Governo do Distrito Federal
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14/01/13 às 14h55 - Atualizado em 30/10/18 às 14h57

Saúde vai vacinar meninas contra o HPV

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Ação é pioneira no país e visa prevenir contra o câncer de colo de útero

A Secretaria de Saúde abriu pregão eletrônico, na quinta-feira, 10, para a compra de vacinas contra o vírus papiloma humano (HPV), principal causa do câncer do colo de útero. A imunização, uma ação pioneira no país, deve começar em março em escolas públicas e particulares de todo o Distrito Federal e tem como público alvo pouco mais de 64 mil garotas entre 11 e 13 anos.

O secretário-adjunto de Saúde, Elias Miziara, diz que a proposta é imunizar as meninas antes do início da vida sexual para garantir uma geração livre dos tipos mais prevalentes que incidem no câncer de colo de útero. Cada garota vai receber três doses ao longo de 2013. A partir de 2014, a vacinação será exclusiva para meninas de 11 anos. Cerca de 90 mulheres morrem todos os anos no DF vítima do câncer de colo de útero.

Para a subsecretária de Vigilância à Saúde, Marília Coelho, a introdução dessa nova vacina é um dos projetos mais importantes do Governo do DF, nos últimos tempos. “O custo beneficio será muito grande, pois vai evitar 70% dos casos de câncer de colo de útero e trazer uma economia brutal para o sistema de saúde”, diz, acrescentando que o tratamento da doença é um dos mais caros.

A Secretaria de Saúde investirá cerca de R$ 13 milhões na compra das vacinas. O custo estimado de cada dose, que imuniza contra quatro tipos de papiloma vírus relacionados ao câncer de colo de útero, é de R$ 72,50. Os professores serão treinados por equipes de vacinação da Secretaria de Saúde. A imunização só será feita mediante autorização dos pais.

Existem duas vacinas contra HPV aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que estão comercialmente disponíveis em clínicas privadas: a quadrivalente, que confere proteção contra HPV 6, 11, 16 e 18; e a vacina bivalente, que confere proteção contra HPV 16 e 18.

O Ministério da Saúde ainda estuda a viabilidade de introdução da vacina no calendário nacional. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou, em setembro, um projeto de lei que propõe a aplicação de vacinas contra o HPV em meninas com idade entre nove e 13 anos, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta agora será analisada pela Câmara dos Deputados.

Estudos no mundo comprovam que 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. Essa porcentagem pode ser ainda maior em homens. Estima-se que entre 25% e 50% da população feminina e 50% da população masculina mundial esteja infectada pelo HPV. Porém, a maioria das infecções é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo sistema imunológico, regredindo entre seis meses a dois anos após a exposição, principalmente entre as mulheres mais jovens.

Infecção frequente

 

Os HPVs são vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas. A transmissão se dá por contato direto com a pele ou mucosa infectada. A principal forma é pela via sexual. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), existem mais de 100 tipos diferentes de HPV, sendo que cerca de 40 podem infectar o trato ano-genital.

Quando a infecção persiste, ela é causada por um tipo viral oncogênico (com potencial para causar câncer), e pode resultar no desenvolvimento de lesões precursoras, que se não forem tratadas podem progredir para o câncer, principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca.

Prevenção

O uso de preservativo (camisinha) durante todo contato sexual não protege totalmente da infecção pelo HPV, pois não cobre todas as áreas passíveis de serem infectadas. Na presença de infecção na vulva, na região pubiana e proximidades, o HPV poderá ser transmitido apesar do uso do preservativo. A camisinha feminina, que cobre também a vulva, evita mais eficazmente o contágio, se utilizada desde o início da relação sexual.

Para evitar o surgimento do câncer de colo de útero, é importante fazer o exame preventivo (de Papanicolaou ou citopatológico), que pode detectar as lesões precursoras. Quando essas alterações que antecedem o câncer, são identificadas e tratadas, é possível prevenir a doença em 100% dos casos.

As lesões clínicas se apresentam como verrugas ou lesões denominadas condilomas acuminados e popularmente chamadas “crista de galo”, “figueira” ou “cavalo de crista”. Têm aspecto de couve-flor e tamanho variável. Nas mulheres podem aparecer no colo do útero, vagina, vulva, região pubiana, perineal, perianal e ânus. Em homens, podem surgir no pênis (normalmente na glande), bolsa escrotal, região pubiana, perianal e ânus. Essas lesões também podem aparecer na boca e na garganta, em ambos os sexos.

O tratamento apropriado das lesões precursoras é imprescindível para a redução da incidência e mortalidade pelo câncer do colo uterino. Só o médico, após a avaliação de cada caso, pode recomendar a conduta mais adequada.