Governo do Distrito Federal
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9/11/20 às 15h23 - Atualizado em 10/11/20 às 17h27

Servidor ensina reeducando da Funap a reformar poltronas no Hmib

Ação garante mais conforto aos usuários do hospital e ensina nova profissão à população privada de liberdade

 

Móveis são recuperados com ajuda de reeducandos da Funap – Foto: Divulgação

 

JURANA LOPES

 

Pensando no bem-estar dos pacientes e de seus acompanhantes, além de ressocializar reeducandos que trabalham dentro do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) como forma de cumprirem suas penas judiciais, um servidor decidiu ensinar os internos a reformarem as poltronas de uso dos acompanhantes.

 

A ideia surgiu há dois meses e partiu do servidor Jairo Guedes, que é operador de caldeira e trabalha no Núcleo de Manutenção do Hmib. “É muito ruim acompanhar um paciente e ter que dormir sem o mínimo de conforto. Como sei trabalhar com estofados, decidi reformar as poltronas dos acompanhantes. Tenho a ajuda de dois reeducandos que estão gostando muito de aprender uma nova profissão”, afirma o servidor.

 

Ao todo, já foram reformadas 17 poltronas. Todas foram distribuídas para a Ala A do hospital. As reformas estão sendo feitas com materiais enviados ao Hmib pela Secretaria de Saúde. Segundo Jairo Guedes, é um trabalho digno reformar as poltronas, pois além de ajudar os usuários do Hmib, ainda consegue ensinar uma profissão para a população privada de liberdade que trabalha no hospital.

 

Poltronas recuperadas são usadas por acompanhantes dos pacientes – Foto: Divulgação

 

“É muito gratificante ver os dois rapazes que estão me ajudando com os estofados com os olhos brilhando porque estão aprendendo uma nova profissão. Eles sairão daqui sabendo fazer trabalho de serralheiro, bombeiro hidráulico e mexendo com estofados. São novas profissões que darão oportunidades para eles quando estiverem em liberdade. Vejo nos olhos deles que estão realmente interessados em aprender”, avalia o profissional.

 

Parceria

 

A parceria entre a Secretaria de Saúde e a Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap) foi firmada em 2011 e, atualmente, 300 reeducandos trabalham nas unidades de saúde da rede. Eles são lotados nas funções de acordo com quesitos necessários e perfil do preso. O trabalho é desenvolvido em vários setores como, manutenção, lavanderia, administrativo e o trabalho contribui para a redução da pena.

 

Ao todo, já foram reformadas 17 poltronas – Foto: Divulgação

 

“É um trabalho que faz toda a diferença na vida de um sentenciado. É a esperança de um recomeço e, muitos se destacam de verdade no trabalho. Acho maravilhoso e muito importante esse trabalho. Além de estar empregado e ter renda, o reeducando ainda aprende um ofício. Dessa forma, ele poderá trabalhar como autônomo quando estiver em liberdade”, avalia a diretora executiva da Funap, Deuselita Pereira Martins.

 

De acordo com ela, o contrato firmado entre a Secretaria de Saúde e Funap é “extraordinário” porque emprega grande número de reeducandos, desde aqueles que não têm instrução até os que têm nível superior. “É um local bem eclético que dá oportunidade para todos os que precisam, homens e mulheres”, conclui.