Governo do Distrito Federal
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15/12/20 às 18h10 - Atualizado em 17/12/20 às 17h45

Saúde oferece a profilaxia Pré-Exposição ao HIV como prevenção

Medicamentos criam barreiras farmacológicas que impedem que o vírus adentre nos tecidos

 

JURANA LOPES

 

Muita gente desconhece, mas além de usar preservativos durante as relações sexuais existem outras maneiras de se prevenir contra o HIV/Aids. Uma delas é a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), disponibilizada no Hospital Dia e no Hospital Universitário de Brasília (HUB), como estratégia de prevenção para parceiros das Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV).

 

O infectologista e diretor científico da Sociedade de Infectologia do DF, José David Urbaez, explica que a PrEP é uma medida biomédica, que funciona como se fosse uma pílula anticoncepcional clássica. “O indivíduo toma uma combinação de dois medicamentos antirretrovirais todos os dias, para casos de exposição a uma infecção, formando uma barreira farmacológica nas mucosas retais e vaginais e essa barreira farmacológica impede que o vírus se adentre nos tecidos da pessoa suscetível ao vírus”, acrescenta ele.

 

Medicamento utilizado na PrEP é distribuído gratuitamente na rede pública de saúde para os grupos vulneráveis – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

 

De acordo com o médico, a PrEP foi inserida no Sistema Único de Saúde visando proteger indivíduos altamente vulneráveis, pois a transmissão do HIV não é homogênea, existindo pessoas com perfil psicológico, emocional, socioeconômico e conduta que os deixam mais vulneráveis.

 

Nesse caso, estão incluídos, de acordo com Urbaez, os homens que fazem sexo com homens, “que se expõem em relações sexuais anais sem proteção e a população de mulheres trans, que são pessoas vulneráveis pois têm grandes privações por conta do preconceito”. Ele considera ser interessante afunilar, no Centro de Referência, a indicação ao uso do PrEP, pois também há pessoas desses dois grupos que utilizam preservativos e se previnem corretamente.

 

No caso da PrEP, é necessária uma abordagem multiprofissional para identificar características da pessoa que busca a utilização e encaixá-la num grupo de maior vulnerabilidade. Se a PrEP for usada de maneira indiscriminada, o infectologista adverte, não gera impacto no controle do HIV porque se perde o foco nos mais vulneráveis e não será possível captar as pessoas que realmente se beneficiariam desta estratégia.

 

Urbaez explica que o uso da PrEP não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, por isso é necessário utilizar preservativo para se proteger e fazer as testagens a cada trimestre.

 

Em todas as 172 unidades básicas de saúde e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), localizado na Rodoviária do Plano Piloto, são oferecidos preservativos masculinos e femininos e gel lubrificante; na maioria dos locais, são realizados exames de testagem rápida para o HIV; testes rápidos para sífilis e Hepatites virais B e C.