conforme o estágio da doença”, explica a médica. “Essa é uma doença crônica, com um longo período de incubação. Por isso, prevenir é o melhor remédio”, aconselha.

 

Josiane Canterle, da Agência Saúde

Foto/Buriti: Vinícius de Melo/GDF