Governo do Distrito Federal
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16/02/21 às 14h42 - Atualizado em 17/02/21 às 15h15

Revista inglesa destaca plano de combate à dengue da Secretaria de Saúde

Publicação mostra a estratégia adotada no DF para enfrentar o Aedes aegypti em tempos de covid-19

 

AGÊNCIA SAÚDE-DF

 

Ações de combate ao Aedes aegypti ocorrem diariamente em todas as regiões do DF – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

A revista inglesa International Pest Control traz, na edição janeiro/fevereiro 2021, o Plano de Contingência da Dengue em Tempos de Covid-19: Como Lutar em Duas Frentes, elaborado e executado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal em 2020. O plano foi criado a partir dos estudos do biólogo PhD e entomologista médico Fábio Castelo Branco, especialista em controle de vetores, saúde pública e medicina tropical.

 

O biólogo alerta que, em 2020, o “efeito Covid” prejudicou bastante a prevenção e o controle de doenças propagadas por vetores, como a dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. “Consideramos efeito Covid o impacto epidemiológico sobre outras doenças tão importantes, bem como os impactos social e econômico”, observou Castelo Branco.

 

No ano passado, houve a subnotificação de casos de doenças arbovirais (causadas por um grupo de vírus transmitidos pela picada de insetos). “Isso deu-se pelo fato de as pessoas terem medo de contrair a Covid-19 em idas aos hospitais e unidades de pronto atendimento”, comentou o especialista.

 

Segundo ele, muitas pessoas com suspeita e sintomas de arboviroses (dengue, zika ou chikungunya) preferiram não ir ao médico durante a pandemia. “A recomendação geral era que somente pessoas que apresentassem falta de ar ou algum sintoma mais grave deveriam procurar as unidades de saúde. Como resultado, o número de casos caiu, pois não foram contabilizados pela epidemiologia”, sinalizou Castelo Branco.

 

Também em 2020, houve a recomendação do Ministério da Saúde de suspender a visita domiciliar de agentes de saúde para fiscalização e controle do mosquito da dengue, para que a população não fosse contaminada por esses profissionais e vice-versa. “Isso teve um impacto negativo tanto nas pesquisas sobre as taxas de infestação da doença quanto no controle de criadouros de mosquitos”, disse Castelo Branco.

 

No mesmo ano, foi observada a baixa eficiência do teste rápido para covid-19. “Os testes rápidos mostraram resultados positivos para covid-19 se a pessoa tivesse um arbovírus, ou seja, se a pessoa com dengue fosse testar o resultado para covid seria positivo”, explicou o biólogo. “Esses casos devem ser mais bem estudados para que, em um futuro próximo, possamos realmente dizer como foi a real mortalidade inerente aos dois vírus”, finalizou.

 

Plano de Contingência

 

O Plano de Contingência da Dengue, executado pela Secretaria de Saúde, traz as seguintes soluções que podem servir de exemplo para outras unidades da Federação e países:

 

  • Novas tecnologias: usar novas tecnologias e metodologias para vigilância e controle de vetores;
  • Monitoramento: fortalecer a vigilância entomológica com o uso de monitoramento por armadilhas, o que possibilitará a vigilância sem a necessidade de entrar nas residências e de estabelecer contato direto com as pessoas;
  • Educação: usar as mídias sociais e os veículos de comunicação para fortalecer a educação ambiental. Assim, cada família pode se responsabilizar por encontrar e eliminar criadouros de mosquitos dentro de casa;
  • Controle de vetores: preparar unidades especializadas para resposta rápida ao controle de vetores com o uso de inseticidas, principalmente com drones e equipamentos veiculares que proporcionam distância social.

 

O entomologista Fábio Castelo Branco ressalta que, com essas soluções, “é possível controlar melhor o impacto dos arbovírus durante a pandemia e o impacto negativo de uma sindemia [problemas de saúde interligados)”.

 

Você também pode fazer sua parte no combate ao Aedes aegypti. Veja mais informações sobre as doenças transmitidas pelo mosquito e como prevenir: